Entrevista: Um futuro para os BRICS

Protagonista e articulador do processo de formação do BRICS, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim fala sobre as origens do grupo e suas perspectivas de futuro

O NDB Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, instrumento fundamental de fomento do grupo.

Por Alfredo Nastari e Evandro Carvalho

Celso Luiz Nunes Amorim é o mais longevo ministro das relações exteriores do Brasil, tendo exercido o cargo por mais tempo que o lendário Barão do Rio Branco, o grande ícone da diplomacia brasileira. Amorim foi o chanceler em dois períodos: de 1993 a 1995, no governo Itamar Franco, e, posteriormente, de 2003 a 2010 durante os dois mandatos do presidente Lula. Mas não só isso.

Nascido em Santos, no litoral paulista, em 1942, Amorim tem uma extensa e intensa participação na vida pública brasileira e no cenário internacional, depois de um breve interregno nos anos 1979 a 1982 quando foi diretor-geral da Embrafilme, indicado pelo então ministro da Educação e Cultura, Eduardo Portela.

Formado em 1965 pelo Instituto Rio Branco,  onde chegou a lecionar posteriormente, ocupou diversos cargos de carreira da diplomacia brasileira até ser indicado, em 1993, para a chefia do Itamaraty, cargo que ocupou até 1995, quando foi nomeado por Fernando Henrique Cardoso chefe da Missão Brasileira na ONU. Em 2001 foi transferido para Londres, onde assumiu a embaixada brasileira no Reino Unido. Em 2003 assumiu novamente o Itamaraty, já no primeiro governo Lula, cargo que ocupou até 2010. No governo de Dilma Rousseff, exerceu o cargo de ministro da Defesa a partir de 2011, por pouco mais de três anos.

Foi no seu período como chanceler brasileiro durante o governo Lula que Amorim participou intensamente das negociações que desembocaram na formação do BRICS. Aqui, em entrevista exclusiva para os editores Alfredo Nastari e Evandro Carvalho de China Hoje, ele relata o processo de formação e as perspectivas de futuro que enxerga para o grupo.

China Hoje – Desde a formulação do termo BRIC, em 2001, pelo economista Jim O’Neill e a efetiva fundação do grupo em junho de 2009, foram oito anos de efervescentes negociações entre as quatro maiores economias emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China. Processo no qual o senhor foi um dos grandes protagonistas e artífices. Qual é o seu relato desse período que levou à formação do grupo Como é que foi?

Celso Amorim – O BRICS foi uma proposta do ministro russo Sergey Lavrov para mim com base em um grupo imaginário. Até então BRIC – ainda sem o “S” de South Africa – era apenas um acrônimo sem significado. Creio que o fato de Jim O’Neill ter identificado esses países como muito importantes não só para eles próprios mas para governança mundial, provavelmente, ficou na cabeça das pessoas. No próprio discurso de posse do seu primeiro mandato o presidente Lula diz que daria ênfase às relações com os grandes países em desenvolvimento e nomeia exatamente os países que vieram a ser os BRICS, incluindo a África do Sul.

Paralelamente, logo no primeiro ano do governo Lula lançamos a ideia de um grupo IBAS – Índia, Brasil e África do Sul – que chamou muita atenção tanto de países potencialmente interessados em participar como também de países ou entidades que tinham interesse em se relacionar com o IBAS.

O IBAS trazia a novidade de ser um grupo de três países em desenvolvimento, cada um de uma região do mundo, três democracias – ou assim parecia – multiétnicas e multiculturais. Frequentemente éramos abordados, no meu caso mais pelo chanceler russo à época, Igor Ivanov, mas também pela China. Existe, inclusive, o registro de uma conversa entre o presidente Lula e o então presidente chinês Hu Jintao, em que ele elogia o IBAS, obviamente uma maneira indireta de demonstrar interesse.

Então essas coisas estavam ocorrendo em paralelo. Havia uma afinidade econômica muito grande no IBAS e ele fez várias coisas, tomou posição em vários sistemas internacionais sobre temas como a Palestina ou desarmamento. O fato é que o IBAS se consolidou.

Esse conjunto de coisas – a existência do acrônimo BRICS, o interesse da Rússia e da China no IBAS e o ressurgimento de conceitos de multipolaridade – tudo isso se juntou em um cenário favorável à formação de um grupo BRICS. Em 2006, por iniciativa da Rússia durante uma Assembleia Geral da ONU, ficou acertado um primeiro encontro dos ministros das Relações Exteriores dos BRIC, ainda sem a África do Sul.

Para falar a verdade, num primeiro momento os países que deram mais atenção ao tema foram mesmo Brasil e Rússia. A China estava presente com seu chanceler, mas ele não discursou. Em 2007 tivemos uma reunião semelhante onde o Brasil tomou a iniciativa de realizá-la fora da sede das Nações Unidas. Nossa visão era a de que se realmente quiséssemos consolidar o grupo era preciso fazer reuniões não apenas fora da sede da ONU, mas à margem da ONU. Imediatamente o Lavrov ofereceu a possibilidade de a próxima reunião, ainda em nível ministerial, ser realizada da Rússia, em Ecaterimburgo, na primavera de 2008 que é, na realidade, a certidão de nascimento mais oficial dos BRICS. Ainda em 2008 houve um encontro dos quatro presidentes do BRIC no Japão, à margem da reunião do G8+5.

Então, no ano seguinte, 2009, novamente em Ecaterimburgo, na primavera europeia, se realizou a primeira cúpula do BRIC. Nessa época, o presidente da Rússia era Dmitri Medvedev. Em 2010, para terminar a história até onde eu acompanhei de perto, marcou-se no Brasil. Era o último ano do mandato do presidente Lula e é quando acontece a aproximação com a África do Sul. Marcamos uma reunião do IBAS para a mesma ocasião, não juntas, mas uma atrás da outra e houve um momento em que todos estariam juntos, num jantar, quando foi feito um convite formal pela China para a África do Sul fazer parte também.

China Hoje – O BRICS foi formado no momento de aceleração do crescimento das economias de emergentes e num cenário de entusiasmo em relação à globalização e ao multilateralismo, o que não acontece agora. Ao menos o Brasil e a Rússia estão com o crescimento estagnado, e o panorama internacional, hoje, aponta na direção de uma maior preocupação das nações com a sua autossuficiência econômica. Esse novo cenário altera o projeto do BRICS?

Celso Amorim – Os BRICS nunca foram um projeto definido com um objetivo único. As primeiras ideias eram um fórum de conversação para discutir grandes assuntos internacionais. Eu me lembro de que por volta de 2008, antes da crise financeira desencadeada pela quebra do Lehman Brothers, quando a proposta do Lavrov nos foi feita, ela falava muito em crise energética, crise alimentar, um pouco já também da crise climática e de temas ligados à paz mundial, num momento de relativa paz mundial, quando fica mais fácil discutir o tema.

Os BRICS ganharam uma importância muito maior do que se esperava, talvez até em função da crise do Lehman Brothers, quando os países participantes coordenaram suas posições e, de certa maneira, tiveram uma presença muito grande no G-20 de líderes criado nessa ocasião. Eu me recordo do Financial Times dar mais atenção, ou tanta atenção quanto, à reunião dos Ministros de Economia dos BRICS do que à do G-7.

Isso demonstrava um avanço muito grande e foi muito importante, inclusive para dar um equilíbrio nas negociações do próprio G20. É difícil dizer o quanto exatamente, mas a força do BRICS certamente contribuiu para que os países em desenvolvimento tivessem um peso maior e conseguissem, afinal, depois de um longo processo de aprovação no Congresso Americano, a primeira reforma do sistema de cotas do Fundo Monetário Internacional, ainda que limitada.

Creio que desde então o BRICS vem atuando nessa mesma linha. Mas seria ingênuo afirmar que um cenário de crise como o atual, com mudanças de governo, maior rivalidade entre China e Índia, a Rússia em guerra contra o Ocidente, o BRICS não fosse afetado. Mas isso não tira a validade do instrumento, inclusive para a eventual discussão de uma reforma do sistema monetário mundial.

Há muita gente que fala nisso – claro, com ideias diferentes – como a própria Janet Yellen, secretária do Tesouro Norte-americano, que fala que está na época de termos um novo Bretton Woods. Nessas circunstâncias, os países BRICS terão capacidade de atuar juntos.

Creio que houve uma mudança, talvez mais importante para os BRICS, que é o crescimento da China. Quando os BRICS foram criados, a China era um país de desenvolvimento como qualquer outro. Quando o outro G-20, o da Organização Mundial do Comércio, foi criado em Cancún 2003, sob a liderança do Brasil e da Índia, a China participava assim, meio caladinha. Durante anos, na Organização Mundial do Comércio, havia um G-4 composto pela União Europeia, Estados Unidos, Brasil e Índia do qual a China não participava. Ela atuava lateralmente, mas ela não participava, não se expunha. Isso mudou totalmente. Hoje em dia, a China é o país mais atuante, evidentemente pelo peso que tem. A economia chinesa dependendo do critério até já é, mas passará a ser ao longo desta década, a maior economia do mundo. Então, acho que será preciso repensar um pouco as táticas dos BRICS, para que haja um maior equilíbrio dentro do grupo. Senão será 80% China.

China Hoje – A formação do BRICS também foi fruto de uma insatisfação dos seus membros com as instituições multilaterais existentes, em especial FMI, Banco Mundial e OMC, e tem uma clara visão reformista da governança internacional. Essa agenda ainda tem força? O quanto hoje ela é relevante para os países BRICS?

Celso Amorim – Creio que sim. Não há a menor dúvida de que há a necessidade de uma reforma muito grande da governança mundial, acho até que é mais clara hoje do que era 10 ou 12 anos atrás. A pandemia demanda uma evidente necessidade de uma governança mundial; questões como mudanças climáticas, a questão monetária, os desequilíbrios econômicos exigem que os países cooperem. Por outro lado, ficou mais difícil, porque as rivalidades entre países também se tornaram mais evidentes, não entre os países do BRICS, mas de países do BRICS com outros.

A questão da governança mundial nunca foi uma coincidência absoluta. Por exemplo, uma questão que para nós e para os países IBAS é muito importante é a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Há do ponto de vista da Rússia e da China uma atitude diferente. A Rússia, hoje, até por conta do seu isolamento e do avanço da Otan, parece mais flexível em aceitar uma reforma e apoiar países como o Brasil como membro permanente. Sempre dizia que se houvesse uma reforma apoiaria o Brasil, mas esse “se”, né? “Se” houver uma reforma. Não iriam trabalhar para uma reforma. E a China também se revelou muito reticente.

E essa é uma questão para ser discutida em algum momento. Me parece óbvio que você não pode, 77 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, trabalhar com as mesmas instituições, com o mesmo formato que elas tinham naquela época. Isso é impossível. Basta imaginar que em 1945 você fosse trabalhar com as instituições de 75 anos antes, como o Congresso de Viena, por exemplo. É impensável, pois estamos vivendo uma situação que os historiadores do futuro verão como totalmente anacrônica. Então creio que essa necessidade de reforma é muito grande.

Há uma larga margem para coincidência dentro dos BRICS em muitos temas, como meio ambiente, saúde, economia, mesmo diante dos diferentes graus de desenvolvimento, mas temos a questão delicada do Conselho de Segurança, que é complexa, mas que tem que ser equacionada de alguma maneira.

China Hoje – Quais são os pontos nevrálgicos dessa dificuldade?

Celso Amorim – A China jamais abrirá mão do poder de veto em questões que ela considere do seu interesse de segurança, assim como os Estados Unidos. Por exemplo, em uma questão envolvendo Porto Rico ou envolvendo Taiwan, obviamente a questão do veto vai estar presente. Contudo, essas situações deveriam ser extremamente excepcionais. Fui embaixador na ONU e vi que o veto foi utilizado muitas vezes de maneira quase fútil e não foi para isso que ele foi pensado.

Há uma tendência dos países em levar tudo para o Conselho de Segurança, porque ele existe como único órgão de poder efetivo. Não adianta dizer que queremos fortalecer a OMS, por exemplo, porque a OMS não decide, não obriga, apenas recomenda e as pessoas cumprem ou não suas recomendações. Para fortalecer a OMS deveria existir um outro sistema de tomada de decisões internacionais.

China Hoje – Desde 2017, a China propôs o BRICS Plus, e vem defendendo a ampliação do grupo como forma de incrementar a cooperação Sul-Sul. A Argentina e o Irã já manifestaram interesse em integrar o grupo. Como o senhor enxerga essa possibilidade? O BRICS pode vir a ser uma espécie de porta-voz dos países em desenvolvimento como foi no passado o movimento dos não-alinhados da década de 1970? Ou isso irá acarretar uma polarização maior entre economias emergentes e países desenvolvidos?

Celso Amorim – Eu acho que é bem diferente dos não-alinhados. Os não-alinhados foram não alinhados de duas superpotências à época, Estados Unidos e União Soviética. Hoje em dia, se você for pensar em duas superpotências, uma delas é a China. Então não se poderia comparar com a atuação dos não-alinhados como ela foi. E não sei se essa ideia de porta-voz é adequada, para falar a verdade. Creio que é muito complexo e tem muitos países que são soberanos, que têm seus interesses e preocupações que talvez não estejam re etidas nos BRICS.

Vou dar um exemplo. As pequenas ilhas do Pacífico têm uma percepção sobre mudança climática que nenhum outro país tem porque para elas é uma ameaça existencial, que é mais abstrata para o planeta Terra. Talvez até esteja errado, mas nós vemos isso como uma coisa mais a médio prazo, enquanto para as Ilhas Maldivas ou Vanuatu é uma ameaça direta à existência, da qual o BRICS não poderia ser considerado um porta-voz.

Creio que o BRICS, reunindo o número importante de países em desenvolvimento, pode ser um elemento de equilíbrio, por exemplo em relação ao G-7. E isso pode ajudar a encontrar soluções que atendam melhor um conjunto do países, mas eu não proporia que o BRICS fosse um porta-voz.

Dito isso, também não sou contra ampliação do BRICS. Aliás, falando a título pessoal, porque sou muito cuidadoso nessas coisas, quando se aventou a entrada da Argentina, fui a favor, porque creio que isso fortalece nossa posição. Há um certo desequilíbrio regional dentro do BRICS. As regiões da Ásia têm um peso enorme no grupo, dada a participação da China e da Índia, e é preciso encontrar um melhor equilíbrio. Para isso seria necessário um outro parceiro sul-americano. e julgo a Argentina o candidato ideal, falando do ponto de vista brasileiro. Isso fortalece uma aliança vital para nossa política externa. Do mesmo modo, creio que o BRICS deveria ter mais um ou dois africanos. Não pode ter apenas a África do Sul como membro.

Modelos da Embraer na Exposição BRICS sobre a Nova Revolução Industrial em Xiamen.

China Hoje – O atual governo brasileiro tem se empenhado em incluir o Brasil na OCDE, e celebrou um acordo entre Mercosul e União Europeia, que permanece em ponto morto. Mas de qualquer forma foi feito esse acordo. O senhor enxerga alguma contradição entre esses anseios brasileiros e a participação do país no BRICS? Qual devia ser, na sua opinião, uma visão estratégica e de Estado da presença brasileira no cenário internacional?

Celso Amorim – Em política internacional a exclusividade não é uma qualidade e o pluralismo não é um defeito. Nós não devemos fazer do BRICS um clube exclusivo, não devemos deixar de estar presentes em outros fóruns. Por exemplo, a integração da América do Sul é para nós algo absolutamente fundamental, importantíssimo. Um acordo entre Mercosul e União Europeia não traz nenhuma contradição. Não estou defendendo o acordo tal como ele está, mas creio que a relação da América do Sul com União Europeia é também estratégica e importante para o maior equilíbrio mundial. Não queremos ver um mundo totalmente dividido entre China e Estados Unidos e que, “olha, nós nos alinhamos com a China”. Não é isso. Nós queremos o mundo equilibrado e o Brasil continuará participando de várias organizações, algumas com uns países e em outras com outros países, e eu acho que é assim que tem que ser essa relação de geometria variável, como costumavam dizer os franceses.

O BRICS deve ser como o G7, mais um clube do que uma organização. Um clube no sentido político da palavra. São países grandes, que têm interesses comuns, e que falam em desenvolvimento.

China Hoje – O senhor acaba de lançar o livro “Laços de confiança: o Brasil na América do Sul”, que coloca a questão da proximidade nas relações internacionais. O presidente chinês Xi Jinping nos seus discursos sempre cita frases como “vizinhos próximos são melhores do que parentes distantes”. Na sua experiência, amigos ou países distantes geograficamente, mas próximos diplomaticamente são melhores do que países vizinhos geograficamente mas distantes diplomaticamente?

Celso Amorim – O mundo está mudando aceleradamente e em muitos aspectos ele caminha para ser um mundo dividido em blocos. Nesse sentido, vamos ter que nos dar bem inclusive com os vizinhos com quais tenhamos divergências. O título do livro Laços de confiança é interessante porque ele surgiu de uma reflexão que fiz depois de um encontro com o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que era talvez, de todos os países, o que tinha visão mais diferente do Brasil naquele momento em questões como a Guerra do Iraque, a OMC, etc. E no entanto, nós tínhamos uma relação de confiança. O que meu livro procura mostrar é a importância destas relações de confiança nas relações internacionais, sobretudo entre vizinhos.

Quanto à distância, a proximidade é uma realidade, não? Não há como você esconder isso. Por mais progressista que seja, um governo mexicano não pode ignorar a presença dos Estados Unidos. O México poderia ter até um governo socialista, mas ele tem que ter uma relação especial com os Estados Unidos. Brasil e a Argentina têm que ter uma relação especial. No passado era de rivalidade, hoje tem sido cooperação. Na nossa relação com a China, por exemplo, temos o primeiro e mais longevo acordo de alta tecnologia feito entre dois países em desenvolvimento, que foi o acordo CBERS firmado entre Brasil e China, em julho de 1988, para lançamento de satélites de sensoriamento remoto, durante o governo Sarney, que ninguém pode dizer que era um governo de esquerda ou pró-comunista – apenas era um governo realista. Depois, já nos anos 90, fizemos uma parceria estratégica com a China durante uma visita do então presidente chinês Jiang Zemin ao Brasil, no governo Itamar Franco. Foram decisões muito importantes, tanto na área interna quanto na internacional.

É claro que os amigos distantes têm a vantagem de não ter rivalidades. Uma frase célebre, atribuída ao Barão do Rio Branco sobre a relação entre Brasil e Chile, afirmava que ambos os países tinham “uma amizade sem limites”, um trocadilho com o duplo sentido da palavra que significa também sem fronteira. Os chilenos gostam muito de escutar esta frase.

Nossa relação com a China sempre fluiu muito bem. Do ponto de vista quantitativo, o nosso comércio é ótimo, não pode ser melhor. Eu costumo ressaltar que o nosso superávit comercial com a China é maior do que o total das nossas exportações para os Estados Unidos. É uma forma de comparar muito expressiva.

Por outro lado, qualitativamente, creio que há muito o que fazer. O Brasil não pode ser o celeiro da China, ou ser apenas o isso. Nós temos que ter um desenvolvimento do qual a nossa tecnologia possa também se beneficiar. Como se faz isso? É um desafio para o futuro.

Você não pode imaginar que um país como o Brasil, na medida em que tenha um governo progressista, vá se conformar em ser apenas um fornecedor de matérias-primas e bens alimentícios. Pode até aproveitar uma oportunidade de determinado momento. A França até hoje exporta vinho e queijos. Mas são bens alimentícios mais elaborados, de maior valor agregado.

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