Na Feira Internacional de Cadeias de Suprimentos da China (CISCE), em Beijing, a Honeywell montou seu maior estande dos últimos quatro anos. Mas o diferencial não foi o tamanho, e sim o conteúdo: três das quatro paredes foram ocupadas por cerca de 100 fornecedores e parceiros chineses.
Para a empresa americana, que atua na China há 90 anos, a estratégia mudou. “A China tem a cadeia de suprimentos mais resiliente e rápida do mundo”, afirmou o presidente da Honeywell China, Yu Feng. “Com um mercado desse porte, nenhuma multinacional quer sair.”
Um exemplo prático é o sistema de navegação industrial lançado com a petroquímica Shenghong: 100% automatizado, reduz custos em 10 milhões de yuans por ano.
O Ecossistema das Big Techs
A feira provou que a tecnologia global agora se desenha na China. A Nvidia montou sua maior mostra de inteligência artificial no país, reunindo 110 parceiros para demonstrar desde chips até aplicações finais. A Qualcomm exibiu celulares, óculos e PCs com IA ao lado de gigantes locais como Xiaomi, Vivo e Lenovo.
A Apple, por sua vez, não focou em iPhones, mas nos equipamentos de precisão de suas fornecedoras chinesas, como a Sunny Optical. “Expor equipamentos mostra nossa capacidade de processo”, disse o CEO da Sunny, destacando como a parceria elevou o nível técnico da indústria local.
Dados que Confirmam a Expansão
O evento, que cresceu para 676 expositores (36,5% estrangeiros), reflete o apetite real do capital. Nos primeiros cinco meses de 2026, a China registrou mais de 25 mil novas empresas de capital externo. O investimento em setores de alta tecnologia disparou 19,4% em relação ao ano anterior.
Para Liang Guoyong, economista da ONU, a tendência é clara: “O investimento estrangeiro na China está se tornando mais qualificado e profundo. As multinacionais não vêm só para vender, mas para se integrar às cadeias globais que têm a China como coração.”

Sem Comentários ainda!