Especialistas sugerem que filosofia oriental pode melhorar futuro da humanidade

Debate sobre o assunto foi tópico do 24° Congresso Mundial de Filosofia, que aconteceu em Pequim

Estudiosos que participaram do 24° Congresso Mundial de Filosofia deram a entender que a sabedoria do oriente pode ser contrária às convicções antropocêntricas (que afirmam que o homem é a entidade mais significativa), e que os conceitos orientais de harmonia, comunidade e beleza são vitais na era da globalização em que o mundo se encontra.

“Temos muito a aprender com a filosofia na China”, afirmou Dermot Moran, presidente da Federação Internacional das Sociedades Filosóficas. Ao afirmar sua esperança de que o congresso inspirasse os filósofos do oriente e do ocidente a olharem para os problemas mundiais com novas perspectivas e abordagens, Moran afirmou que a China “tem uma história impressionantemente longa de cultivo da sabedoria e deu uma contribuição duradoura para o patrimônio cultural”.

O homem e a natureza

Diversos filósofos que participaram do evento afirmaram que a visão oriental de homem no cosmos como parte integral do universo é algo que pode levar o mundo para um futuro melhor e com menos crises ecológicas. As linhas de pensamento clássicas do Confucionismo, Taoísmo e Budismo foram destacadas por esses pensadores que pedem para que elas sejam valorizadas e aplicadas em nossos conflituosos tempos.

O professor Mogobe Ramose, da Universidade da África do Sul, comparou os conceitos de Ren, do Confucionismo, com o de Ubunto (“eu sou porque nós somos”) da filosofia africana, afirmando a importância dessas filosofias “de amor”, especialmente em tempos de polarização e distribuição injusta da riqueza. Graham Parkers, pesquisador da Universidade de Viena, afirmou que o antropocentrismo, que é derivado das filosofias ocidentais e considera os humanos como dominantes acima de tudo “pode ser a nossa destruição, pois prejudicamos há longo tempo a integridade dos ecossistemas naturais”.

Parkers ainda pediu o abandono da visão antropocêntrica do ecossistema para que abracemos as virtudes do oriente que pregam a generosidade, a clemência e o altruísmo. “Realmente nosso predicamento ambiental no momento – aquecimento global, poluição do ar, terra, água, desmatamento, dizimação de peixes e populações da vida selvagem – vem em certo modo de uma relação profundamente disfuncional com as coisas ao nosso redor”, afirmou.

Viver uma boa vida

Paul Healy, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, afirmou que o diálogo entre o ocidente e o oriente pode render um entendimento ampliado sobre o que é viver uma boa vida, e assim fornecer um forte incentivo para conhecer o que é ser humano em um mundo estreitamente interconectado e globalizado.

“A ênfase oriental em ‘unidade Céu-homem’ pode fornecer um forte desafio para o individualismo que tipicamente caracteriza as concepções ocidentais de bem-estar e prosperidade humanos. A orientação cosmocêntrica da tradicional filosofia ocidental pode fornecer um contrapeso necessário para o antropocentrismo ocidental”, comentou Healy.

Zhang Shiying, professor de filosofia da Universidade de Pequim, teve um ensaio apresentado que considera o universo como uma rede inteira onde todas as coisas são interconectadas e onde a moral de originará. “Viver moralmente é viver em uma unidade interconectada com todos os outros seres, e se livrar de buscas egocêntricas para encontrar a beleza”, disse Zhang.


Fonte: Xinhua

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