Cientistas chineses contribuíram para a primeira imagem de um buraco negro

Fruto de uma colaboração internacional, os cientistas chineses participaram de observações na Espanha e no Havaí e na análise de dados e explicação teórica do buraco negro

Astrônomos chineses contribuíram para a missão mundial de captar a primeira imagem de um buraco negro supermassivo localizado no centro da distante galáxia M87. A imagem foi baseada nas observações do Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT, na sigla em inglês), uma rede planetária de oito radiotelescópios terrestres criada através da colaboração internacional, e mostra uma estrutura anelar em forma de meia-lua com uma região central escura, a sombra do buraco negro.

O buraco negro localiza-se no centro da M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, com uma massa 6,5 bilhões de vezes maior que a do Sol. “Esta é a primeira evidência visual direta sobre buracos negros obtida por humanos, o que confirma que a teoria geral da relatividade de Einstein ainda é válida em condições extremas”, disse Shen Zhiqiang, diretor do Observatório Astronômico de Xangai.

Os buracos negros são extraordinários objetos cósmicos com enormes massas, mas com tamanhos extremamente compactos, o que produz uma força gravitacional tão forte que até a luz pode escapar. A presença destes objetos afeta o ambiente de forma extrema, distorcendo o tempo-espaço e expondo a altas temperaturas qualquer material nos arredores.

Prognosticados há quase um século pela teoria da relatividade geral de Einstein, os buracos negros não só existem como também geram alguns dos fenômenos mais supremos do universo, de acordo com os cientistas.

As observações utilizam uma técnica chamada interferometria de muito longa base (IMLB) que sincroniza as instalações de telescópios ao redor do mundo e aproveita a rotação da Terra para formar um enorme telescópio do tamanho do planeta que observa longitudes de onda de 1,3 mm. A IMLB permite ao EHT obter uma resolução angular de 20 microssegundos de arco, o suficiente para ler um jornal em Nova York de uma cafeteria em uma calçada de Paris, explicaram os cientistas.

Para obter a imagem, também foi usado o suporte do Centro de Megaciência Astronômica da Academia Chinesa de Ciências, estabelecido pelos Observatórios Astronômicos Nacionais, pelo Observatório da Montanha Púrpura e pelo Observatório Astronômico de Xangai. Cientistas chineses participaram das observações na Espanha e no Havaí e contribuíram para a análise de dados e a explicação teórica do buraco negro.

O Observatório Astronômico de Xangai assumiu a liderança na organização e coordenação dos pesquisadores chineses para participar das observações e estudos. “A bem-sucedida captura da imagem do buraco negro no centro da M87 é apenas o começo da colaboração EHT”, disse Shen. “Esperamos mais resultados emocionantes como este no projeto EHT em pouco tempo”.

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