As últimas amostras de 26 experimentos realizados a bordo da estação espacial chinesa retornaram à Terra na sexta-feira, totalizando cerca de 46,67 quilos, informou o Centro de Tecnologia e Engenharia para Utilização Espacial (CSU) da Academia Chinesa de Ciências. Esta foi a nona transferência de materiais desde que o laboratório orbital entrou em operação.
A cápsula de retorno Shenzhou-21 trouxe experimentos nas áreas de ciências da vida, ciência dos materiais e pesquisa de combustão. Logo após o pouso, os camundongos utilizados nos testes de biologia espacial passaram por processamento imediato em campo. Pesquisadores analisarão comportamento, indicadores fisiológicos e parâmetros bioquímicos para entender respostas ao estresse e mecanismos de adaptação à microgravidade, informações essenciais para estudos sobre saúde humana em ambientes espaciais.
Outros materiais biológicos, como peixe-zebra, musgos, estreptomices, planárias e organoides cerebrais, além de amostras de materiais e de combustão, foram enviados ao CSU em Beijing para verificação inicial e posterior distribuição às equipes científicas. O restante das amostras virá com a cápsula Shenzhou-21.
Nas próximas etapas, os cientistas farão sequenciamento de transcriptoma para investigar mudanças celulares causadas pela microgravidade e identificar mecanismos biológicos que podem orientar futuras estratégias de prevenção e tratamento de doenças.
No campo dos materiais, as equipes estudarão ligas de tungstênio-háfnio, materiais magnéticos macios e cristais ferroelétricos relaxores. As análises avaliarão microestrutura, composição química e desempenho, ajudando a esclarecer como a ausência de gravidade influencia crescimento cristalino, defeitos e propriedades finais, conhecimento útil para novas tecnologias em satélites, fibras ópticas resistentes à radiação e materiais para a exploração lunar.
As amostras de combustão, como queimadores, placas de fuligem e tampas, também passarão por análises detalhadas. Os resultados poderão impulsionar avanços em síntese de nanomateriais por chama no espaço, novos sistemas de energia, segurança contra incêndios em órbita e produção de nanocarbono funcional.

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