O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta quinta-feira (24), em Washington, estar pronto para trabalhar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para manter a relação entre os dois países em rumo estável. A declaração foi feita na cerimônia oficial de chegada na Casa Branca.
A visita de Estado, de 23 a 25 de setembro, retribui a viagem de Trump a Pequim em maio e é a primeira de Xi à Casa Branca em mais de uma década. Segundo Xi, o objetivo é dar continuidade à amizade entre os dois líderes, ampliar a cooperação e promover o bem-estar dos dois povos.
Cooperação e competição “dentro de limites”
Xi afirmou que a cooperação entre China e EUA talvez não resolva todos os problemas do mundo, mas que, sem ela, seria difícil resolver muitos deles. Segundo ele, os dois presidentes incentivam os órgãos de governo das áreas de relações exteriores, economia, finanças, aplicação da lei e intercâmbio entre os povos a intensificar o contato.
Sobre negócios, o líder chinês disse que a China mantém as portas abertas para empresas americanas e pediu tratamento justo às companhias chinesas nos EUA. “Juntos, podemos alongar a lista de cooperação e encurtar a lista de problemas”, afirmou.
Xi também citou a inteligência artificial (IA), área em que, segundo ele, os dois países lideram e têm a responsabilidade de garantir que a tecnologia fique sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas. Mencionou ainda a cooperação no combate ao narcotráfico e a possibilidade de ampliar os voos diretos entre os dois países.
Para Xi, China e EUA não precisam evitar falar em competição, desde que ela seja saudável e mantida dentro de limites. Ele a comparou a uma corrida em que um tenta alcançar o outro, e não a uma luta em que só um sai vencedor. O presidente defendeu que os dois lados sustentem o princípio de não conflito e não confronto.
Na área militar, Xi propôs diálogo regular entre as Forças Armadas dos dois países e mecanismos mais eficazes de comunicação e prevenção de crises. Segundo ele, é possível superar a chamada Armadilha de Tucídides, expressão usada para descrever o risco de guerra quando uma potência em ascensão ameaça o lugar de uma potência estabelecida.
Xi anunciou ainda um convite para que 100 mil jovens americanos visitem a China para intercâmbio e estudo nos próximos cinco anos. Também informou que um casal de pandas-gigantes chegará nos próximos dias ao Zoológico de Atlanta.
Jantar de Estado
À noite, Xi e a primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, participaram de um jantar de Estado oferecido por Trump e pela primeira-dama americana, Melania Trump, na Casa Branca.
No discurso, Xi desejou um bom Festival do Meio Outono aos americanos que apoiam a relação bilateral. Ele destacou que os dois chefes de Estado trocaram visitas de Estado em um intervalo de seis meses, o que classificou como um marco histórico, e disse que a viagem produziu entendimentos em vários temas.
O presidente chinês fez um retrospecto da relação: o comércio iniciado pouco depois da independência americana, há mais de 200 anos; a luta conjunta contra a agressão militarista japonesa, há mais de 80; e a Diplomacia do Pingue-Pongue, há mais de 50, que reabriu o contato entre os dois países e deu início à normalização das relações.
Xi citou também o americano Ronald Sakolsky, que há mais de 20 anos apoiou financeiramente o plantio de árvores de Yin Yuzhen, trabalhadora chinesa no combate à desertificação, como exemplo da amizade entre os dois povos.
Ele comparou o lema de Trump de tornar os Estados Unidos grandes novamente ao objetivo chinês de alcançar a grande revitalização da nação e afirmou que as duas metas podem se reforçar mutuamente. Xi pediu que os dois países ajam como grandes potências responsáveis e busquem um novo modelo de convivência.







0 comentários