Cientistas da Academia Chinesa de Ciências avançaram na compreensão de como se formam as megadunas, dunas de areia com mais de 100 metros de altura, ao demonstrar que o relevo desempenha papel central nesse processo. O estudo foi conduzido pelo Instituto Noroeste de Ecologia, Meio Ambiente e Recursos, em parceria com instituições como a Universidade da Califórnia em Los Angeles e a Universidade de Zhejiang, e publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
A pesquisa rompe com explicações tradicionais que atribuíam a formação dessas dunas principalmente a fatores como disponibilidade de sedimentos ou condições atmosféricas. A partir de mapeamento global e simulações, os cientistas identificaram que megadunas tendem a se formar próximas a montanhas e em depressões, onde o relevo altera os padrões de vento e favorece o acúmulo acelerado de areia.
Segundo o pesquisador Zhao Hui, mais de 97% das megadunas do planeta estão concentradas no Deserto do Saara e em regiões áridas da Ásia, onde há abundância de areia e ventos fortes. Já em áreas como os desertos da Austrália, a presença maior de vegetação e menor transporte de sedimentos limita a formação dessas estruturas gigantes.
Os resultados indicam que terrenos com montanhas e depressões criam variações intensas nos fluxos de vento, gerando acúmulos localizados de areia e acelerando o crescimento das dunas. Esse processo, mais rápido do que em áreas planas, favorece o surgimento de megadunas por meio do aumento das colisões entre dunas menores e da convergência de fluxos de sedimentos.
Além de aprofundar o entendimento sobre paisagens em regiões áridas da Terra, o estudo também fornece bases teóricas importantes para a análise de formações semelhantes em outros corpos celestes, ampliando o campo de pesquisa da geologia planetária.

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