Observatório chinês identifica o acelerador de partículas mais potente já descoberto

Sistema binário no interior da Via Láctea acelera partículas, superando em 30 vezes o limite teórico anterior

Cientistas utilizando o Observatório de Chuvas de Ar de Alta Altitude (LHAASO) da China identificaram o acelerador de partículas cósmicas mais potente já descoberto até hoje. A descoberta, publicada na revista National Science Review, revela que o sistema binário Cygnus X-3, localizado na constelação do Cisne, é capaz de impulsionar partículas a energias de pelo menos 30 PeV (peta-elétron-volts).

O Cygnus X-3 é composto por um objeto compacto — que pode ser um buraco negro ou uma estrela de nêutrons — e uma estrela companheira massiva. À medida que o objeto compacto devora material do vento estelar intenso de sua vizinha, ele gera campos magnéticos extremos que funcionam como um acelerador natural de partículas.

A descoberta desafia o entendimento atual da física. Teorias convencionais sugeriam que partículas carregadas dentro da Via Láctea atingiam, no máximo, energias em torno de 1 PeV. Ao analisar a variabilidade temporal e as características espectrais dos raios gama de ultra-alta energia, a equipe do LHAASO, liderada pelo acadêmico Cao Zhen, confirmou que o sistema supera esse limite em 30 vezes.

Além da potência bruta, os pesquisadores detectaram uma periodicidade de 4,8 horas no sinal de raios gama e conseguiram delimitar a região de aceleração para aproximadamente três vezes o raio solar. Segundo os cientistas, esse nível de precisão abre novos caminhos para investigar processos físicos extremos próximos a buracos negros e outras singularidades cósmicas.

Localizado no sopé do Monte Haizi, na província de Sichuan, a 4.410 metros de altitude, o LHAASO cobre uma área de 1,36 km² e é uma das instalações de pesquisa cosmológica mais avançadas do mundo. Este é o mais recente de uma série de sucessos do observatório na decifração dos mistérios da radiação cósmica de alta energia.

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