Restauração da Grande Muralha, um diálogo com a história

Veja como uma equipe de reparação da Grande Muralha parece conversar com os seus construtores antigos

Espremido em um espaço bem apertado, Yang Long usa uma ferramenta especial para tapar um buraco de um muro caindo aos pedaços. Não é um muro comum, mas uma parte da Grande Muralha, na Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, no noroeste da China. Liderando uma equipe de restauração, o homem de 40 anos dedicará cerca de um ano ao reparo de um trecho de 800 metros da Grande Muralha da Dinastia Ming (1368-1644).

A Grande Muralha, que é conhecida como o maior e mais brilhante sistema de defesa da história da China, foi construída em todo o país durante diversas dinastias para proteger seu território e resistir à invasão de vários grupos nômades. Apesar disso, poucas pessoas sabem que, além da famosa Grande Muralha em Pequim, Ningxia é também um local com muitas ruínas da Grande Muralha e, por isso, é considerado como o “Museu da Grande Muralha”.

“Nos tempos antigos, Ningxia estava na fronteira entre a civilização nômade e civilização agrícola. Para resistir à invasão dos povos nômades do norte, os regimes das Planícies Centrais construíram a Grande Muralha em Ningxia por diversas vezes”, disse Zhou Xinghua, famoso pesquisador sobre a Grande Muralha e ex-curador do Museu de Ningxia.

Pesquisas mostram que há 1.507 km da Grande Muralha em Ningxia, dos quais 506 km permanecem até hoje. As muralhas existentes foram construídas principalmente no Período dos Reinos Combatentes (475 a.C.-221 a.C.), Dinastia Qin (221 a.C.-206 a.C.), Dinastia Sui (581-618) e a Dinastia Ming.

Diferente da Grande Muralha de Pequim, os construtores de Ningxia usavam a taipa para construir a muralha. A Grande Muralha em Ningxia foi severamente danificada devido ao impacto do clima e das atividades humanas nas últimas centenas de anos. Felizmente, a região fortaleceu os esforços para reparar e manter o patrimônio da Grande Muralha nos últimos anos.

Para restaurar a antiga muralha sem alterar seu estado original, Yang e sua equipe realizaram numerosos testes na estrutura, materiais e camadas da muralha, e finalmente encontraram o melhor método de restauração. “Fizemos 65 experimentos em nove meses e assim encontramos a melhor fórmula de materiais de construção e métodos de construção”, disse Yu Xia, técnico responsável pelo projeto de manutenção da Grande Muralha.

“Eu realmente admiro a sabedoria dos chineses antigos”, disse Yu, que ainda ressaltou que as pessoas no passado socaram a terra muitas vezes e adicionaram cascalho e graxa amarga para reforçar o muro. “Todo o processo parece comunicar-se através do tempo e do espaço com os construtores antigos da Grande Muralha”.

Para simular perfeitamente o processo de construção da antiga Grande Muralha, a equipe de construção foi proibida de usar grandes máquinas, produtos químicos e aditivos modernos ​​durante a restauração. Yang e os trabalhadores só podem usar martelos de ferro ou de madeira, e devem encher os buracos na parede com a mão.

Yang, que anteriormente restaurou os templos antigos, afirmou que sentiu pressão ao restaurar a muralha no início. “Eu estava totalmente exausto mexendo com a terra dia após dia, de novo e de novo.” No entanto, a restauração das torres e fortalezas é ainda mais difícil. Os trabalhadores precisam fazer moldes, tampar buracos e preservar as estruturas. Preencher um buraco na parede de uma torre exige três pessoas por um dia inteiro, e restaurar um lado de uma torre exige 50 trabalhadores e meio ano.


Fonte: Xinhua

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