Estudo preliminar indica que CoronaVac é segura para crianças e adolescentes

A vacina da Sinovac passou por teste com mais de 500 pessoas de 3 a 17 anos

A farmacêutica chinesa Sinovac Biotech anunciou que sua vacina contra Covid-19, a CoronaVac, parece ser segura para crianças. Zeng Gang, pesquisador da companhia, disse que o imunizante foi capaz de provocar resposta imunológica em um teste com mais de 500 pessoas de 3 a 17 anos.

Em uma conferência em Pequim na última semana, Zeng explicou que a maioria das reações adversas foram leves e que os níveis de anticorpos provocados pela vacina foram maiores do que em adultos em ensaios anteriores.

Os testes começaram em outubro na província de Hebei, no norte da China. As crianças receberam um regime de doses baixas, médias ou placebo. A Sinovac não divulgou dados detalhados e as descobertas ainda precisam ser revisadas. 

Para a imunologista Kylie Quinn, da Universidade RMIT, na Austrália, realizar essas pesquisas e divulgar os resultados iniciais é um passo positivo. “Você tem que incluir as crianças em sua estratégia a longo prazo se quiser uma proteção robusta baseada na comunidade [da Covid-19]”, disse Quinn.

As crianças são consideradas menos vulneráveis do que os adultos porque normalmente desenvolvem um quadro leve da doença ou nenhum sintoma, caso sejam infectadas com o novo coronavírus. São raros os casos de uma síndrome inflamatória grave associada à Covid-19 neste grupo etário. Por isso, as vacinas serão estudadas e aprovadas para os mais jovens depois que a segurança e eficácia forem estabelecidas para os adultos.

Outros fabricantes de imunizantes, como a Moderna, Pfizer e o parceiro BioNTech e a Sinopharm, já estão realizando estudos clínicos com crianças ou planejando esses testes. No entanto, ainda não há previsão para quando elas serão incluídas nas campanhas de vacinação.

Na última semana, Wang Huaqing, do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, disse que as decisões sobre imunização em bebês e menores de 18 anos serão tomadas com base nos resultados de pesquisas e nas necessidades de prevenção e controle de doenças.

O vice-diretor do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da Universidade Johns Hopkins, Naor Bar-Zeev, explicou que os ensaios nesse grupo provavelmente se concentrarão na segurança e na resposta imunológica, em vez da eficácia. Além disso, o limite de segurança deve ser maior do que para adultos, porque as crianças não costumam desenvolver Covid-19 grave.

“A justificativa para vaciná-las não é tanto a proteção, mas reduzir a transmissão na comunidade, então isso levanta uma questão ética se há risco [de segurança]”, comentou ele. Seria importante estudar se o raro distúrbio inflamatório sofrido por algumas crianças infectadas com Covid-19 também pode acontecer depois da inoculação, acrescentou.

A imunização na China, onde mais de 100 milhões de pessoas já foram vacinadas, está concentrada em adultos, principalmente aqueles com profissões de alto risco, como saúde e transporte.

Autoridades chinesas pretendem imunizar 40% da população até julho e 80% até meados do próximo ano. Esse índice é considerado suficiente para conter a disseminação de doenças em uma comunidade.

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