Uma ponte de progresso vence a antiga barreira

A economia de Bangladesh ganha novo caminho com a Ponte Padma, que se torna realidade graças a Iniciativa Cinturão e Rota

Colocação da primeira treliça da Ponte Padma: com 6 km de extensão, ela terá uma rodovia de quatro pistas e uma linha ferroviária

Graças à Iniciativa Cinturão e Rota, um sonho dos habitantes de Bangladesh está prestes a se tornar realidade: a Ponte Padma, que atravessa o rio de mesmo nome, irá ligar 21 distritos do sul do país à capital Dacca, integrando assim as redes ferroviárias norte e sul do país. E, mais do que isso, irá proporcionar substancial melhora à ligação terrestre com a China e Mianmar. Esse feito de engenharia irá também impulsionar o comércio e o intercâmbio econômico entre a Índia e Bangladesh, e levará a um novo estágio a construção do Corredor Econômico Bangladesh-China-Índia-Mianmar.

Proposta do presidente chinês Xi Jinping em 2013, a Iniciativa Cinturão e Rota enfatiza a coordenação de políticas, a conectividade de instalações, o comércio desimpedido, a integração financeira e os laços pessoa a pessoa. Sem dúvida, a Ponte Padma é um bom exemplo de como melhorar a conectividade das instalações entre os países ao longo do Cinturão e Rota. Impulsionada por todas as partes envolvidas, a Iniciativa vem obtendo bons resultados cooperativos, e tornou-se uma plataforma internacional aberta e inclusiva, um bem público global de grande aceitação.

Longa espera pela ponte

“O rio Padma é tão importante para a população de Bangladesh quanto o Yang-tsé é para os chineses”, disse Liu Ziming, delegado da Assembleia Popular Nacional (APN) e presidente do China Railway Major Bridge Engineering Group (MBEC), em entrevista a China Hoje. Considerado água da vida em Bangladesh, o caudaloso rio, no entanto, sempre representou uma formidável barreira para a integração das regiões norte e sul do país. Num dos países de maior densidade populacional do mundo, a travessia do Padma é feita por barcos, que ficam lotados de passageiros, muitos deles viajando no teto, relata Liu Ziming. Mesmo chegando ao cais bem cedo de manhã, gasta-se um dia inteiro para cruzar o rio.

Apesar do crescente clamor público por uma ponte sobre o rio, uma série de dificuldades tecnológicas, de capital e de estabilidade política impediram que ela se tornasse uma realidade até que em 2014 o MBEC venceu a concorrência para a construção da tão desejada ponte. A escolha da companhia deveu-se em grande parte à sua anterior cooperação com Bangladesh. Em 2004, o grupo chinês foi escolhido para construir a maior ponte do país à época, a Ponte Paksey, e graças à conclusão incrivelmente rápida do projeto e à alta qualidade da construção, a companha recebeu a encomenda de outras seis pontes de pequeno porte no país. Esses projetos firmaram a boa reputação da companhia em Bangladesh. Aos olhos de Khandker Anwarul Islam, diretor executivo da Autoridade de Pontes de Bangladesh, o MBEC é uma companhia competitiva.

A ponte de treliça em aço em dois níveis irá suportar uma rodovia de quatro pistas no nível superior e uma linha ferroviária no nível inferior, com extensão total de 6.150 metros e largura de 21,5 metros. As complexas condições geológicas fazem dela o projeto de construção mais difícil do mundo em comparação com outras pontes desse tipo.

Um design único e exigências ainda mais rigorosas de construção desafiaram o grupo chinês a superar sua performance em tecnologia, comunicações e adaptabilidade e renderam ao MBEC boa reputação.

Com a sua construção e interligação ferroviária, a Ponte Padma irá tornar-se um importante elo da Ferrovia Transasiática, e um projeto relevante dentro da Iniciativa Cinturão e Rota.

Uma família local observa a construção da ponte que irá mudar suas vidas

Sinceridade nas relações

Numa coletiva de imprensa em março passado, durante a sessão anual da APN, Wang Yi, ministro do exterior chinês, afirmou que “a Iniciativa Cinturão e Rota é transparente e segue as regras áureas da consulta extensiva, contribuição conjunta e benefícios compartilhados”. Acrescentou, em seguida, que a cooperação dentro da Iniciativa tem como meta ser levada adiante em pé de igualdade, além de ser inclusiva e universalmente benéfica. Wang Yi prosseguiu dizendo que “o planejamento e a implantação dos projetos da Iniciativa são discutidos pelos participantes às claras. Nenhum país domina o processo. Todas as partes têm voz igual. Não há negócios nos bastidores. Tudo é transparente. Não há um vencedor que leve tudo. Todos os projetos buscam resultados no esquema ganha-ganha”.

Durante sua estada em Bangladesh, trabalhadores e engenheiros chineses tveram relações próximas com o povo e o governo locais, o que aprofundou ligações emocionais e levou à formação de fortes vínculos pessoais entre os dois países.

No canteiro de obras da Ponte Padma, boa parte do trabalho foi feita por trabalhadores locais. Muitos deles, acompanhando a companhia chinesa, têm participado da construção de várias pontes. Agora, como velhos amigos dos chineses, tornaram-se competentes no campo da construção de pontes.

Segundo Liu Ziming, cerca de 400 técnicos chineses e mais de 2 mil trabalhadores de Bangladesh foram contratados para o projeto da Ponte Padma. Aos 27 anos de idade, o diretor administrativo Shohel Rana trabalha no MBEC há cinco anos, e passou de jovem recém-formado sem experiência em engenharia civil a um veterano capaz agora de realizar de modo independente testes de engenharia. Ele diz que Yang Pinxiang, seu mentor chinês, ensinou-lhe muita coisa. A Ponte Padma é o segundo projeto do qual ele participa com Yang e a experiência com esse projeto irá enriquecer seu currículo, de modo a oferecer-lhe melhores perspectivas futuras de emprego.

Abdul Malek é muçulmano e reza nas horas prescritas todos os dias. Ele tem experiência em testes de engenharia, e foi recomendado por seus ex-empregadores para participar do projeto da Ponte Padma. No início, não estava seguro se iria se adaptar bem a uma empresa chinesa. Mas logo descobriu que a MBEC tinha tecnologia avançada e que o empregador chinês é flexível a ponto de permitir-lhe cumprir suas obrigações de rezar. “Sinto-me abençoado por participar da construção dessa ponte dos sonhos”, disse ele.

A expectativa é que a Ponte Padma beneficie os habitantes locais e promova a cooperação e a comunicação regional. Desde o início da Iniciativa Cinturão e Rota, foram lançados ou concluídos vários projetos com o mesmo objetivo, como as ferrovias Mombasa-Nairóbi, Hungria-Sérvia, China-Laos, China-Tailândia, a Rodovia Expressa Jacarta-Bandung, a segunda linha do oleoduto China-Rússia, o Parque Industrial China-Bielorrúsia e a Zona Industrial Rayong Cinha-Tailândia. Até o momento mais de 140 países têm participado ou reagido positivamente à Iniciativa Cinturão e Rota, e 86 países e organizações internacionais assinaram 101 acordos de cooperação com a China sob a Iniciativa. O trem expresso de carga China-Europa já realizou um total de 6.637 viagens, 3.673 delas no último ano.

Durante as Duas Sessões em 2018, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China lançou o Relatório sobre a Implementação do Plano para o Desenvolvimento Econômico e Social de 2018, em que afirma que, ao dar prioridade à Iniciativa Cinturão e Rota, a China assistiu a um desenvolvimento estável e saudável de um novo sistema para uma economia aberta. Serão feitos esforços para melhorar a qualidade do investimento estrangeiro na China e do investimento chinês no exterior, e para abrir ainda mais a China ao mundo.

Despertando potenciais

Espera-se que a Iniciativa Cinturão e Rota ajude as pessoas nos países ao longo do caminho a realizarem seus sonhos de prosperidade e desenvolvimento. A revista The Economist comentou recentemente que quase todos os países relevantes querem participar da Iniciativa.

Diplomatas estrangeiros entrevistados por China Hoje durante a primeira sessão da 13ª APN em março passado, em Pequim, foram unânimes em expressar interesse do desenvolvimento inclusivo que beneficie a todos e na cooperação aberta e pragmática que a China está buscando. Mumtaz Zahra Baloh, ministro e vice-diretor da missão da Embaixada do Paquistão em Pequim, disse que o Corredor Econômico China-Paquistão que está em construção desempenha importante papel no estímulo à conectividade entre os dois países. Ele começa na China em Kashgar, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, e se estende até o porto de Gwadar, no Paquistão, cobrindo vasta rede de estradas, ferrovias, oleodutos e gasodutos, e cabos de fibra óptica. Leela Mani Paudyal, embaixador do Nepal na China, destacou que o crescimento econômico inclusivo e uma política aberta são importantes tanto para a China quanto para o mundo.

Em março passado, o ministro do Comércio Zhong Shan afirmou numa coletiva de imprensa dentro das atividades da primeira sessão da 13ª APN em Pequim que o volume de importação e exportação entre a China e os países integrantes da Iniciativa Cinturão e Rota chegou a US$ 1,1 trilhão em 2017. Até agora, foram estabelecidas 75 zonas de cooperação econômica e comercial em países importantes, com investimento total de mais de US$ 27 bilhões.

A Iniciativa Cinturão e Rota é inclusiva e se alinha com diferentes estratégias de desenvolvimento como a União Econômica Eurasiana da Rússia, a iniciativa de passagem para o pasto da Mongólia, a Iniciativa “Estrada Luminosa” do Cazaquistão, e o Plano Juncker da União Europeia. Hoje, países e regiões diferentes mostram-se cada vez mais interdependentes, formando uma comunidade de interesses compartilhados, e com isso apenas os esforços conjuntos podem estimular o desenvolvimento econômico global. À medida que a Iniciativa Cinturão e Rota ganhar popularidade, irá com certeza injetar novo ímpeto à globalização.

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