Conectando a China com o mundo

Mais de cem milhões de alunos ao redor do globo estudam chinês atualmente

Participantes da turma de outono da competição Ponte Chinesa escrevem o caractere chinês para “China” com um pincel de caligrafia, na Universidade Normal de Hainan

“Na última década, o número de alunos que estudavam chinês nas escolas primárias, secundárias e em universidades na França aumentou várias vezes. O chinês virou uma segunda língua popular na França, depois do espanhol, do alemão e do italiano”, declarou Christian Lagarde, vice-reitora da Universidade de Montpellier, na 13ª Conferência do Instituto Confúcio.

Com a ascensão da posição internacional da China e a expansão de sua abertura, a China vem tendo maior intercâmbio com outros países em áreas que vão da economia e política à cultura. O estudo da língua chinesa expande-se pelo mundo.

Até agora, mais de 60 países introduziram cursos de língua chinesa em seus currículos escolares. O número de pessoas que aprendem a língua subiu de 30 milhões em 2004 para mais de 100 milhões atualmente. “Em 2005, apenas 200 escolas secundárias nos EUA ofereciam cursos de chinês, e havia 20 mil alunos estudando a língua. Em 2016, a cifra superou 400 mil”, disse Guo Jiaoyang, diretor da Divisão de Institutos Confúcio da América e da Oceania, da Sede do Instituto Confúcio.

A fim de dar impulso à comunicação e ao intercâmbio internacionais e introduzir sua língua no resto do mundo, a China iniciou em 2004 um programa sem fins lucrativos de estabelecimento de Institutos Confúcio, dedicados ao ensino da língua chinesa e a promover a cultura do país no exterior. Este programa inspira-se na experiência de outros países, como o Reino Unido, a França e a Alemanha, que há décadas promovem sua língua globalmente. Segundo Guo, com a expansão do programa e a materialização de outras políticas de abertura da China, a febre de aprender a língua chinesa tem aumentado em países do Cinturão e Rota.

O presidente chinês Xi Jinping enfatizou em várias ocasiões que o Instituto Confúcio é uma janela e uma ponte para intercâmbios entre o chinês e outras línguas e culturas. É um programa da China e também do mundo. Com esforços conjuntos dos chineses e de seus parceiros locais, o ensino e os serviços prestados pelos Institutos ao redor do mundo têm melhorado de modo consistente, e suas atividades culturais estão agora ainda mais fortalecidas. Os institutos atendem à demanda das pessoas de outros países que querem estudar chinês, e dão uma contribuição positiva à cooperação pragmática em economia e comércio.

O Instituto Confúcio trabalha para promover a diversidade cultural sob o princípio da integração cultural por meio do aprendizado da língua. No final do último mês de novembro, 548 Institutos Confúcio e 1.193 Salas de Aula Confúcio haviam sido criados em 154 países e regiões do mundo inteiro, com 30 institutos fundados apenas em 2018.

Uma ponte unindo corações

Dennis Delehanty, 66 anos, é o aluno mais velho do Instituto Confúcio da Universidade George Mason dos EUA. Em sua longa carreira em relações exteriores e no seu serviço postal do governo americano, Delehanty aprendeu várias línguas. Ao ler obras clássicas de Lao She, Ba Jin, Shen Congwen, Mo Yan e outros autores chineses, sentiu a riqueza da cultura chinesa e a inclusividade e resiliência da nação, declarou à China Hoje.

Na opinião de Delehanty, o pensamento de Confúcio e os princípios do Instituto Confúcio conseguem aproximar a China e o mundo. Para ele, o aprendizado do chinês é mais do que o domínio de uma língua: cria um vínculo emocional. Essa é a contribuição do Instituto à humanidade. Ele espera que mais jovens ao redor do mundo aprendam chinês nos Institutos Confúcio locais, e com isso, conheçam mais sobre a China e juntem as mãos para construir um futuro melhor.

Alunos do Instituto Confúcio participam de uma regata durante o Festival de Barcos do Dragão, em Nova York, no verão de 2016

O Instituto Confúcio da Universidade de Sheffield atualmente conta com 200 classes, que atenderam 14 mil alunos ao longo dos últimos anos. Keith Burnett, antigo reitor da universidade e membro do Conselho da Sede do Instituto Confúcio, exaltou os professores de chinês e os membros da equipe do instituto, enviados com funcionários não governamentais, por meio dos quais as comunidades e indivíduos ao redor do mundo sentem a boa vontade e a dedicação da China. Ele disse que a China mostra excelência na construção de infraestruturas, como no caso das suas pontes, mas a mais importante delas para a comunicação humana não é feita de ferro, aço e pedra. Ele agradece à China por seus esforços na construção de pontes que ligam corações ao redor do mundo e promovem a compreensão entre a China e o resto do planeta.

Além de ministrar aulas, o Instituto Confúcio também organiza ricos eventos culturais para divulgar a cultura chinesa. “O Instituto Confúcio é fruto da reforma e abertura do setor educacional chinês e está estendendo a mão ao mundo; é também um exemplo bem-sucedido de intercâmbios educacionais e de cooperação entre a China e outros países, e também de como promover laços de amizades por meio da cultura”, disse o vice-ministro da Educação da China, Tian Xuejun.

Cooperação multilateral e bilateral

“Eu me apaixonei pela cultura chinesa durante o processo de aprender chinês. Por recomendação do Instituto Confúcio, felizmente arrumei um emprego na China Road and Bridge Corporation (CRBC). Foi assim que a China e a Ferrovia Mombasa-Nairobi tornaram-se parte da minha vida”, disse Eric, um aluno do Instituto Confúcio na Universidade de Nairobi – que fez essa declaração em chinês.

O Instituto Confúcio da Universidade de Nairobi é o primeiro da África. Ele oferece cursos de chinês e programas de treinamento vocacional para formar profissionais que tenham domínio tanto da língua chinesa quanto de técnicas especializadas, para as quais há sólida demanda devido à construção da Ferrovia Mombasa-Nairobi. Além de Eric, cerca de duas dúzias de seus colegas de escola foram recomendados à CRBC. Ele mais tarde foi promovido ao cargo de diretor-executivo do primeiro trem que fez o trajeto pela Ferrovia Mombasa-Nairobi. Alguns dos seus colegas foram trabalhar como condutores de trens, técnicos e atendentes. Eric acredita que aprender a língua chinesa oferece a eles uma perspectiva mais ampla de desenvolvimento pessoal.

“Eles são conhecidos por todos aqueles no Quênia que utilizam a Ferrovia Mumbasa-Nairobi. São fundamentais para a operação do trem, e responsáveis pela operação fluente da linha desde que foi inaugurada”, destaca Issac Mbeche, vice-reitor da Universidade de Nairobi e diretor do Instituto Confúcio.

Muitos Institutos Confúcio abriram também, além dos cursos de língua chinesa, outros cursos práticos – como os de comércio, medicina tradicional chinesa e outras competências –, e comunidade do futuro compartilhado para toda a humanidade, buscando prosperidade comum e o desenvolvimento dos países ao redor do mundo.

Acampamento de verão organizado pela Universidade Jiangsu e o Instituto Confúcio da Universidade de Graz levaram 14 estudantes austríacos em julho passado para a cidade de Zhenjiang, Província de Jiangsu, para aprender chinês e ter contato com a cultura tradicional chinesa

Segundo a sede do Instituto Confúcio, a Hanban, existem hoje 153 Institutos Confúcio e 149 Salas de Aula Confúcio nas escolas primárias e secundárias de 54 países ao longo do Cinturão e Rota. Esses institutos dão cursos sobre habilidades necessárias ao povo local, além dos cursos de chinês. Ao mesmo tempo, alguns deles centros de pesquisa Cinturão e Rota e Institutos Confúcio Marítimos da Rota da Seda, que promovem palestras, fóruns e conferências sobre o Cinturão e Rota, fomentando a força mental dos participantes para o desenvolvimento da iniciativa.

O Instituto Confúcio também funciona como intermediário e facilitador da cooperação entre a China e outros países do Cinturão e Rota, em várias áreas. Por exemplo, o instituto na Universidade de Khon Kaen da Tailândia iniciou um programa para ensinar as equipes que trabalham em trens de alta velocidade; uma escola na Ucrânia oferece treinamento para a empresa aérea nacional; outra na Bielorrússia forma profissionais falantes de chinês para trabalhar nos parques industriais construídos ali conjuntamente pelos dois países; e outro instituto no Tadjiquistão oferece treino para membros de equipes locais de uma companhia chinesa que opera no país.

Segundo o vice-diretor da Hanban, Ma Jianfei, nos últimos anos os serviços do Instituto Confúcio vêm abrangendo da pré-escola à universidade, e atendem também a alunos de graduação e ouvintes, oferecendo desde aprendizagem de chinês de negócios, chinês para viagens, tradução avançada, pesquisa acadêmica e outras opções. Mais de dois milhões de cidadãos estrangeiros já frequentaram o instituto, que organiza vários exames de proficiência em língua chinesa, com um total de 15 milhões de participantes.

Nos últimos 13 anos, o Instituto Confúcio desempenhou um papel único na promoção do entendimento mútuo, na busca de terreno comum, no incentivo à cooperação e à amizade, aproximando a China do resto do mundo.

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