O tufão “Dolphin” (conhecido em chinês como “Bai Shutun”), o 13º ciclone tropical da temporada no Pacífico Ocidental, atingiu a costa leste da China no domingo, trazendo fortes chuvas e ventos que forçaram a evacuação de centenas de milhares de pessoas em Fujian e Xangai.
Um dos aspectos mais críticos desta tempestade foi o que os meteorologistas chamam de “duplo landfall”. Diferente de um furacão que atinge a costa uma única vez, o Dolphin tocou terra firme duas vezes em menos de 90 minutos na província de Zhejiang. Primeiro, o olho da tempestade cruzou a costa na cidade de Yuhuan e, após cruzar uma faixa estreita de terra, voltou brevemente ao mar antes de atingir a costa continental novamente em Yueqing. Esse fenômeno é comum em regiões com penínsulas e ilhas, mas multiplica o impacto direto sobre as cidades.
Às 17h30 de domingo, o tufão chegou com ventos de até 151 km/h (força 14 na escala Beaufort). Até as 7h de segunda-feira, cerca de 168 mil pessoas haviam sido transferidas de áreas vulneráveis em Fujian, incluindo zonas costeiras e embarcações. Em Xangai, a maior metrópole chinesa, cerca de 215 mil pessoas foram retiradas preventivamente.
A tempestade causou interrupções generalizadas. O LEGOLAND Shanghai Resort foi fechado temporariamente, e mais de mil voos foram cancelados em todo o delta do rio Yangtzé, incluindo quase 60% dos voos programados nos aeroportos de Xangai. As autoridades locais emitiram o alerta vermelho, o mais alto em um sistema de quatro níveis, e alertaram para o risco de alagamentos urbanos.
A China opera um dos sistemas de resposta a desastres mais robustos do mundo, priorizando a transferência preventiva de populações em vez da resposta reativa. Mesmo com o enfraquecimento gradual do tufão, que agora se move para o noroeste a cerca de 70 km/h, as autoridades mantêm o alerta devido ao risco de chuvas torrenciais que podem durar dias, afetando inclusive a região de Pequim nos próximos dias.

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