Por Zhang Xinyang
O Distrito Autônomo Cazaque de Barkol na cidade de Hami, no sopé das montanhas Tianshan, nordeste de Xinjiang, é um importante porto comercial de fronteira entre Xinjiang e a Mongólia. Hoje, ele acrescentou mais um motivo de orgulho a Xinjiang, ao preencher uma antiga lacuna nos recursos da região: é agora também o berço da Nova Porcelana de Xinjiang, fruto da fusão das características de dois mundos –o artesanato das Planícies Centrais e a estética da Região Ocidental, abrindo uma nova janela para que o mundo possa entender Xinjiang.
As Planícies Centrais, compreendendo principalmente o curso inferior e médio do rio Amarelo, são consideradas o berço da civilização chinesa e historicamente constituem o centro das atividades culturais e econômicas do país. Na China antiga, Xinjiang era conhecida como Região Ocidental, por sua localização a oeste das Planícies Centrais.
Essa nova etapa remonta ao outono de 2023, quando funcionários de Pingdingshan, Província de Henan, no centro da China, sediados em Xinjiang para a realização de um programa de assistência, propuseram o projeto de introduzir a fabricação de porcelana em Xinjiang. Embora Xinjiang tenha ricas reservas de argila de porcelana, nunca havia produzido porcelana de alta temperatura. O plano, portanto, era integrar as técnicas das Planícies Centrais à argila de Xinjiang.
Reunidas no programa de assistência de Xinjiang, várias províncias e municípios diretamente sob a administração do Governo Central são parceiros das prefeituras de Xinjiang para ajudar a impulsionar o desenvolvimento na região.
A cerâmica da missão
A Universidade Pingdingshan em Henan liderou essa missão cultural. Mei Guojian, reitora da Escola de Cerâmica da instituição, mobilizou mais de 180 membros do corpo docente e alunos para pesquisar as diversas tradições de porcelana e os tipos de argila de Xinjiang. Vinte e seis empresas aderiram a esse esforço inter-regional e, após dezenas de pesquisas de campo, finalmente criaram mais de mil itens de porcelana, cristalizando a cultura multiétnica de Xinjiang e preenchendo essa lacuna da cerâmica.
De acordo com Mei, para fazer a Nova Porcelana de Xinjiang, foram usados argila e esmaltes de origem local, queimados a 1.250-1.300 0C. “Esse avanço não só permitiu que Xinjiang tivesse seu próprio serviço de mesa de cerâmica, como deu os usuários a oportunidade de experimentar a herança cultural chinesa, promovendo a identidade cultural”, disse Mei.
De acordo com Qi Zhe, reitor da Escola de Artes e Ofícios da Academia de Belas Artes de Guangzhou, o valor da Nova Porcelana de Xinjiang não está apenas na inovação técnica, mas em prover uma expressão artística contemporânea à diversidade cultural da região: “As texturas naturais de seus esmaltes e os símbolos culturais de suas formas não são meros elementos decorativos –representam uma integração criativa entre elementos da tradição e da modernidade. Essa fusão transforma a cerâmica em uma ‘linguagem’ intercultural, oferecendo um veículo dinâmico para o enriquecimento cultural em Xinjiang”.
Magnífica Xinjiang
O Concurso de Design de Arte Cerâmica da China é um evento líder em artes cerâmicas. Este ano, em sua oitava edição, foi escolhido “Magnífica Xinjiang” como tema criativo e elemento central de design. O objetivo era enfatizar novas perspectivas, conceitos inova- dores e criatividade, e ao mesmo tempo destacar o intercâmbio cultural, o aprendizado mútuo entre civilizações e a unidade étnica.
O evento despertou muito interesse e atenção, e teve a participação entusiástica de estudantes e professores de universidades nacionais e internacionais, de profissionais de cerâmica de instituições de pesquisa e empresas, bem como de designers de várias disciplinas. O concurso recebeu mais de 3 mil obras de arte e design em cerâmica de várias partes do mundo. Foi criada para esta edição uma seção dedicada à Nova Porcelana de Xinjiang. A competição mostrou a herança cultural, as tradições étnicas, as pai- sagens naturais e os produtos característicos da “Magnífica Xinjiang”.
A cerimônia de premiação foi realizada em Hami em agosto, com patrocínio conjunto do Governo Popular Municipal de Hami, da Associação de Cerâmica de Construção e Louça Sanitária da China e de outras organizações.

O trabalho de cerâmica Retrato do Senhor Zuo ganhou o Prêmio de Ouro de Design de Nova Porcelana de Xinjiang. A estatueta retrata Zuo Zongtang, funcionário da dinastia Qing (1616-1911) conhecido por seu feito heroico de recuperar e desenvolver Xinjiang. Zuo segura uma espada embainhada que transmite digni- dade e solenidade, enquanto os pergaminhos acadêmicos atrás dele simbolizam a sabedoria estratégica. Foi criado por Fan Suizhou, reconhecido como herdeiro da louça Ru, um tipo de cerâmica altamente valorizado e extremamente raro feito em Henan para a corte imperial na dinastia Song do Norte (960-1127). A estatueta foi feita em Barkol.
Chen Hanqing, professor da Escola de Arte e Design da Universidade de Tecnologia de Wuhan, destacou que a Nova Porcelana de Xinjiang não apenas herda os pontos fortes tradicionais da cerâmica, mas integra os setores locais e as culturas étnicas de Xinjiang. “Seus designs de esmalte incorporam elementos naturais como o carmesim dos vulcões e o amarelo dourado do deserto de Gobi, enquanto as formas traduzem símbolos culturais. Tudo isso demonstra vividamente o desenvolvimento integrado de todos os grupos étnicos”, disse Chen.
Vínculos compartilhados
O comitê organizador da competição presenteou o Governo Popular Municipal de Hami com uma obra de arte em placa de porcelana, intitulada Mapa na Dinastia Qing. Criada em conjunto por uma equipe da Universidade de Zhejiang liderada pelo professor Zhou Shaohua e por Lin Tieng-jen, pesquisador do Museu do Palácio em Taipei, é a réplica de um mapa antigo da coleção do museu, realizada com técnicas contemporâneas de confecção de placas de porcelana. A obra, além de reviver o legado histórico de Hami, é também um testemunho dos laços culturais compartilhados através do estreito de Taiwan.
“Hami usará o design de cerâmica para promo- ver a herança e a inovação da excelente cultura tradicional da China”, disse o vice-prefeito de Hami, Hu Dongming, na cerimônia de premiação. “Vamos promover ainda mais a integração da arte cerâmica com as características culturais locais para facilitar o aprendizado mútuo entre todos os grupos étnicos, em favor dos objetivos abrangentes de Xinjiang de estabilidade social e prosperidade de longo prazo.”
Em um fórum sobre inovação no setor de cerâmica e seu desenvolvimento, realizado em 1º de agosto, Ma Xianghui, um funcionário de Pingdingshan atualmente trabalhando em Barkol, disse que Barkol criou sua indústria cerâmica a partir do zero, apoiado em seus recursos de argila de porcelana e nos programas de assistência de Henan.
Cao Shenglong, representante do Grupo Cerâmico White Rabbit em Zhuhai, Província de Guangdong, afirmou que sua empresa está com- prometida em desenvolver a argila de porcelana de Barkol. “Embora lidando primeiramente com a demanda local de Xinjiang, queremos aos poucos expandir a atuação para a Ásia Central, Oriente Médio e mercados vizinhos”, disse Cao.
Li Yafang, editora-chefe associada do Grupo de Comunicações Internacionais da China, explicou como a Nova Porcelana de Xinjiang, um veículo único de suporte à cultura de Xinjiang, oferece vantagens únicas para a comunicação internacional. “Suas histórias sobre Xinjiang e a China – expressas por meio da argila –combinam o caráter regional com o espírito comunitário. Através dos canais de comunicação globais, o mundo terá condições de perceber a vitalidade cultural e o progresso de Xinjiang por meio dessas obras de cerâmica, tornando a Nova Porcelana de Xinjiang uma nova ponte cultural entre a China e o mundo”, disse ela.
Este texto foi publicado originalmente na revista China Hoje. Clique aqui, inscreva-se na nossa comunidade, receba gratuitamente uma assinatura digital e tenha acesso ao conteúdo completo.

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