China e Brasil: terras distantes, futuro compartilhado

Artigo escrito por Yang Wanming, Embaixador da China no Brasil

Yang Wanming, Embaixador da China no Brasil

Parabenizo a revista China Hoje pelo 5º aniversário de sua versão em português. As suas matérias publicadas nesses cinco anos ajudaram o público brasileiro a conhecer melhor a China contemporânea e as novidades do desenvolvimento da parceria sino-brasileira e conseguiram atrair mais seguidores e apoiadores para o relacionamento bilateral sino-brasileiro. Espero que a publicação continue servindo como uma vitrine para fomentar o entendimento mútuo entre os dois povos e transmitir um forte espírito de amizade entre as duas nações.

Ao longo dos 46 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, graças aos esforços de várias gerações em ambos os países, a confiança política mútua tem se aprofundando, as cooperações pragmáticas têm rendido frutos e os intercâmbios cultural e interpessoal têm sido cada vez mais dinâmicos. A amizade entre China e Brasil constitui um ativo comum dos dois povos. Diante dos desafios impostos pela pandemia, a China e o Brasil, sempre solidários, demonstram, com ações concretas, que o futuro dos dois países é interdependente. No momento mais difícil da luta contra a COVID-19 na China, recebemos a preciosa solidariedade de toda a sociedade brasileira. Nos últimos meses, o governo chinês disponibilizou ao Brasil dois lotes de materiais de saúde. Várias províncias, municípios e empresas da China doaram respiradores, máquinas de tomografia, roupas de proteção, kits de teste, leitos hospitalares e outros suprimentos, com um valor total superior a R$ 40 milhões. A parte chinesa organizou mais de 20 videoconferências de intercâmbio entre profissionais de saúde, além de auxiliar o Brasil na aquisição de 1.200 toneladas de equipamentos e produtos médicos na China. Há também parcerias entre instituições de pesquisa biofarmacêutica para o desenvolvimento de vacinas. O povo brasileiro pode contar com o nosso firme apoio para vencer esta luta contra a COVID-19.

Ao mesmo tempo, a nossa parceria bilateral vem superando os impactos causados pela pandemia com novos avanços. Segundo as estatísticas brasileiras, entre janeiro de julho, o comércio China-Brasil teve um aumento de 7%. As vendas para a China registraram uma alta de 15%, e os produtos agrícolas ganharam destaque com 30% de expansão. Além disso, há muitos outros projetos que ilustram a alta complementaridade, forte resiliência e enorme potencial das cooperações pragmáticas entre os dois países. No início do ano, foi inaugurada a estação brasileira na Antártida, reconstruída por uma empreiteira chinesa. Navios FPSO de fabricação chinesa estão produzindo petróleo e gás natural em alto mar na Bacia de Santos. A construção das usinas termelétricas no Porto do Açu também conta com a participação chinesa. Há parceria também na manufatura de ônibus articulado elétrico para levar transporte público limpo à cidade de São José dos Campos.

Atualmente, tanto a China como o Brasil lidam com os mesmos desafios de enfrentar a pandemia, estabilizar a economia e garantir o bem-estar da população. A China está disposta a planejar com o Brasil a parceria bilateral em todas as áreas durante e após a pandemia, com o objetivo de promover a retomada econômica e a melhoria dos meios de vida. Neste momento, a economia chinesa já está se recuperando dos impactos da pandemia. No segundo trimestre, o seu PIB teve uma alta de 3,2%, tornando a China como a primeira grande economia com resultado positivo no cenário atual. Espera-se, inclusive, que esse crescimento se mantenha até o final do ano. O mercado chinês será ainda mais aberto aos produtos brasileiros de qualidade e alto valor agregado. Empresas chinesas também acompanham de perto planos e políticas de desenvolvimento no pós-pandemia, e estão interessadas em projetos de investimento em áreas como infraestrutura, agronegócios e telecomunicações. Ao mesmo tempo, devemos abrir novas frentes como 5G, economia online e pesquisas farmacêuticas, sofisticando as nossas cooperações através de ciência, tecnologia e inovação.

Embora distantes, nossas terras têm um futuro compartilhado. Tenho certeza de que o povo brasileiro, perseverante e unido, vencerá a pandemia em breve, e que a amizade sino-brasileira sairá ainda mais forte desta batalha conjunta. Vamos caminhar juntos para identificar oportunidades em meio à crise e promover maiores crescimentos da nossa parceria, trazendo benefícios para os dois povos.

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