China registra avanço inédito no tratamento genético de doença sanguínea

Terapia com edição de base permite interromper transfusões em pacientes com talassemia

Pesquisadores da China anunciaram o primeiro sucesso clínico do mundo com uma técnica inovadora de edição genética para tratar a beta-talassemia, uma doença hereditária grave do sangue. O estudo foi publicado na revista científica Nature.

A terapia experimental, chamada CS-101, utilizou a técnica de “edição de base” para modificar diretamente o DNA de células-tronco dos pacientes, sem cortar a dupla hélice genética, um avanço em relação a métodos tradicionais. Após uma única aplicação, cinco pacientes deixaram de depender de transfusões mensais de sangue.

Segundo os pesquisadores, os primeiros sinais de eficácia surgiram em cerca de 16 dias, e todos os pacientes interromperam as transfusões em até um mês, mantendo níveis estáveis de hemoglobina. Um dos participantes já está há mais de dois anos sem necessidade de transfusões.

O estudo foi liderado pelo Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangxi, em parceria com instituições como a Universidade Fudan e a ShanghaiTech University.

A nova abordagem reduz riscos associados a técnicas anteriores, como danos ao DNA e alterações cromossômicas, ao evitar cortes na estrutura genética. Além disso, utiliza células do próprio paciente, eliminando a necessidade de transplante de medula óssea e os riscos de rejeição.

A beta-talassemia é especialmente comum no sul da China e no Sudeste Asiático, com altas taxas de incidência. Para especialistas, o avanço representa um marco na medicina genética e pode abrir caminho para tratamentos mais seguros e eficazes em doenças hereditárias.

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