Nova tecnologia aumenta a produtividade de princípio ativo para tratamento da malária

Atualmente a artemisinina é extraída do absinto doce, mas esse processo é lento, consome muita energia e tem baixa produtividade

Pesquisadores desenvolveram uma técnica para promover a artemisinina, o medicamento mais eficiente no tratamento da malária, em grande escala. Com essa técnica, a demanda mundial por artemisinina pode ser suprida, uma vez que atualmente a procura é alta, mas a qualidade e o fornecimento ainda são instáveis.

Há quase cinco décadas, cientistas chineses identificaram a artemisinina no absinto doce, planta que era usada para tratar enfermidades como as febres típicas da malária. Em 2005, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou as Terapias de Combinação Baseada em Artemisinina (ACTs) como o tratamento mais efetivo da malária.

Segundo os pesquisadores do Instituto de Engenharia de Processo (IPE, na sigla em inglês), da Academia Chinesa de Ciências, a artemisinina é difícil e economicamente não viável de ser sintetizada quimicamente devido à estrutura complexa. O método industrial tradicional de produzir o remédio é através do tratamento das folhas de absinto doce com solventes orgânicos, como o éter de petróleo, mas o processo de extração é demorado, consome muita energia e tem baixa produtividade.

Os pesquisadores do IPE propuseram aumentar o contato entre o solvente e as folhas via refluxo para acelerar a extração da artemisinina, o que fez com que o tempo de extração fosse reduzido de sete para quatro horas e meia. Depois de tratar as folhas com os solventes, os pesquisadores otimizaram o processo de evaporação com um evaporador de filme delgado, aparelho que proporciona um processo de evaporação contínua, especialmente para os produtos sensíveis ao calor, para recuperar os solventes.

Quando comparado ao processo tradicional, o tempo necessário para produzir o concentrado de artemisinina nesse novo processo foi reduzido em 87,5%. Por outro lado, a pureza do produto final aumentou para quase 100% e o consumo de energia também diminuiu. A nova tecnologia atingiu uma taxa de recuperação dos solventes de 99,9%, o consumo de energia por tonelada de artemisinina caiu 43% e a pureza do produto foi superior a 99%, pelo que disse Wang Hui, do IPE.

“Essa tecnologia soluciona as principais desvantagens no processo tradicional de produção da artemisinina e pode também fornecer ideias para a produção de outros produtos naturais”, disse Zhang Suojiang, diretor do IPE.

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