6º Diálogo sobre Finanças Verdes e Agricultura Sustentável entre China e Brasil destaca cooperação em clima, comércio e inovação

Evento realizado em Beijing reuniu cerca de 200 representantes dos dois países para discutir segurança alimentar, financiamento sustentável e transformação dos sistemas agrícolas

O 6º Diálogo sobre Cooperação em Finanças Verdes e Agricultura Sustentável entre China e Brasil foi realizado em 20 de maio, no Hotel St. Regis, em Beijing. O encontro reuniu cerca de 200 representantes de governos, instituições financeiras, empresas, associações setoriais, centros de pesquisa e organizações internacionais dos dois países para debater temas ligados à transformação dos sistemas agroalimentares diante das mudanças climáticas, à inovação em mecanismos de financiamento verde e ao fortalecimento do comércio sustentável orientado por dados.

O evento foi organizado pelo Instituto de Finanças e Sustentabilidade de Beijing (IFS), pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio da Embaixada do Brasil na China e parceria de mídia do Centro de Mídia do Conselho Chinês para Promoção do Comércio Internacional (CCPIT Media Center). Durante a abertura, representantes das instituições destacaram o potencial de aprofundamento da cooperação bilateral em áreas como finanças verdes, agricultura inteligente, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.

A diretora-executiva do CEBC, Cláudia Trevisan, afirmou que Brasil e China possuem “capacidades complementares” capazes de gerar novas oportunidades em investimentos e desenvolvimento sustentável. “É precisamente nessa convergência de capacidades e interesses que vemos novas oportunidades para a cooperação bilateral”, declarou. Ela também destacou os avanços do Brasil em produtividade agrícola e conservação ambiental, além do crescente papel da China em áreas como digitalização, inteligência artificial, segurança alimentar e finanças verdes. Segundo Trevisan, conexões mais estreitas entre os dois países podem contribuir para uma agenda bilateral “cada vez mais moderna, sustentável e alinhada aos desafios do futuro”.

Já a vice-presidente do IFS, Bai Yunwen, relembrou os avanços alcançados desde a criação do diálogo, em 2021. Entre os principais resultados, ela citou a formação de uma plataforma de intercâmbio envolvendo cerca de 500 representantes dos setores público, privado, acadêmico e de pesquisa, além da identificação da ausência de padrões comuns para agricultura sustentável como um dos principais obstáculos à cooperação. Bai também defendeu três prioridades para os próximos anos: o reconhecimento mútuo de padrões sustentáveis entre China e Brasil, a construção de cadeias sustentáveis fechadas para produtos agrícolas e a ampliação de canais de financiamento verde em renminbi.

O representante-chefe da ApexBrasil para a região Ásia-Pacífico, Victor Queiroz, ressaltou os avanços das relações econômicas e comerciais entre os dois países. Segundo ele, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e, em 2025, o país sul-americano se tornou o principal destino global dos investimentos chineses, recebendo cerca de 10,9% do total aplicado pela China no exterior. Queiroz também destacou que quase 90% da matriz energética brasileira é composta por fontes limpas, o que demonstra os avanços do país em desenvolvimento verde. “A ApexBrasil continuará atuando como ponte para promover uma colaboração aprofundada entre os dois países em múltiplos setores”, afirmou.

Durante o evento, a CMB International e a ApexBrasil assinaram um memorando de entendimento (MoU), marcando um novo passo na cooperação financeira entre China e Brasil. O diálogo também contou com três sessões temáticas. A primeira abordou os desafios da transformação dos sistemas agroalimentares diante das mudanças climáticas, incluindo os impactos de eventos climáticos extremos sobre a segurança alimentar e o papel das florestas na estabilidade da produção agrícola. A segunda discutiu instrumentos financeiros inovadores e formas de ampliar os fluxos de financiamento verde. Já a terceira sessão tratou da ampliação do acesso a mercados e do uso de ferramentas digitais para impulsionar produtos agrícolas de maior valor agregado, bens ligados à biodiversidade e fertilizantes verdes.

Criado em 2021, o mecanismo anual de diálogo sobre finanças verdes e agricultura sustentável entre China e Brasil já realizou seis edições consecutivas e se consolidou como uma importante plataforma de cooperação bilateral em áreas como reconhecimento mútuo de padrões sustentáveis, desenvolvimento de produtos financeiros inovadores e infraestrutura agrícola. Entre os resultados concretos citados pelos organizadores estão a emissão de títulos verdes Panda pela Suzano na China, a assinatura contínua de acordos de cooperação agrícola entre os dois países e a incorporação de recomendações das primeiras quatro edições ao Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil (COSBAN).

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