Diaolou, a arquitetura defensiva de Kaiping, no sul da China

A inquietação social no final da dinastia Ming fez surgir vilas fortificadas

Vista aérea de um grupo de magníficos Diaolous em Kaiping, sul da China

O Diaolou é uma residência fortificada. Funciona ao mesmo tempo como casa e fortaleza. A cidade de kaiping, na província de Guangdong, é pontuada por todo tipo de magníficos Diaolos. Pelo fato de exibirem uma combinação de estilos arquitetônicos chineses e ocidentais, eles se tornaram um tipo especial de arquitetura na China rural.

O surgimento do Diaolou está intimamente relacionado a condições sociais específicas. No final a dinastia Ming (1368-1911), em razão da frequente atividade de bandidos em Kaiping, instalou-se ali um clima de intensa inquietação social. Além disso, frequentes ciclones e pesadas chuvas promoviam muitas inundações. Para enfrentar estas calamidades, os habitantes locais começaram a construir imponentes Diaolous. No final da dinastia Qing (1644-1911), pessoas que haviam emigrado para o exterior para ganhar a vida voltaram para a China muito mais ricas, o que atraiu a atenção dos bandidos locais. A fim de permanecer em condições seguras, elas decidiram construir Diaolous fortificados e usá-los como residências. Mais tarde, durante ao República da China (1912-1949), o número de Diaolous em Kaiping cresceu e chegou a 3 mil. Hoje, restam 1,8 mil.

Os muros de um Diaolou erguem-se altos e sólidos, com janelas estreitas. O Diaolou proporciona aos seus moradores uma posição dominante sobre os invasores do lado de fora. Além disto, os muros dos Diaolous têm frestas, o que permite promover retaliações a partir de uma posição segura, defendida.

Em termos de função, o Diaolou de Kaiping pode ser classificado em três tipos: torres de vigia, torres comunitárias e torres residenciais.

O Diaolou é um testemunho do desenvolvimento político, econômico e cultural de Kaiping

Há dois tipos de torres de vigia. As que ficam fora da aldeia são chamadas de torres leves, e eram construídas em conjunto por várias aldeias vizinhas, como reação às atividades de bandidos locais, contando com faróis, armas e outros equipamentos necessários.

O outro tipo de torre de vigia costumava ser construído na entrada da aldeia, com homens revezando-se na guarda. Dispunha-se assim de uma vigilância dia e noite para proteger os aldeões.

Além das torres de vigia, havia torres comunitárias, construídas por várias famílias ou pela aldeia inteira e usadas como abrigo temporário.

As torres residenciais são um tipo relativamente novo, construído por ricas famílias e usadas como residências fortificadas. Nos primeiros anos do período da República da China, ricas famílias locais tinham exigências particulares em relação ao ambiente de convivência que desejavam dar ao Diaolou. Queriam que fosse não apenas defensivo, mas também funcional na vida diária, e foi por isso que se acrescentaram cozinhas, banheiros e escritórios.

As torres residenciais eram financiadas apenas pelos proprietários. Altas e espaçosas, tinham formas diferentes e eram dotas de refinadas decorações, que refletiam os gostos do proprietário. Estes elementos faziam deste tipo de torre o mais artístico entre todos os Diaolous.

O imponente Diaolou e as casas baixas de aldeia ao redor dele formam um conjunto variado. Além disso, com a contínua incorporação de estilos arquitetônicos ocidentais, o gosto estético dos residentes de Kaiping também mudou, e a configuração geral do Diaolou foi aos poucos se transformando, perdendo a feição simples e ganhando complexidade, o que resultou numa fusão híbrida única de estilos chineses e ocidentais.

Esse estilo está mais evidente nos componentes da parte alta da construção. A pedido dos proprietários do edifício, os artesãos empregavam elementos arquitetônicos como colunatas, arcos, abóbadas e outros, extraídos dos castelos da antiga Grécia, de Roma e dos estilos islâmicos, mas permitiam que as torres mantivessem características nativas ao lado desses estilos estrangeiros, e com isso o efeito irradiava um charme artístico único.

Um Diaolou com pátio destaca-se do panorama rural de Kaiping

Decorações com detalhes intrincados também são elementos valorizados nestes edifícios. Normalmente, usava-se o entalhe em freixo. Este tipo de artesanato emprega uma argamassa feita principalmente com conchas, e tem um aspecto singularmente impressionante, que hoje faz parte da herança cultural intangível da China. Os motivos desses adornos minúsculos são palavras chinesas auspiciosas e padrões de animais, mas também podem ser vistas flores, plantas e motivos geométricos ocidentais.

No centro de um Diaolou, há sempre uma placa dependurada horizontalmente com a inscrição do nome do Diaolou. O nome do Diaolou costuma incluir bons augúrios da parte do proprietário. Acima da placa há um componente arquitetônico comum na arquitetura ocidental, o frontão, o que reflete a adoção pelo proprietário da estética ocidental e também a sua mente aberta às influências.

O Diaolou, com sua ênfase em elementos clássicos europeus, é um presente para os olhos na zona rural de Kaiping. Estes espaços de convivência diferentes e a estética trazida pelos chineses que voltavam do exterior permitiram uma integração harmoniosa dos estilos arquitetônicos ocidentais, criando as várias formas dos Diaolous de Kaiping. Eles dão testemunho do desenvolvimento político, econômico e cultural de Kaiping, e constituem um museu vivo de arquitetura moderna e uma galeria de arte única.

Desde junho de 2007 o Diaolou de Kaiping integra o patrimônio cultural da humanidade.

Comentários

Todos os campos abaixo são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.