Veículo explorador chinês faz descoberta importante no lado oculto da Lua

Os especialistas disseram que o Yutu-2 encontrou no solo lunar olivina e piroxena provindas do manto do satélite natural

O veículo explorador chinês Yutu-2, o primeiro veículo a explorar o lado escuro da Lua, descobriu materiais na profundeza do satélite natural que podem ajudar a desvendar o mistério sobre a composição do manto lunar e a formação e evolução da Lua e da Terra. Sendo a primeira descoberta científica importante da Chang’e-4 desde que fez o primeiro pouso suave no lado oculto da Lua, ela teve o seu resultado publicado online no periódico acadêmico Nature.

Com os dados obtidos pelo espectrômetro infravermelho instalado no Yutu-2, uma equipe de pesquisa liderada por Li Chunlai, dos Observatórios Astronômicos Nacionais da China, que são subordinados à Academia Chinesa de Ciências, descobriu que o solo lunar na área de pouso da sonda Chang’e-4 contém olivina e piroxena, que vêm do manto lunar, bem no fundo da Lua.

A Lua consiste em um núcleo, um manto e uma crosta, assim como a Terra. Com a evolução do magma lunar, o plagioclásio leve subiu para a camada superior para formar a crosta lunar, enquanto a olivina e a piroxena, mais pesadas, afundaram para se tornar manto lunar, explicou Li. “A crosta lunar é muito espessa, e não houve nenhuma atividade vulcânica nem movimento de placa na Lua durante bilhões de anos, por isso é difícil encontrar materiais do manto lunar na superfície”.

A composição do manto lunar tem sido tópico de teoria há muito tempo. Nem as amostras lunares extraídas pelas missões dos EUA e URSS e nem as sondas de sensoriamento remoto orbitando a Lua forneceram provas diretas sobre a composição precisa do manto lunar.

Os cientistas chineses se concentraram em uma área especial no lado escuro da Lua – a Bacia do Polo Sul-Aitken (SPA) – que foi formada por uma colisão celestial há mais de 4 bilhões de anos. Com um diâmetro de 2,5 mil km e uma profundidade de cerca de 13 km, a bacia é a mais antiga e a maior cratera de impacto na Lua. “Os dados, diferentemente dos obtidos pelo Yutu no lado próximo da Lua, deram-nos uma surpresa agradável”, disse Li.

Li ressaltou que análise mostrou que o solo lunar na área de pouso contém uma quantidade grande de olivina e piroxena de baixo cálcio e pequena de piroxena de alto cálcio, que muito provavelmente vêm do manto lunar. Depois de analisar as imagens de sensoriamento remoto de alta resolução e os dados hiperespectrais, os pesquisadores acreditaram que os materiais foram lançados desde uma cratera de 72 km de largura, chamada Finsen e localizada ao nordeste da Cratera de Von Karman.

O líder da equipe explicou que, depois que a Bacia SPA foi formada, mais asteroides pequenos caíram na área, criando mais crateras pequenas. A colisão que criou a Cratera de Finsen pode ter sido tão violenta que os materiais foram jogados na Cratera de Von Karman.

Quando os cientistas estavam selecionando o local de pouso para a Chang’e-4, as áreas planas receberam prioridade. Apesar disso, a maior parte dessas áreas na Lua é de basalto formado com a solidificação do magma. Foi sorte que a Chang’e-4 tenha pousado em uma região onde o basalto é coberto por escombros do manto lunar.

“Além disso, o veículo explorador está se aproximando da fronteira da área de ejeção. Segundo nosso cálculo, poderia chegar à área de basalto com mais ou menos 2 km. Quando ele estiver lá, podemos comparar a composição de diferentes solos lunares”, disse Li. Se a futura sonda Chang’e-6 puder ir para aquela área, ela não só traria de volta a primeira amostra do lado escuro da Lua, como também teria a chance de coletar amostras que vêm do interior da Lua.

“A maior parte da evolução da Lua aconteceu cerca de 3 bilhões de anos atrás, enquanto a história inicial da Terra há 3 bilhões de anos foi apagada por atividades geológicas. A Lua é como um fóssil que dá um vislumbre sobre a história inicial da Terra”, acrescentou.

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