China planeja rede de mais de mil satélites para monitorar regiões tropicais

Constelação Wuyang deve começar com satélites pioneiros até 2026 e pretende oferecer monitoramento em tempo real para áreas de baixa latitude no mundo

A China está desenvolvendo a Constelação Wuyang, primeiro projeto do país de rede integrada de satélites para sensoriamento remoto e comunicação voltada a regiões de baixa latitude. O sistema prevê o lançamento de três satélites pioneiros até cerca de 2026, sendo que o primeiro deve ir ao espaço ainda este ano para testar tecnologias e modelos de aplicação.

O projeto é liderado pela Universidade de Guangzhou em parceria com o governo municipal de Guangzhou e o Centro de Informações do Estado. As informações foram divulgadas pelo jornal científico Science and Technology Daily. Após a fase inicial, os desenvolvedores planejam lançar 25 satélites operacionais entre 2026 e 2028, permitindo cobertura diária completa das regiões de baixa latitude e capacidade de resposta a emergências em até 30 minutos. Em uma etapa posterior, o projeto prevê a construção de uma rede comercial com mil satélites até aproximadamente 2035, criando um sistema de observação terrestre em tempo real para áreas tropicais e subtropicais em todo o planeta.

A constelação espacial foi concebida para atender territórios localizados entre 35 graus de latitude norte e sul. A iniciativa faz parte da estratégia tecnológica da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e tem como foco regiões de rápido crescimento em áreas tropicais, incluindo o Sudeste Asiático, a África e a América do Sul.

Segundo Gu Xingfa, professor da Universidade de Guangzhou e presidente do Comitê Nacional Chinês de Sensoriamento Remoto, os satélites da constelação terão sensores de alta resolução e ampla cobertura espectral capazes de criar um banco de dados de “impressões digitais materiais”. Isso permitirá que o sensoriamento remoto avance de simples captura de imagens para medições físicas de alta precisão.

A implantação ocorrerá de forma gradual, com cobertura inicial de 15 regiões administrativas do sul da China e expansão posterior para 99 países e territórios localizados em baixas latitudes. O sistema deverá oferecer serviços inteligentes de monitoramento ambiental, gestão de recursos naturais e prevenção de desastres.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, a constelação também poderá apoiar operações governamentais de resposta a emergências, monitoramento ecológico e aplicações agrícolas em regiões tropicais.

Mais de 20 empresas do setor aeroespacial já firmaram acordos para participar do desenvolvimento dos satélites e da prestação de serviços baseados nos dados gerados pela rede. O projeto também criou um centro de inovação em espaço comercial para integrar pesquisa, incubação de empresas, desenvolvimento tecnológico e investimento.

A meta é que, até 2030, o sistema alcance mais de 95% de cobertura em tempo quase real nas regiões de baixa latitude e impulsione investimentos industriais superiores a 10 bilhões de yuans (cerca de 1,45 bilhão de dólares).

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