Receber as importações com tapete vermelho

A China demonstra na prática suas convicções a respeito do livre comércio e do multilateralismo

“Após 40 anos de reforma e abertura, a China precisa incrementar seu comércio exterior, em especial as importações. A Exposição Internacional De Importados da China (CIIE, na sigla em inglês) será uma oportunidade de ouro para parceiros que queiram expandir o comércio e promover produtos e know-how na China”, disse Qu Xing, embaixador chinês na Bélgica e membro do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh).

A CIIE, saudada como uma oportunidade de ouro por Qu, é uma exportação internacional promovida pela China com participação de várias organizações internacionais e países. A primeira CIIE será em Xangai, no mês de novembro.

O ministro chinês do Comércio, Zhong Shan, discursa parra os presentes à Cerimônia de Contagem Regressiva de Um Ano para a China International Import Expo, em 15 de novembro de 2017

Por que sediar a CIIE?

Em maio de 2017, no Fórum Cinturão e Rota para Cooperação Internacional, o presidente Xi Jinping anunciou o plano da China sediar a CIIE em 2018, como um movimento em direção a um patamar mais elevado de abertura. “Aumentar as importações e desempenhar o papel de anfitrião da primeira CIIE” foi incluído no Relatório de Trabalho do Governo de 2018.

Por que a China escolheu realizar essa exposição em meio ao crescimento do protecionismo, aos reveses da globalização, e às defecções do sistema multilateral de comércio? Essa pergunta foi respondida pelo ministro do Comércio Zhong Shan este ano, na coletiva de imprensa das sessões da Assembleia Popular Nacional (APN) e da CCPPCh). “Sediar a CIIE é um grande passo para a China se abrir ainda mais ao mercado global e uma ação concreta em defesa da globalização e do livre comércio; mostra a resolução, a responsabilidade, e a confiança da China em perseguir a abertura nessa nova era.”

Zhong, que acredita que a exposição é uma solução chinesa para construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade, usou uma metáfora para descrever a natureza da exposição: “Não se trata da China como solista, mas de um coral de todos os países participantes”. O evento atende às metas de desenvolvimento da China, e ao mesmo tempo constrói uma plataforma para promover o comércio global, uma economia aberta e uma comunidade com um futuro compartilhado.

Por um lado, ela encoraja outros países a partilharem os benefícios do desenvolvimento da China. Ao expandir a importações, a China permite que outras nações peguem carona no seu rápido desenvolvimento. Ela oferece aos países em desenvolvimento um mercado para suas exportações e oportunidades de crescimento e emprego. Por outro lado, ela os ajuda a participar da globalização. A exposição oferecerá o necessário apoio a LDCs (least developed countries ou “países menos desenvolvidos”), envolvendo-os na cadeia de valor global, para que possam se beneficiar e contribuir para a comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.

Segundo o embaixador chinês no México Qiu Xiaoqi, membro do Comitê Nacional da CCPPCh: “A exposição é uma boa notícia para o globo, porque a China estendeu um convite de colaboração ao resto do mundo, uma oportunidade que outras nações não deveriam perder”.

“A China foi inicialmente pressionada a se abrir para o mundo, mas agora aspira se abrir para se ajustar de maneira mais proativa às situações internacionais e domésticas. Por um lado, o desenvolvimento doméstico e a transformação estrutural requerem maior abertura. Por outro lado, muitos países esperam compartilhar os dividendos do desenvolvimento e as abundantes oportunidades na China, criadas por seu rápido crescimento nas últimas décadas”, disse Bai Ming, vice-diretor do Escritório de Marketing Internacional da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica (CAITEC), do Ministério do Comércio.

Para Xu Hongcai, vice-economista chefe do Centro Chinês para Intercâmbios Econômicos Internacionais, realizar a CIIE indica QUE A China, que passou de um foco na exportação para atribuir igual importância tanto às exportações quanto às importações, irá dar maior atenção ao equilíbrio comercial.

Igualdade de oportunidades

Os países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota com diferentes estruturas industriais e respectivas economias desfrutam de um imenso potencial no comércio. O governo chinês tem se comprometido a remover barreiras comerciais, construindo plataformas, adotando políticas pró-importação, expandindo as importações de países parceiros do Cinturão e Rota, e otimizando a estrutura de comércio. Estatísticas da Administração Geral das Alfândegas mostram que o comércio da China com países parceiros da Iniciativa em 2017 chegou ao assombroso valor de 7,37 trilhões de yuans, dos quais 4,3 trilhões foram exportações e 3,07 trilhões, importações. Com um aumento em relação ao ano passado de 17,8%, ele responde por 26,5% do comércio exterior total da China.

A Feira de Yiwu de Produtos Importados de 2017 atraiu produtores de vinho espanhóis

Zhong Shan disse que nos próximos cinco anos a China deverá importar bens no valor de US$ 2 trilhões dos países do Cinturão e Rota. A CIIE não só irá permitir o acesso de produtos estrangeiros ao mercado chinês, mas também oferecerá uma plataforma internacional para o comércio de commodities de diferentes países. Em particular, servirá como uma plataforma nova e mais ampla para os países da Iniciativa e suas empresas cooperarem com o comércio e investimento, e integrarem os bens e serviços comerciais.

Ao final de fevereiro de 2018, mais de mil companhias de mais de 120 países e regiões inscreveram-se para participar da exposição. Entre as companhias que irão participar, 100 estão na lista da Fortune 500 ou são líderes do setor, mais de 500 são de países da Iniciativa Cinturão e Rota e mais de 140 são de 22 países menos desenvolvidos. Entre outros produtos, serão expostos robôs industriais, fábricas digitais, veículos não tripulados, vestuário e adereços, bens de consumo diário e alimentos e produtos agrícolas. A exposição irá mostrar tanto indústrias tradicionalmente competitivas que estão bem estabelecidas em seus países de origem como produtos e serviços em ascensão, que acabaram de ter algum destaque nos últimos anos. Estima-se o comparecimento de cerca de 150 mil chineses e compradores internacionais.

A exposição irá dar a necessária assistência aos participantes de países menos desenvolvidos. Entre outras coisas, será oferecido a eles um desconto nas taxas dos estandes e dois estandes padrão gratuitos.

Maiores oportunidades

Desde o início da reforma e abertura, o comércio exterior da China tem se expandido continuamente e dado alguns saltos, contribuindo de modo significativo para a abertura do país e seu desenvolvimento econômico e social.

À medida que sua economia faz avanços e melhora tanto em qualidade quanto em eficiência, a China oferece ao mundo produtos de melhor qualidade. Em 2017, o volume chinês de importação e exportação de commodities aumentou 14,2%, valor mais alto em seis anos. A China tornou-se a nação com maior comércio de bens do mundo. Ao mesmo tempo, a qualidade de seu comércio exterior desenvolveu-se com rapidez surpreendente, como mostra a crescente porcentagem de produtos high-tech, de alta qualidade e alto valor agregado de suas exportações e sua crescente participação no mercado – produtos high-tech respondem por cerca de 30% das exportações totais da China.

O Ministro Zhong Shan destacou que têm surgido muitas empresas inovadoras na China. Com competitividade internacional cada vez maior, elas têm se tornado novos motores para o comércio exterior da China. Além disso, o comércio chinês pela internet além-fronteiras é o maior do mundo em porte, acessível à maioria dos países ao redor do mundo e bem recebido pelos consumidores locais. A força impulsionadora do comércio exterior da China está mudando.

Ao mesmo tempo, o imenso mercado chinês continua sendo um destino para bens globais. O consumo doméstico, que contribuiu com mais de 65% do PIB chinês no ano passado, é agora um dos pilares da economia chinesa. A China, como país mais populoso do mundo, segunda maior economia do mundo e também segundo colocado tanto em importações quanto em consumo, entrou em novo estágio de consumo, sempre em expansão, o que destaca que há grande espaço para o crescimento das importações.

Numa coletiva de imprensa em novembro de 2017, Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio, anunciou que a China espera importar bens e serviços no valor de mais de US$ 10 trilhões ao longo dos próximos cinco anos. Afirmou que a CIIE objetiva partilhar o imenso mercado chinês com outros países, expandindo importações e promovendo maior abertura para o exterior.

Em janeiro de 2018, quando o ministro do Exterior Wang Yi discursou no Fórum de Cooperação Econômica e Comercial China-CELAC, fez menção específica à CIIE e expressou a disposição da China de “abrir seu mercado e compartilhar suas oportunidades de desenvolvimento com outros países”.

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