Procura de raios cósmicos por cientistas chineses abre janelas para o universo

Uma estação de observação de raios cósmicos está sendo construída na província chinesa de Sichuan, o que ajudará cientistas a estudarem os mundos macro e micro do universo

Cientistas chineses estão construindo uma estação de observação de raios cósmicos em uma área equivalente a 200 campos de futebol no descampado de Daocheng, província de Sichuan, 4.400 m acima do nível do mar.  Foram detonadas rochas enormes deixadas da Era do Gelo. Diferentes detectores estão sendo instalados para formar uma enorme “rede” para capturar as partículas geradas pelos raios cósmicos na atmosfera, para ajudar os cientistas a estudarem os mundos micro e macro do universo.

Para coletar fótons de alta energia gerados por corpos celestes remotos serão utilizadas três piscinas subterrâneas enormes (mais do que o triplo do Cubo D’Água – Centro Aquático Nacional) em Pequim, mantendo detectores. Ao lado das piscinas, 12 telescópios serão montados para realizar medições de alta precisão dos raios cósmicos com a mais alta energia.

A construção da primeira metade da estação de observação, conhecida como Grande Observatório de Jato de Ar de Alta Altitude (LHAASO, em inglês), deve ser terminada no final deste ano e todo o projeto será concluído no final de 2020, pelo que diz Cao Zhen, cientista chefe do LHAASO e pesquisador do Instituto de Física de Alta Energia (IHEP, em inglês) da Academia Chinesa de Ciências.

O principal objetivo do observatório é procurar a origem dos raios cósmicos e estudar seus mecanismos de aceleração e transmissão, aponta Cao. Na segunda enorme piscina do LHAASO, a 5 m abaixo do solo, foram instalados detectores de água Cherenkov que serão submersos em 100 mil ton da água mais pura do mundo para formar uma matriz.

“A água vem de lagos e rios próximos e passou por uma purificação rigorosa. Somente água pura e transparente pode fazer com que os detectores captem claramente os sinais gerados por partículas de alta energia”, ressalta Chen Mingjun, vice-diretor do conjunto de detectores Cherenkov.

Cao Zhen exalta que o projeto LHAASO chama a atenção do mundo. Cientistas da Rússia, Suíça, Polônia, República Tcheca e outros países esperam levar seus equipamentos científicos para o observatório. Equipes de pesquisa da Austrália e Tailândia e de outros países participarão diretamente do projeto. Alguns times internacionais de pesquisa bem conhecidos expressaram o desejo de realizar cooperação e observação conjunta com o LHAASO, ressalta ele. “Depois de concluir o projeto LHAASO, a China deverá liderar o mundo no campo da pesquisa com raios cósmicos”, prevê.

Fonte: Xinhua

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