Pesquisadores chineses concluíram a atualização do mapa geológico global da Lua na escala inédita de 1:5 milhões, informou na quinta-feira o Instituto de Geologia da Academia Chinesa de Ciências Geológicas. A nova versão, que sucede o mapa de 2024, refina e sistematiza dados fundamentais sobre a formação do satélite, alterando significativamente o que se sabia sobre sua cronologia.
“A história geológica lunar foi de fato reescrita, mais precisamente, refinada e sistematizada”, afirmou Yang Zhiming, diretor do instituto. O principal avanço foi a recalibração das eras geológicas antigas, com a atualização dos limites de idade dos períodos Aitkeniano, Nectariano e Imbriano com base nos últimos avanços da cronologia internacional.
Dados das amostras coletadas pela missão Chang’e-5 confirmaram que a atividade vulcânica na Lua ocorreu há apenas dois bilhões de anos, um bilhão de anos mais tarde do que se acreditava anteriormente. Essa datação independente tornou-se a base da nova escala de tempo geológico lunar global.
Além disso, o mapa é o primeiro a incorporar descobertas exclusivas da missão Chang’e-6, detalhando a idade dos basaltos jovens no lado oculto da Lua e revelando que as rochas KREEP, ricas em elementos terras raras e recursos estratégicos, são muito mais abundantes no Oceanus Procellarum do que se estimava, o que exige uma reavaliação do processo de cristalização do oceano de magma primitivo.
Com 2,8 por 1,2 metro, o mapa introduz um padrão cartográfico autoral que identifica mais de treze mil e quinhentas crateras de impacto e oitenta e uma bacias. A cartografia emprega uma paleta de cores única fundamentada na lógica geológica e na estética tradicional chinesa, seguindo o princípio de tons mais claros para formações mais jovens e mais escuros para as mais antigas.
Esse padrão técnico será estendido para futuros mapeamentos de Marte e asteroides, encerrando a dependência de sistemas estrangeiros. “Isso vai além de demonstrar a capacidade tecnológica; estabelece um arcabouço de propriedade intelectual independente para a exploração do espaço profundo pela China”, concluiu Yang Zhiming.

Sem Comentários ainda!