Mesmo diante do cenário de tijolos vermelhos do distrito cultural e criativo de Taoxichuan, em Jingdezhen, a artista brasileira Viviane Diehl destaca-se com seus vibrantes cabelos ruivos. Para a artista visual de 62 anos, estar na antiga capital da porcelana, na província de Jiangxi, no leste da China, é a realização de um sonho antigo. “Quando comecei a aprender sobre porcelana, soube que precisava ir para a China”, contou Diehl à agência Xinhua.
Sua jornada ao coração da cerâmica chinesa foi pavimentada por colegas artistas que já haviam trabalhado na vila de Sanbao, em Jingdezhen. Ao retornarem ao Brasil, eles compartilharam histórias da cidade em eventos, despertando uma fascinação profunda em Diehl, que desde os 15 anos estuda pintura cerâmica, desde a esmaltação até a queima.
Essa paixão floresceu em criações tangíveis. Sua obra “Reflorestar”, em exposição no Museu de Arte de Taoxichuan até o fim de agosto, foi concebida durante uma residência artística na cidade em 2024. “A arte cerâmica e a natureza guiam o ser humano rumo à contemplação interior, dando sentido aos ciclos e à coexistência”, escreveu a artista na introdução da peça.
Dominar esse meio em solo estrangeiro tem sido uma jornada expressiva. Antes de chegar a Jingdezhen, Diehl completou uma residência em Longquan, onde começou a experimentar com argila local e esmaltes de celadona. A técnica de queima de Longquan, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2009, representou um desafio criativo. “Pesquisar com a argila local é um desafio expressivo constante. Tenho algo novo para aprender o tempo todo”, afirmou.
Embora a tecnologia facilite o aprendizado sobre cerâmica, Diehl ressalta que Jingdezhen continua inigualável. “Não temos outro lugar com tal qualidade e técnicas especiais para fazer porcelana”, disse, atribuindo o apelo único da cidade à sua geografia e herança. Situada em uma região montanhosa do nordeste de Jiangxi, Jingdezhen é dotada de abundantes reservas de caulim e outros materiais crus essenciais para a produção de porcelana.
O reconhecimento global consolidou-se este mês, quando os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen foram inscritos na Lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, preenchendo uma lacuna histórica e tornando-se o 61º sítio da China na lista. Hoje, a cadeia industrial cerâmica abrangente da cidade atrai mais de 5.000 entusiastas em períodos de pico. Desde 2015, o programa “Aves Migratórias” de Taoxichuan já contatou instituições em mais de 50 países, atraindo 3.600 artistas.

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