Especialistas em tecnologia dos EUA pedem colaboração com a China em AI

Em um relatório eles disseram que o progresso da China na AI pode complementar e acelerar o desenvolvimento dessa tecnologia nos EUA

Especialistas em políticas de tecnologia dos Estados Unidos pediram ao governo do país que abrace o progresso da China em inteligência artificial (AI) e evite uma “mentalidade de soma zero” por meio de um relatório divulgado nessa semana pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.

O documento diz que o progresso da China na AI pode complementar e acelerar o desenvolvimento dessa tecnologia ​​nos EUA, e que os formuladores de políticas estadunidenses devem evitar responder aos avanços da China “com políticas contraproducentes que diminuam a capacidade inovadora dos EUA com pouco ou nenhum ganho”.

O governo Trump colocou essa tecnologia emergente no topo da agenda. Para muitos, na comunidade política dos EUA, a manutenção da liderança dos EUA em AI é vista através do “prisma de derrotar os esforços da China para o avanço”, disseram os autores do relatório, William Carter e William Crumpler. “Inúmeros equívocos e narrativas concorrentes em torno da economia de inovação da China tornaram difícil para os formuladores de políticas dos EUA entenderem o ecossistema de AI na China”.

Carter, que é vice-diretor do Programa de Política Tecnológica da CSIS, afirmou que os dois países se beneficiam fortemente da colaboração e do intercâmbio mútuo e que “o nível de integração entre os dois ecossistemas provavelmente só aumentará com o passar do tempo”.

O relatório fala que as principais empresas de AI da China, como Tencent, Baidu e Alibaba, abriram centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em AI nos Estados Unidos, enquanto as principais empresas americanas, incluindo Google, Qualcomm, Amazon, IBM e Microsoft, estabeleceram centros de P&D em IA na China. “Os avanços chineses em IA podem complementar e acelerar o desenvolvimento da IA ​​nos EUA e no mundo todo por meio de colaboração e competição”, disse Carter.

A abordagem estratégica da China em relação à AI e o forte compromisso dos formuladores de políticas e líderes empresariais privados no desenvolvimento e adoção de AI são elogiados no documento, que os descreve como “uma mistura potente”.

Observando que os EUA possuem o melhor sistema de pesquisa universitária do mundo, produzindo muitas das inovações fundamentais da ciência da computação moderna e de AI, Carter ressalta que “esse ecossistema depende de talentos estrangeiros”. Quase 80% dos estudantes de pós-graduação nos programas de ciência da computação dos EUA são estudantes internacionais e mais de um terço deles são da China, diz o relatório.

Carter e Crumpler criticaram as políticas restritivas dos EUA sobre investimentos chineses em tecnologias emergentes fundamentais e os esforços para limitar as exportações de tecnologia para a China, além de terem argumentado que a restrição de vistos para pessoas com educação e habilidades avançadas contraria os objetivos de manter a liderança dos EUA.

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