Lições chinesas no combate ao coronavírus

O inesperado surto do novo coronavírus na cidade de Wuhan, na província de Hubei, é o maior desafio enfrentado pela China Em meio a essa fatalidade, a China tem mostrado para o mundo não só a eficiência do seu modelo de governança, mas, também, um senso de responsabilidade à altura de sua grandeza econômica.

o governo atual agiu rápido e foi transparente na batalha contra o novo coronavírus. As duas principais lideranças chinesas fizeram o que se espera dos governantes diante de uma situação dramática em seu país. O primeiro ministro Li Keqiang foi à cidade de Wuhan para visitar pacientes e médicos, e tomar medidas urgentes; e o presidente Xi Jinping, por sua vez, reuniu-se, em Pequim, com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, ciente da necessária cooperação multilateral. O governo chinês concorda com o envio de especialistas internacionais à China para se unir aos colegas chineses e trabalhar na solução da crise e orientar os esforços de resposta global.

O mundo parece reconhecer que o modelo de governança da China tem mostrado o seu valor para gerir tal situação de emergência em um país com quase 1,4 bilhão de pessoas. O governo central chinês isolou a cidade de Wuhan, – que possui mais de 11 milhões de habitantes –, cancelou as festividades do Ano Novo chinês, fechou locais turísticos, construiu em 10 dias um hospital com mil leitos e enviou 6.000 médicos para Hubei. Além disso, mais de 66 bilhões de yuans foram alocados para apoiar a batalha contra o vírus. Todas estas medidas foram tomadas em curto espaço de tempo à medida do conhecimento da emergência da situação.

A transparência na informação também está sendo um antídoto no combate ao vírus e, sobretudo, às fake news que tem gerado pânico desnecessário e trazido inquietação às pessoas na China e em vários países. Para fazer frente a este problema, o governo chinês passou a divulgar, diariamente, os dados com o número de pessoas infectadas, de óbitos e de pacientes curados com alta hospitalar. Além disso, as chancelarias chinesas estão fazendo um esforço intenso de comunicação por meio das redes sociais mais utilizadas nos países onde estão. Apesar destes esforços, há no Ocidente empresas de mídia que põem em questão a transparência do governo chinês na divulgação dos dados. Se a intenção do governo chinês fosse ocultar o fato, por qual motivo o próprio presidente Xi Jinping teria alertado para a“grave situação”? Não é um sinal de transparência – e seriedade – o governante fazer tal alerta mesmo sabendo do impacto que tal declaração poderia ter na imagem do país, na economia, no cotidiano da população e na vida dos chineses no exterior? E, além disso, dias depois, o Comitê Permanente do Bureau Político do Partido Comunista admitiu que as respostas ao surto por parte do governo foram “insuficientes”- em uma atitude exemplar de autocrítica tão em falta em muitos países democráticos. Sem autocrítica, não há correção de rumos. Por sim, não se pode ignorar que a participação da OMS na luta contra o vírus trouxe também maior transparência aos esforços de contenção da epidemia e reforçou o comportamento responsável do governo chinês no trato desta crise.

Enquanto a China enfrenta esta dura batalha contra o vírus, uma parte do mundo já começa a discutir qual será o impacto econômico deste fato. É cedo ainda para se saber qual será a extensão desse impacto na economia da China e na economia mundial. Mas é cedo também para travar este debate quando há uma situação de emergência onde vidas estão em jogo. O que me parece urgente é que os países se solidarizem com a China e busquem unir esforços para derrotar o vírus.

Ao longo de sua história a China tem demostrando saber tirar lições dos erros e desafios do passado. Hoje, a China conta com mais recursos tecnológicos, financeiros e humanos. Mas a eficiência, a empatia, a humildade, a transparência, a ciência e a cooperação é que têm sido as melhores ferramentas na gestão desta crise. São as lições que a China está deixando para mundo. Todos os países são passíveis de serem o epicentro de novas epidemias, e vírus e bactérias não respeitam fronteiras. Colaborar com a China é uma tarefa não só de solidariedade e respeito ao país que tem contribuído de modo decisivo com o crescimento econômico mundial, mas também um meio de fortalecer os laços de solidariedade internacional e de aprimorar os mecanismos nacionais de defesa da saúde para um mundo mais seguro e saudável.

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