Pesquisadores descobrem que vírus da Zika pode tratar tumor cerebral

Em estudo conjunto, pesquisadores chineses e estadunidenses criam vacina com vírus da Zika para tratar Glioblastoma

A epidemia de Zika que aconteceu nas Américas gerou uma crise de saúde pública, mas também permitiu que pesquisadores da China e dos EUA descobrissem que uma vacina do vírus da Zika pode inibir o crescimento de um tumor cerebral. A pesquisa, liderada por Quin Chengfeng, da Academia Chinesa de Ciências Médicas Militares, Man Jianghong, do Centro Nacional de Análise Biomédica da China e por Shi Peiyong, da Universidade do Texas, foi publicada no site ScienceNet.cn e pela mBio, revista da Sociedade Americana de Microbiologia.

O Glioblastoma (GBM) é a forma mais comum e maligna do tumor cerebral primário, sendo que o seu tratamento, com cirurgia, radiação e quimioterapia tem um efeito limitado, e a taxa de reaparecimento é de quase 100%. Estudos anteriores a respeito dessa doença descobriram que a célula-tronco do GBM desempenha um papel chave no desenvolvimento e no reaparecimento da doença cerebral fatal.

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Médicas Militares e da Universidade do Texas descobriram que o vírus da Zika pode infectar e matar as células de precursores neurais e as células-tronco. Após isso, eles desenvolveram uma vacina com o vírus da Zika vivo, mas atenuado e modificado geneticamente (ZIKA-LAV) e lançaram a hipótese de que ele também pode matar células-tronco de GBM.

Em estudo feito com ratos, os pesquisadores injetaram o ZIKA-LAV nas cobaias e isso não causou nenhum comportamento anormal ou dano ao cérebro ou outros órgãos, o que indica que a vacina é segura. Além disso, descobriu-se que os tumores dos animais reduziram de tamanho e que as células-tronco de GBM foram infectadas e mortas nos cérebros dos ratos, enquanto as células saudáveis não foram afetadas.

Depois de análise de genes posteriores, os pesquisadores descobriram a maneira como funciona o vírus da Zika: a infecção produziu uma forte resposta antiviral, que provocou a inflamação que matou as células tronco de GBM, sendo que nos experimentos, o vírus também prolongou o tempo de sobrevivência dos ratos. De acordo com os pesquisadores, o estudo oferece um novo tratamento para os tumores cerebrais, e a equipe responsável por ele planeja trabalhar com médicos clínicos para provar a eficácia e segurança da vacina nos pacientes.


Fonte: Xinhua

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