Por Zheng Jueshi | China Daily*
Os Estados Unidos tendem a praticar a lei da selva nas relações internacionais sob o pretexto de promover a “democracia” ou proteger os “direitos humanos”. No início de 2024, o então secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou na Conferência de Segurança de Munique que “se você não está à mesa no sistema internacional, você vai estar no cardápio”.
Estudamos a questão cuidadosamente e tentamos identificar qual seria esse “cardápio”, de acordo com as prioridades dos EUA.
Surpreendentemente, o povo americano ocupa o topo da lista. Há mais de 200 anos, desde a fundação do país, governantes e políticos dos EUA priorizam a exploração do próprio povo. Apesar da retórica grandiosa sobre “democracia”, “direitos humanos” e “liberdade”, a vida dos americanos comuns não apresentou melhorias substanciais nas últimas décadas.
De fato, o livro de memórias do vice-presidente dos EUA, JD Vance, Era Uma Vez um Sonho, retrata de forma vívida as condições miseráveis de vida da classe trabalhadora americana hoje.
A desigualdade de riqueza nos EUA continua a se ampliar — o 1% mais rico controla atualmente cerca de 30% da riqueza do país, enquanto os 50% mais pobres detêm apenas 2,5%. Pior ainda, cerca de 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. E, apesar de mais de 200 anos de eleições “democráticas”, a condição das pessoas de baixa renda, que constituem a vasta maioria da população dos EUA, se deteriorou, expondo a hipocrisia da democracia americana.
Em segundo lugar no “cardápio” estão os aliados, amigos e seguidores leais dos EUA. Como disse certa vez o ex-secretário de Estado Henry Kissinger: “Ser inimigo da América pode ser perigoso, mas ser amigo é fatal”.
Os EUA sempre buscam satisfazer seus próprios interesses às custas dos outros. Por exemplo, há muito tempo reprimem o iene japonês e o comércio exterior do Japão, assumindo o controle das veias vitais econômicas e financeiras do país por meio do Acordo do Plaza. Também semearam divisões dentro da União Europeia, enfraqueceram o status do euro e pressionaram Estados-membros do bloco a investir mais nos EUA. Chegaram inclusive a impor tarifas excessivas sobre importações de parceiros comerciais, sem poupar nem mesmo aliados próximos.
No campo geopolítico, os EUA tratam seus aliados como instrumentos para avançar seus objetivos estratégicos, frequentemente forçando-os a entrar em guerras por procuração intermináveis, de resultado negativo para todos, e em conflitos desnecessários. Em termos de política externa, exigem que todos os aliados ajam em uníssono, interferem com frequência em seus assuntos internos e os privam de sua independência.
Em terceiro lugar no “cardápio” estão os países do Sul Global. Além de obter enormes lucros com as duas guerras mundiais, os EUA também lucraram com os inúmeros conflitos regionais e “revoluções de cor” que desencadearam para manter sua dominância econômica e estratégica.
Em quarto lugar no “cardápio” estão os “adversários” dos EUA. No entanto, Washington tem adotado recentemente uma abordagem mais indireta em relação a esses “adversários”. As guerras no Afeganistão e no Iraque, que se arrastaram por duas décadas, custaram trilhões de dólares e a vida de mais de 7 mil soldados americanos, servindo como um duro lembrete das consequências onerosas do confronto direto.
Por isso, Washington agora evita confrontar diretamente seus “adversários”, especialmente aqueles que possuem armas nucleares.
Mas e a Rússia? Utilizando diferentes estratégias, os EUA continuam a colher os dividendos da desintegração da União Soviética. E, apesar de a Rússia ter adotado um sistema político ocidental, os EUA ainda a veem como uma grande ameaça.
Embora Washington e Moscou nunca tenham travado uma guerra direta, eles se enfrentaram em questões como a expansão da OTAN para o leste e os sistemas de defesa antimísseis. Washington busca constantemente minar os interesses de Moscou. Mas, como o arsenal nuclear russo é equivalente — senão maior — ao de Washington, é improvável que os EUA arrisquem um confronto estratégico com a Rússia antes que ela seja completamente enfraquecida.
Quanto à China, ela se tornou o desafio mais difícil para os EUA, pois se opõe firmemente às políticas comerciais e externas injustas e voltadas apenas aos próprios interesses de Washington.
Os EUA desejam colocar novamente a China em seu “cardápio”, mas sabem que o custo de confrontar a segunda maior economia do mundo, além de uma grande potência tecnológica e militar, é alto demais.
Além disso, quando os EUA percebem que um adversário é invencível, frequentemente optam pela negociação. Foi exatamente assim que o Reino Unido agiu nos anos 1980 — após perceber que não poderia prevalecer militarmente sobre a China, acabou negociando com Pequim para resolver a questão do retorno de Hong Kong à pátria.
Como a China está determinada a salvaguardar sua soberania e integridade territorial, os EUA sabem que qualquer tentativa de impor sua hegemonia está fadada ao fracasso. Diante do hegemonismo americano, o povo chinês permanece firme e unido.
Comprometida com a melhoria do bem-estar de toda a humanidade, a China rejeitou a lógica ocidental de que “o poder inevitavelmente leva à hegemonia”. De fato, o país vem fazendo esforços sinceros para construir um sistema de governança global justo e equitativo e promover benefícios mútuos.
Mais importante ainda, a revitalização da nação chinesa não é apenas um direito do povo chinês, mas também o cumprimento de sua obrigação e responsabilidade perante a humanidade.
*O autor é professor universitário em Pequim. Texto publicado originalmente no China Daily.

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