Liderança ativa na nova governança global

Há cada vez mais sinais de que os países do BRICS podem liderar mudanças globais

Pessoas visitam o Templo do Céu em Pequim

Créditos: Xinhua/Li Xin

De 22 a 24 de junho, foi realizado na China o 14º Encontro de Líderes do BRICS, acompanhado com grande interesse pela opinião pública internacional. O encontro alcançou consenso em relação a vários pontos, como cooperação multilateral, reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), fortalecimento do intercâmbio interpessoal e cultural, bem como em outras questões. A China continua promovendo a “Iniciativa de Desenvolvimento Global” e a “Iniciativa de Segurança Global”, buscando unir economias emergentes, recuperar a economia global e resolver questões de segurança. Os chefes dos países do BRICS elogiaram a efetividade do mecanismo de cooperação do BRICS, e a possibilidade de “expansão” em futuras cúpulas. Embora os países do BRICS tenham posições divergentes, suas visões sobre a ordem global diferem daquelas assumidas pelo Ocidente. Há cada vez mais sinais de que os países do BRICS estão se tornando uma nova força para liderar mudanças benignas na governança global.

Conquistas marcantes – Podemos elencar quatro avanços desta última cúpula:

1. O processo de expandir a filiação ao BRICS entrou num estágio de substancial avanço e o círculo de amigos do “BRICS Plus” continua aumentando, conferindo nova vitalidade ao mecanismo aberto de cooperação do BRICS. Promover o processo de expansão da filiação ao BRICS é algo que está inscrito na Declaração de Pequim da Cúpula do BRICS. Países em desenvolvimento têm há muito tempo a necessidade de uma nova ordem mundial – estão sempre à procura de novos modos de cooperação, e os países do BRICS oferecem essa oportunidade. Sob o conceito de “BRICS Plus”, a integração regional irá liberar um poderoso “efeito multiplicador”. O BRICS é um importante mecanismo de cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento. Depois que absorver novos membros, a influência internacional e a atratividade do BRICS continuarão crescendo, formando um ciclo virtuoso.

2. Chegou-se à primeira “Estratégia de Cooperação em Segurança Alimentar do BRICS”, e foi criado o “Fórum de Desenvolvimento Agrícola e Rural”, que é uma ação pragmática dos países do BRICS para estabilizar a produção global de alimentos e dar uma contribuição positiva à governança da segurança alimentar global. O total da produção de grãos dos países do BRICS equivale a cerca de um terço do total mundial. Eles estão comprometidos a fortalecer a cooperação agrícola entre eles e promover o desenvolvimento sustentável da agricultura e das áreas rurais nos cinco países, o que lança um sólido alicerce para resolver o problema da segurança alimentar mundial e ajudar a aliviar problemas regionais, especialmente a crise alimentar de alguns países africanos.

3. Houve reforço na “Estratégia para Parceria Econômica Digital” e foi lançada a “Iniciativa de Cooperação para Transformação Digital da Manufatura”, formando um importante consenso sobre o aprofundamento da cooperação econômica digital do BRICS e abrindo um novo processo de cooperação econômica digital. No presente, campos emergentes como a economia digital tornaram-se um importante motor de desenvolvimento da economia global, provendo um ponto de partida importante para mercados emergentes e países em desenvolvimento, incluindo os membros do BRICS, para que tenham um salto de desenvolvimento. A “Estratégia para Parceria Econômica Digital do BRICS” dá apoio ao fortalecimento da cooperação econômica digital entre os países do BRICS e promoverá a transformação industrial e o upgrade dos países-membros.

4. Os países do BRICS devem trabalhar juntos para lidar com a mudança climática, e explorar conjuntamente maneiras de acelerar transições de baixo carbono e de resiliência climática, a fim de alcançar equilíbrio sustentável e uma recuperação e desenvolvimento equilibrados e inclusivos. O multilateralismo é uma maneira importante de abordar desafios globais como a mudança climática. Os países do BRICS conclamam todos os países a aderir ao princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas e com suas respectivas capacidades, levar em conta as diferentes condições nacionais, e, baseados nos consensos existentes – de acordo com os arranjos institucionais nas contribuições determinadas nacionalmente –, aprimorar a confiança mútua, fortalecer a cooperação e obter precisão, equilíbrio e abrangência. É necessário implementar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) e seu Acordo de Paris, e os países em desenvolvimento precisam ser apoiados por meio de implementação para que contribuam com seus melhores esforços.

Novas abordagens para a governança global – Sob o impacto da nova epidemia da Covid-19 na economia mundial, os países ocidentais liderados pelos Estados Unidos implementaram múltiplas rodadas de facilitação monetária quantitativa para salvar a economia. Além disso, a guerra entre Rússia e Ucrânia prossegue, com impacto adicional na cadeia global de suprimento de matérias- primas, e a formação e desdobramento da crise global da “inflação importada” leva a economia de vários países a enfrentar o atoleiro do “crescimento estagnado”; todas essas questões devem ser eliminadas do nível de governança global, para permitir desenvolver soluções conjuntamente. Nesse encontro do BRICS, o presidente chinês Xi Jinping propôs a “Iniciativa de Desenvolvimento Global” e a “Iniciativa de Segurança Global”, que apontaram um claro caminho para manter a paz mundial e aprofundar a reforma da governança global. O “BRICS Plus”, com a economia da China no centro, sem dúvida oferecerá ao mundo uma alternativa ao bloco ocidental.

A iniciativa molda um ambiente internacional que conduz ao desenvolvimento global. Nos últimos anos, a recuperação econômica mundial tem sido difícil, e as questões de desenvolvimento ficaram cada vez mais marginalizadas na agenda internacional. Há perto de 1,2 bilhão de pessoas em cerca de 70 países que enfrentam desafios decorrentes de epidemias, escassez de alimentos e de energia e outros problemas. Talvez as conquistas em redução da pobreza das décadas passadas tenham se esfumado. A principal meta do Centro de Promoção do Desenvolvimento Global é prover uma plataforma de ação e apoio em recursos para permitir a implementação de iniciativas de desenvolvimento global. O lado chinês irá criar uma biblioteca do projeto, com a participação de todos em torno de áreas-chave da Iniciativa de Desenvolvimento Global, e promoverá o Fórum de Ação Compartilhada de Desenvolvimento Global para dar apoio intelectual à cooperação na Iniciativa de Desenvolvimento Global. Para criarmos conjuntamente um padrão de desenvolvimento que traga benefícios inclusivos e equilíbrio, coordenação e inclusividade, cooperação ganha-ganha e prosperidade comum, conclamamos à construção conjunta de um consenso internacional sobre a promoção do desenvolvimento, para criar conjuntamente um ambiente internacional que leve ao desenvolvimento, para cultivarmos juntos um novo impulso para o desenvolvimento global e construirmos juntos uma parceria para esse desenvolvimento, acenando com um caminho claro e definido para que a comunidade internacional coloque foco no desenvolvimento.

No futuro, os países do BRICS terão duas direções principais de cooperação: primeiro, fortalecer e melhorar a governança global. Tendo em vista a injustiça e a insensatez da atual ordem internacional e do sistema de governança global, os países do BRICS, como líderes dos países em desenvolvimento, precisam reagir de maneira oportuna às justificadas preocupações dos países em desenvolvimento, e levar à reforma do sistema de governança global. Por exemplo, na implementação da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 da ONU, os países do BRICS devem prestar atenção às dificuldades práticas dos países em desenvolvimento e assumir a liderança em cobrar dos países desenvolvidos que levem a sério o cumprimento de seus compromissos e aumentem o apoio financeiro, tecnológico e de construção de capacidade aos países em desenvolvimento. Reagindo às ameaças das nações ocidentais de impor sanções econômicas e causar sério impacto nos países em desenvolvimento, os membros do BRICS podem conjuntamente ser porta-vozes dos países em desenvolvimento para salvaguardar os interesses comuns e o espaço de crescimento desses países. A segunda direção é prestar atenção às necessidades de cooperação. Por exemplo, alavancar as vantagens de mecanismos como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês) para atender às necessidades de financiamento dos países em desenvolvimento, e promover a cooperação entre eles.

Parcerias de alta qualidade – Os países do BRICS promovem a construção de parcerias de alta qualidade

No mundo atual, vemos que um século de mudanças e um século de epidemias estão entrelaçados, e os fatores de instabilidade, incerteza e insegurança no cenário internacional ganharam cada vez maior proeminência. Várias forças estão envolvidas num complexo jogo para definir “para onde o mundo está indo”, e os países do BRICS tornaram-se a principal força em promover mudanças benignas na ordem global. Nesse momento histórico, sem dúvida é de vital importância fortalecer continuamente o papel de liderança estratégica dos países do BRICS e criar conjuntamente uma nova era de desenvolvimento global.

Tendo como pano de fundo as mudanças aceleradas na governança global e na ordem internacional, e diante da opinião pública negativa em relação aos Estados Unidos e ao Ocidente, os países do BRICS devem continuar a aprofundar as áreas de cooperação e as relações, e aprimorar o conteúdo de ouro da cooperação do BRICS. Como típicos representantes dos países em desenvolvimento e de países com mercados emergentes no palco multilateral global, os países do BRICS continuam a dar contribuições positivas na promoção de mudanças benignas na ordem global. Desde o seu estabelecimento até 2017, os países do BRICS formaram objetivamente um “impulso de três engrenagens”, um mecanismo endógeno e dinâmico para intercâmbios econômicos, políticos e interpessoais, voltados a promover mudanças benignas e estáveis no modelo de desenvolvimento da ordem global. No momento, diante das mudanças no equilíbrio de poder do sistema internacional, de uma profundidade jamais vista em um século, os países do BRICS devem colocar foco em aprofundar a cooperação de alta qualidade e contribuir ainda mais para o desenvolvimento global.

Primeiro, devem continuar intensificando a cooperação política e em segurança e contribuir para o tema do BRICS de salvaguardar a paz e o desenvolvimento. O contínuo aprofundamento da cooperação do BRICS nos campos da política e da segurança tem injetado novo ânimo no tema da paz e do desenvolvimento nos tempos atuais. Para os países do BRICS, tornou-se um consenso básico substituir o confronto pelo diálogo, a coerção pela negociação, a aliança pela parceria, e a soma zero pelo ganha-ganha. Os países do BRICS devem fortalecer a cooperação pragmática em assuntos cruciais de segurança geopolítica, aprofundar ainda mais a cooperação sobre questões de segurança não tradicionais como a nova epidemia de pneumonia por coronavírus, manter e garantir a segurança financeira global, e implementar o “Roteiro de Cooperação Prática de Segurança de Rede” do BRICS, que também dará impulso para que os países do BRICS fortaleçam a cooperação em profundidade em campos de fronteira como a biomedicina.

Em segundo lugar, devem prosseguir com foco na cooperação prática nos campos da economia, comércio e finanças, e lançar um sólido alicerce para um desenvolvimento saudável e sustentável para os países do BRICS e a economia global. A escala, volume e vantagens comparativas dos países do BRICS no campo econômico e comercial estão se tornando cada vez mais proeminentes. Segundo dados da Administração Geral Aduaneira da China, o volume de comércio entre a China e o Brasil em 2021 será de US$ 164 bilhões, uma alta recorde; o volume de comércio entre a China e a Rússia será de US$ 146,9 bilhões, um aumento de 35,8% em relação ao ano anterior; o volume de comércio entre a China e a Índia será de US$ 125,6 bilhões, e é a primeira vez que o volume de comércio entre esses dois países excede a marca dos US$ 100 bilhões; o volume total de comércio entre a China e a África do Sul foi de US$ 54,3 bilhões, um aumento de 50,7% em relação ao ano anterior. Aprofundar ainda mais a facilitação do comércio e do investimento entre os membros do BRICS é uma maneira única pela qual esses países podem contribuir para manter um crescimento econômico global estável. De um ponto de vista prático, o rápido desenvolvimento da economia digital representado pelo comércio pela internet propiciou um novo mecanismo de incentivo à cooperação econômica e comercial de longo prazo entre os países do BRICS. O sólido avanço do relevante roteiro para a parceria da nova revolução industrial formulada pela Cúpula de Xiamen do BRICS promoverá uma cooperação profunda e contínua do BRICS no campo econômico e comercial.

Em terceiro lugar, deve-se fortalecer a efetiva cooperação no campo dos intercâmbios interpessoais e culturais. Tais intercâmbios entre os países do BRICS são um importante exemplo para o mundo. Mesmo culturas e civilizações contrastantes, com características altamente diferenciadas, podem ter uma interação positiva e um desenvolvimento inclusivo por meio de intercâmbios ativos e aprendizagens mútuas. De um ponto de vista global, os países do BRICS têm consolidado imagens nacionais com diferentes bagagens históricas e culturais por meio de alianças de universidades, universidades online, cooperação em educação vocacional e vibrantes atividades de intercâmbio cultural, algo altamente recomendável para aumentar ainda mais a compreensão mútua e injetar novo impulso a uma cultura global diversificada.

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