Cientistas chineses descobrem mecanismo-chave para criar arroz resistente ao calor

Pesquisa publicada na Cell identifica genes que permitem ao arroz detectar altas temperaturas e quase dobram a produtividade em testes de campo

Cientistas chineses identificaram os genes e vias moleculares que permitem ao arroz perceber e se adaptar ao calor extremo, um avanço que já resultou no desenvolvimento de linhagens altamente resistentes às altas temperaturas. O estudo, divulgado nesta quarta-feira na revista Cell, oferece uma nova estratégia para fortalecer a segurança alimentar em meio ao aquecimento global.

A pesquisa, conduzida pelo Centro de Excelência em Ciências Moleculares de Plantas da Academia Chinesa de Ciências, pela Universidade Jiao Tong de Shanghai e pelo Guangzhou Laboratory, descreve pela primeira vez o mecanismo completo de detecção térmica da planta. Segundo o líder da equipe, Lin Hongxuan, quando o arroz é exposto ao calor, a enzima DGK7 é ativada na membrana celular, produzindo o lipídio sinalizador ácido fosfatídico (PA), um verdadeiro “alarme químico”. O PA ativa então a enzima MdPDE1, e ambas migram para o núcleo da célula, reduzindo os níveis de cAMP e reprogramando a expressão gênica para ativar a resposta de proteção térmica.

Ao mapear todo o caminho de sinalização, da percepção na membrana até a regulação de genes, os pesquisadores identificaram DGK7 e MdPDE1 como alvos precisos para o melhoramento genético. Em testes de campo simulando ondas de calor, plantas modificadas apenas com um desses genes produziram cerca de 50% mais grãos que as variedades convencionais. Já uma linhagem combinando DGK7 com o gene de tolerância térmica TT2 apresentou quase o dobro de produtividade, mantendo crescimento normal e melhorando a qualidade dos grãos.

O estudo estabelece uma base teórica e um conjunto de ferramentas genéticas para desenvolver variedades resistentes ao calor não apenas de arroz, mas também de trigo e milho. Para especialistas do setor, a descoberta abre caminho para criar culturas adaptadas a diferentes cenários climáticos, reforçando a segurança alimentar global em um mundo cada vez mais quente.

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