Autor: Victoria Amorim

A China, segundo jovens sinólogos brasileiros

novembro 1, 2019 1:55 pm Published by Leave your thoughts

Muito, se não a maior parte, da informação sobre a China recebida pelo Brasil passa pelo filtro do olhar da grande imprensa ocidental. Afinal, são os grandes veículos de comunicação e agências de notícias norte-americanas ou europeias que conseguem ter escritórios ou correspondentes na China e são fonte primária do noticiário que se propaga pelo ocidente. Não que isso seja necessariamente ruim – e há muitos exemplos de jornalismo de altíssima qualidade – mas não se pode ignorar o viés embutido no olhar dos países desenvolvidos sobre a realidade chinesa, muitas vezes diferente do olhar de um país como o Brasil, que guarda muitas semelhanças com a China: dimensões continentais, a luta pelo desenvolvimento e superação de desigualdades, os desafios ambientais, dentre outros tantos.

Para servir como uma espécie de contraponto ao mainstreaming da informação sobre a China, a Editora Batel, em parceria com a Go East Brasil, reuniu textos de dez sinólogos brasileiros da nova geração no livro “A China por Sinólogos Brasileiros: Visões dobre Economia, Cultura e Sociedade”, organizado por Evandro Carvalho (editor da China Hoje) e Janaína Câmara Silveira. Lançado pelo selo SHU, o livro promove um olhar sobre a China sob diversas perspectivas, como a econômica, a cultura e a social.

Os artigos presentes no livro são o resultado da participação de cada um dos autores no programa do governo chinês “Jovens Sinólogos Visitantes”, que existe desde 2014. O programa convida pesquisadores de todo o mundo para um mês na China, com visitas, palestras e cursos sobre o país. Como esses sinólogos têm formações variadas, cada artigo lança um olhar diferente sobre o país asiático.

Segundo Carvalho, a ideia inicial de lançar um livro com sinólogos brasileiros da nova geração foi de Janaína Silveira, ela mesma participante do programa de sinólogos visitantes, juntamente com o próprio Evandro, Lúcia Anderson, Pedro Henrique Barbosa, Santiago Bustelo, Tulio Cariello, Paula Carvalho, Elias Marco Khalil Jabbour, Caroline Pires Ting e Larissa Wachholz.

Entre os diferentes temas abordados nos artigos, é possível encontrar análises da relação Brasil-China do ponto de vista econômico, sobre o sistema político chinês contemporâneo, a influência do confucionismo nos dias de hoje e até mesmo sobre as coleções que o poeta português Camilo Pessanha fez sobre a China.

De acordo com Carvalho, o mais interessante que o livro traz é o olhar brasileiro, que vem sendo bastante procurado pelo público interessado em China. “É como se houvesse uma carência, uma vontade de conhecer a China pelo olhar do Brasil e não apenas pelo olhar dos países desenvolvidos do ocidente”, explica ele.

O lançamento oficial do livro aconteceu no dia 19 de agosto na FGV-Rio e contou com a presença dos organizadores e de alguns autores que falaram sobre os seus artigos apresentados na obra.

Por Victoria Amorim

Turnê mundial de monge Dashan passa por São Paulo

janeiro 16, 2019 10:20 am Published by Leave your thoughts

A cidade de São Paulo recebeu a exposição de pinturas e caligrafias do monge chinês Dashan, também conhecido como Zisong Xuanzhu (Mestre dos Pavilhões dos Pinheiros Lilás) no Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo entre os dias 9 e 15 de janeiro. Batizada de “A Arte de Dashan: A Arte de uma Era Espiritual Ilumina Todas as Coisas Vivas”, a mostra conta com 48 obras produzidas nos últimos 10 anos e o próprio artista veio ao Brasil para participar da sua abertura.

Ao falar sobre suas inspirações e sua trajetória como artista, Dachan ressaltou que a sua afinidade com as artes e a observação das coisas veio desde a sua infância e que a essência de suas obras vem da interiorização das coisas. “A minha arte expressa a conexão de várias coisas, vários sentimentos e várias percepções. É isso que eu quero passar para as pessoas, quero que elas, ao sentir isso, possam se conectar a outro mundo”.

Obra do monge Dashan

A curadora da exposição, Astrid Narguet, falou um pouco sobre como a arte do monge Dashan se conecta com a natureza e a energia vital natural. ” As obras dele são interessantes para tanta gente porque não são sobre nada concreto, são sobre isso, sentir o mundo”.

Em turnê mundial, a mostra já passou por diversos países, como Japão, Tailândia, Arábia Saudita, Índia, Alemanha, Rússia, Itália e Inglaterra. Depois de passar pelo Brasil, a mostra seguiu rumo a África do Sul. Para Dashan, esse ponto de contato é muito importante, pois é a união do Oriente com o Ocidente. “A gente tem a confiança de levar isso para o mundo com a intenção de acreditar que a arte pode despertar as pessoas, trazer afinidades. Essa arte é uma arte oriental, mas não pertence à China ou ao Oriente, ela pertence ao mundo, ao Universo.”

Obra do monge Dashan

Astrid, por sua vez, ressaltou que o mundo está passando por um momento de muita violência e que a arte de Dashan simboliza a esperança. “Nós acreditamos que o Ocidente e a Ásia devem estar juntos, como um prelúdio de uma nova civilização, então achamos que a cultura asiática, junto da cultura ocidental, vai trazer uma nova esperança. Apreciar a obra de Dashan e ver essa união do Ocidente com o Oriente pode ajudar as pessoas a ter uma visão do futuro.”

Por Victoria Amorim

As megamáquinas que estão construindo a Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota

agosto 4, 2018 11:24 am Published by Leave your thoughts

A Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, projeto do presidente chinês Xi Jinping lançado em 2013, tem chamado cada vez mais a atenção do resto do mundo graças ao seu significativo avanço, tanto em território chinês quanto fora dele. O objetivo do plano é conectar a economia da China à de dezenas de países, interligando cerca de 70 nações por vias terrestres e marítimas.

A construção de ferrovias na própria China vem assumindo uma velocidade avançada, resultado de desenvolvimento tecnológico e investimentos em maquinário para otimizar ainda mais esse processo. A fim de evitar uma grande quantidade de curvas em áreas onde há vales e desfiladeiros, por exemplo, foi criada uma máquina de construção de pontes.

Batizado de SLJ900/32, o veículo possui 92 metros, 64 rodas e é capaz de transportar segmentos de trilhos, erguendo-os e posicionando-os de forma a conectar os vãos entre colunas. A máquina pesa 580 toneladas e atravessará as pontes e ferrovias como forma de garantir a sua resistência.

O projeto também conta com escavações de túneis, criando rodovias subterrâneas como o projeto da Rodovia de Su’ai, em Shantou. O início do projeto contou com ferramentas vindas de outros países, mas a China já começou a fabricar as suas próprias máquinas de perfuração de túneis, as chamadas TBMs (de Tunnel Boring Machine).

A TBM chinesa tem 15,3 m de diâmetro, 100 m de comprimento, e, graças ao seu disco giratório na parte posterior, pode cortar tanto a terra quanto rochas que estão no caminho em que ficará a rodovia. A ideia é que quando for inaugurada, em 2019, a rodovia modernize as redes de transporte da região e torne Shantou um “porto-chave”, melhorando as conexões comerciais Ásia-Europa e Ásia-Leste da África.

Em outras partes do mundo os projetos financiados pela China também estão avançando, como é o caso da ferrovia Mombaça-Nairóbi, no Quênia. Construída por uma máquina de implementar trilhos que transporta trechos pré-fabricados ao longo da linha de trem que leva apenas quatro minutos para instalar cada eixo, a ferrovia foi concluída em 2017 e deve se expandir para unir Uganda, Ruanda, Sudão do Sul e Etiópia.

Por Victoria Amorim