Experiência chinesa ajuda africanos a abandonar fogão à lenha

Projeto energético consiste em gerar biogás a partir de esterco

O especialista em biogás Huang Jian vai novamente a São Tomé e Príncipe, na África, para ajudar a implementar um projeto energético usado na região rural chinesa. O modelo consiste em usar esterco animal como fonte elétrica e o resíduo do processo como fertilizante.

O pesquisador participou de outro projeto no país africano em 2018. Na época, ele descobriu que São Tomé e Príncipe tinha escassez de carvão e não tinha capacidade de explorar e produzir petróleo e gás natural.

A população rural cozinhava em fogões a lenha, o que tomava mais tempo e esforço físico das pessoas e causava grave poluição. Além disso, o estrume do gado deixava de ser aproveitado.

“São Tomé e Príncipe não tinha seus próprios tanques de biogás e os agricultores locais sabiam pouco sobre o assunto. Era necessário e urgente estabelecer digestores de biogás no local.” disse o especialista.

Com mais três colegas, Huang pesquisou e criou formas de construir o reservatório, além de desenvolver materiais de treinamento para a população.

Jorge Carvalho, um agricultor de Lobata, cria mais de 40 porcos. Ele sofria com o mau cheiro do chiqueiro e pediu ajuda do pesquisador para fazer um tanque de biogás. Em 11 dias, a equipe chinesa construiu um digestor de 15 metros cúbicos. Cinco dias depois o gás começou a ser produzido.

Agora, o agricultor utiliza energia limpa e fornece gás gratuitamente para os vizinhos. Eles passaram a economizar 12 mil dobras por ano (pouco mais de R$ 3.000,00) com combustíveis.

Antes de São Tomé e Príncipe, Huang também colaborou para implementar o sistema energético em Uganda, onde mais de 200 funcionários foram treinados. O governo ugandês o elogiou pelo trabalho.

“Os agricultores que ajudamos são sementes que podem difundir a tecnologia em todo o país”, disse. O especialista acredita que a agricultura circular, eficaz nos campos da China, pode reduzir a pobreza em outros países.

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