Autor: Jussara Goyano

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Mais parceiros do que nunca

janeiro 13, 2018 8:48 pm Published by Leave your thoughts

Petróleo e soja seriam as duas commodities a cimentar as relações sino-brasileiras

Petróleo, soja e setor de transporte são apostas da parceria

(Reportagem de João Marcos Rainho)

A China já investiu R$ 60 bilhões na compra de empresas no Brasil desde 2015. Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), os chineses devem desembolsar, ainda este ano, mais de US$ 20 bilhões na compra de ativos no país – volume 68% superior ao de 2016. A robustez desse movimento transformou o Brasil no segundo maior destino de investimentos chineses na área de infraestrutura no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Na lista de companhias que planejam desembarcar no Brasil, de olho especialmente nos setores de energia, transporte e agronegócio, estão a China Southern Power Grid, a Huaneng, a Huadian, a Shangai Electric e a Guoudian.
No setor financeiro, a presença de instituições chinesas no Brasil tem ganhado relevância nos últimos anos. Além de representações dos maiores bancos chineses (todos estatais: o Banco de Desenvolvimento da China – CDB), Banco da China – BOC, o Banco Industrial e Comercial da China – ICBC e o Construction Bank – CCB, além do EximBank China), tem ocorrido, também, aumento da presença no Brasil de bancos privados e fundos de investimento (Haitong, Banco de Comunicações da China, Fosun).

Aquisições – Segundo estimativas apuradas pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), de 2015 para cá, os chineses compraram 21 empresas brasileiras, que somaram juntas cerca de US$ 21 bilhões. A China Merchants Port Holdings Co Ltd, por exemplo, comprou 90% da operadora de instalações portuárias brasileiras TCP Participações, com sede em Curitiba, por R$ 2,9 bilhões. Nessa conta do governo não entrou a recente aquisição da SPIC Pacific Energy (uma das cinco maiores geradoras de energia chinesas), que arrematou em leilão por R$ 6,74 bilhão a hidrelétrica São Simão da Cemig (MG).

Nos próximos meses, vários negócios em andamento poderão ser concluídos, como no caso da Shanghai Electric, que estuda assumir projetos de transmissão elétrica. Outro destaque fica por conta da CCCC, que tem interesse em diversos ativos, entre construtoras e ferrovias. A Pengxin também avalia novos investimentos agrícolas no Brasil. Sem contar aquisição de empresas internacionais com negócios no Brasil, caso da Pirelli e do aplicativo para transporte 99.
Com tudo isso a China adquire crescente relevância na economia brasileira. Nos últimos anos, os investimentos chineses no país têm passado por diferentes fases. Num primeiro momento, o IED (Investimento Estrangeiro Direto) chinês concentrou-se em setores mais relevantes da pauta de importações chinesa, como energia, mineração e commodities.

Em um segundo momento, verificou-se o aumento da participação chinesa em áreas como comunicações, eletrônicos, máquinas e equipamentos. Apareceram igualmente companhias com pouca ou quase nenhuma experiência no mercado externo e algumas delas – incluindo o setor automobilístico – enfrentaram dificuldades no Brasil pela falta de orientação adequada de como funcionava o mercado nacional.

 

Oportunidades para brasileiros

Com seu mercado consumidor de mais de 1,3 bilhão de habitantes, a China terá demanda cada vez maior pelos produtos brasileiros, pois, na avaliação do embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Caramuru, estão melhorando as condições de vida da população e aumentando a renda per capita.
A pauta exportadora do Brasil para o mercado chinês concentra-se em proteína animal, grãos, minério de ferro, polpa e celulose. “A China não é nosso concorrente, [o país] é nosso grande comprador”, afirmou Caramuru. “No ano passado, o Brasil exportou 80% de todo o frango importado pela China e foi de longe o maior exportador de carne bovina. Também exportou em torno de 60% da soja importada pela China.”
O número de empresas brasileiras na China ainda é pouco significativo, na avaliação do Itamaraty, uma vez que os investimentos estrangeiros diretos enfrentam algumas dificuldades específicas do mercado chinês, em geral relacionadas à forte regulação de setores estratégicos pelo governo, o que inclui muitas vezes a obrigatoriedade de operar com parcerias locais. Empresas brasileiras estão presentes na China em setores como mineração (Vale), cimento (Votorantim), financeiro (Itau), bebidas (AB Inbev), alimentos (BRFoods, Marfrig, Burguer King – controlada pelo fundo de investimento brasileiro 3G Capital), motores (Weg e Embraco), autopeças (Maxion, Marcopolo e Fras-Le) e calçados (Bibi). Ademais, diversas empresas brasileiras contam com escritórios de representação no país, como a Suzano (papel e celulose), Queiroz Galvão e Odebrecht (construção civil), a Tramontina (utilidades domésticas), a Soprano (metalurgia hidráulica), a Oxiteno (solventes), a Petrobras, entre outras.

Mais recentemente, num movimento considerado pelo Ministério das Relações Exteriores como a terceira onda de investimentos chineses no Brasil, mais estruturado que os anteriores em termos de assessoria financeira e jurídica, nota-se forte interesse em segmentos de infraestrutura (transmissão e geração de energia) e serviços, a exemplo do setor financeiro e de Tecnologia da Informação, bem como crescente participação do setor privado nos investimentos.

O Conselho Empresarial Brasil-China – CEBC concorda com essa avaliação, destacando que a presença de empresas chinesas no país é crescente e se deu, inicialmente e, principalmente, na abertura de filiais, com a presença de empresas importantes em diversos segmentos, e das aquisições de negócios ligados ao segmento de commodities e de energia. Agora, os segmentos industrial e financeiro ganharam relevância, como companhias do setor automotivo, eletrodomésticos, máquinas pesadas e os principais bancos chineses, além de grupos de telefonia e de energia.

Por que tamanho interesse da China pelo Brasil? Em busca de uma resposta, Tulio Cariello, coordenador de análise e pesquisa do CEBC, diz que há inúmeras razões para esse movimento. “Primeiramente, sob uma ótica pragmática, o quadro recente das políticas econômicas do país favorece a entrada de empresas chinesas, que percebem um panorama atrativo para investimentos no Brasil.” E acrescenta: “Esse interesse se manifesta, dentre outros fatores, devido à desvalorização relativa do real, ao certo grau de desenvolvimento da indústria nacional, ao mercado consumidor emergente e à própria escala da economia brasileira, que em, contexto regional, é relativamente mais desenvolvida do que a maioria dos países vizinhos. Além disso, mais recentemente, o movimento favorável a privatizações do governo brasileiro sem dúvida chama ainda mais a atenção de possíveis investidores chineses, vide a recente visita de Estado feita por Temer à China (leia no box), na qual foram assinados diversos acordos bilaterais, privados e públicos”.

Tulio complementa dizendo que “cabe mencionar também que o interesse da China em investir no Brasil não é um caso isolado, uma vez que está em curso um processo de going global de inúmeras empresas chinesas, que vêm demonstrando grande apetite em entrar em mercados estrangeiros, seja por meio de investimentos greenfield, joint-ventures e, sobretudo, projetos de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). No Brasil, por exemplo, pouco mais da metade dos investimentos chineses realizados no ano passado foram feitos via M&A”. Nesse sentido, o Conselho Empresarial Brasil-China indica em seus estudos que os investimentos chineses no país já se fazem presentes em setores muito diversificados, que vão desde o agronegócio até investimentos na área de aviação ou grandes projetos de infraestrutura energética. De acordo com a Dealogic, consultoria baseada em Londres, no acumulado do ano até 17 de abril, fusões e aquisições chinesas no Brasil somaram US$ 5,67 bilhões.

Sob uma ótica geopolítica, pode-se pensar também que para a China é interessante ter no Brasil um ponto focal na América Latina, dado que em termos políticos e econômicos o país tem grande peso na agenda regional. Além disso, há também a hipótese de “ocupação de espaços”. Na história recente do Brasil e da América Latina, os Estados Unidos por muito tempo tiveram grande interesse na região, sobretudo em um contexto de Guerra Fria. No entanto, passada a urgência gerada por essas tensões ideológicas e o surgimento de novos tópicos na agenda internacional, houve relativo afastamento de Washington em relação à região. “Hoje”, comenta o pesquisador do CEBC, “a política externa americana está muito mais centrada em questões como o combate ao terrorismo, tensões no Mar do Sul da China e a instabilidade gerada pelo programa nuclear da Coreia do Norte. Dessa forma, há sem dúvida a abertura para maior influência de outras potências na região, como tem sido visto com o avanço da agenda de investimentos da China no Brasil.”

Turbulência econômica não preocupa – Nem a desaceleração econômica brasileira impede os novos projetos, pois os investidores chineses parecem ter guiado sua atuação a partir da perspectiva de longo prazo. De forma geral, ainda que os investimentos feitos pelos chineses sejam diversificados, desde 2012 os mais vultosos têm se concentrado no setor de energia, sobretudo infraestrutura energética. Gigantes como China Three Gorges e State Grid têm investido massivamente no país, marcadamente por meio da aquisição de ativos já maduros em solo brasileiro. A título de comparação, em 2016, o valor dos investimentos feitos na área de energia foi mais do que o dobro da soma de todos os investimentos realizados em outras áreas.

Em 2016 os investimentos chineses anunciados no Brasil chegaram a US$ 12,5 bilhões, dos quais US$ 8,39 bilhões foram confirmados pela apuração do CEBC. Tulio é prudente ao tentar prever um valor exato para 2017, “mas com o movimento pró-privatização do governo Temer e a quantidade de anúncios feitos ao longo deste ano, sobretudo de investimentos volumosos de grandes empresas como China Three Gorges, State Grid e CCCC, é provável que o valor final supere o do ano passado”.

As perspectivas futuras devem seguir nessa direção, admite Tulio Cariello, “visto que já em 2017 temos observado um novo impulso dado por essas grandes empresas chinesas do setor energético. Mais do que isso, creio que há grande interesse por parte dos chineses em investir em infraestrutura de forma geral, o que beneficiaria o volumoso comércio bilateral, mas fatores internos brasileiros como a falta de clareza de um marco regulatório podem prejudicar a entrada de grandes projetos”.

Trajetória – Brasil e China aproximaram-se economicamente no período mais contemporâneo da história a partir de 1974 quando embaixadas de ambos os países foram reabertas. Mas as coisas esquentaram desde a visita oficial então presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à China em 2009 com 450 representantes de empresas nacionais – um mês depois de a China ter se tornado o principal parceiro comercial do Brasil. O presidente da China, Xi Jinping, retribuiu a visita cinco anos depois, no governo Dilma, celebrando 40 anos de relações diplomáticas, e assinaram acordos de cooperação em diferentes áreas.

Prefeitos querem participar

Os municípios também estão na rota de investimentos chineses. Diversos prefeitos brasileiros viajaram à China para conhecer inovações na administração pública e atrair capital estrangeiro. Além disso a China tem colaborado financeiramente com várias administrações. João Doria, prefeito de São Paulo, esteve nas metrópoles Pequim, Xangai, Hangzhou e Shenzhen a convite do governo chinês e da Câmara do Comércio Brasil-China. O gestor paulistano conseguiu a doação de quatro veículos elétricos, 4 mil câmeras de vigilância, drones, painéis solares para hospitais e outros presentes para a cidade avaliados em R$ 10 milhões. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, foi outro que desembarcou em Pequim, com objetivo de atrair negócios na área de turismo e saúde. Voltou com um empréstimo de US$ 644 milhões do NDB (New Development Bank). Os chineses planejam ainda investir R$ 32 bilhões na cidade do Rio de Janeiro – a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto), Angra 3 e venda da Light são alguns projetos. Outros municípios menores também contam com apoios chineses. Guarujá (SP) anunciou parcerias em turismo e negócios portuários. “A China tem interesse em construir em nossa cidade um entreposto de mercadorias exportadas para nosso país”, comunica Thais Margarida, secretária de Turismo do Guarujá. A cidade litorânea paulista estabeleceu uma irmandade com o município chinês Xiamen, o que deve fomentar o turismo bilateral.

O último encontro com agenda governamental e empresarial foi em agosto, quando o presidente Michel Temer desembarcou em Pequim para reuniões com o colega Xi Jinping e investidores chineses antes de participar da 9ª cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no mês seguinte. Foram firmados 14 acordos governamentais e empresariais.

Durante seminário empresarial em Xangai, foram assinadas a venda de dois jatos Phenom 300, da Embraer, para a companhia Colorful Yunnan, e de cinco jatos E190 para a Colorful Guizhou Airlines.
Outra empresa chinesa, a State Grid, assinou acordo para comprar fatia de 23% da participação da Camargo Correa S.A. na CPFL Energia. A transação é estimada em US$ 1,83 bilhão (R$ 5,92 bilhões). Outro acordo de aquisição foi o de 50,1% da sociedade de investimentos Rio Bravo pelo grupo Fosun.

O grupo WTorre formalizou um acordo com a China Communications and Construction Company International (CCCC) para um investimento de R$ 1,5 bilhão em um terminal multicargas na região de São Luís (MA). A CCCC também anunciou parceria com o Banco Modal, para atuar como assessora financeira da empresa em projetos e investimentos na área de infraestrutura no Brasil. Também no Maranhão, foi assinado um investimento de US$ 3 bilhões entre o governo estadual e a empresa CBSteel para a construção de uma siderurgia na cidade de Bacabeira. A iniciativa deve gerar em torno de 5 mil empregos.

O embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Caramuru, classifica de “dinâmica” a relação bilateral entre Brasil e China e ressalta que o comércio e os investimentos entre os dois países estão em franca ascensão. “Nos quatro primeiros meses do ano, o superávit com a China foi responsável por mais de 40% do nosso superávit comercial. Somos um dos poucos países que têm superávit com a China. O comércio se beneficiou da maior propensão a comprar dos chineses e do fato de os preços das commodities agrícolas e minerais terem aumentado muito”, disse o diplomata.

Para Caramuru, os projetos brasileiros de concessão em infraestrutura continuarão atraindo as empresas chinesas. “Os chineses têm grande capacidade de participar de licitações e serem vitoriosos por terem acesso a financiamento e uma expertise imensa em infraestrutura.” O diplomata lembra que antes as instituições financeiras chinesas se instalavam no país trazendo pessoal e modelo de gestão e esse cenário começou a mudar ao operarem em conjunto com administradores brasileiros. “Vejo a dinâmica das relações muito viva. Isso é uma coisa importante. Reflete uma melhor compreensão dos chineses sobre a nossa realidade. É um sinal de amadurecimento muito grande”, completou.

Uma pauta rica e diversificada

De cinema a energia nuclear, de comércio eletrônico ao futebol, os acordos de cooperação recém-assinados apontam para uma parceria cada vez mais diversificada

I Acordo entre o governo da República Federativa do Brasil e o governo da República Popular da China sobre a facilitação de vistos de turista;

II Emenda ao acordo entre o governo da República Federativa do Brasil e o governo da República Popular da China sobre facilitação de vistos de negócios;

III Acordo de coprodução cinematográfica entre o governo da República Federativa do Brasil e o governo da República Popular da China;

IV Memorando de entendimento sobre comércio eletrônico entre o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China;

V Plano de ação entre o Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Saúde e de Planejamento Familiar da República Popular da China na área da saúde para o período de 2018-2020;

VI Memorando de entendimento entre a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena da República Popular da China e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) da República Federativa do Brasil e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia da República Federativa do Brasil;

VII Memorando de entendimento entre o governo da Bahia e a CREC sobre o Projeto Bamin-Fiol-Porto do Sul;

VIII Licenciamento da fase 2 da usina de Belo Monte – transmissão de alta tensão no trecho Xingu-Rio de Janeiro entre o Ministério de Minas e Energia e a State Grid;

IX Draft de acordo entre o Eximbank e o Banco do Brasil para abertura de crédito de US$ 300 milhões;

X Memorando de entendimento entre a CBF e a CFA sobre cooperação em futebol;

XI Memorando de entendimento entre a Eletrobras e a China National Nuclear Corporation para continuidade da construção de Angra 3;

XII Acordo-quadro entre o BNDES e a Sinosure para prestação de garantias a investidores chineses no Brasil;

XIII Acordo entre o BNDES e o China Development Bank (CDB) para aprofundamento da cooperação estratégica para definição de parâmetros para estabelecimento de futura linha de crédito no valor de US$ 3 bilhões;

XIV Contrato de financiamento da China Communication and Construction Company (CCCC) para construção do terminal de uso privado no porto de São Luís, com investimento no valor de US$ 700 milhões;

XV Termo de ratificação dos acordos para implantação do parque siderúrgico entre o governo do estado do Maranhão e a CBSTEEL;

XVI Memorando de entendimento entre o Banco do Brasil e o Industrial Commercial Bank of China (ICBC);XVII Protocolo de intenções entre a Itaipu e a China Three Gorges Corporation;

XVIII Memorando de entendimento entre o Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura (ANESSA) e a China Communication Construction Company (CCCC), para a aquisição do TGB (Santa Catarina);

XIX Acordo de cooperação estratégica abrangente entre a Petrobras e o China Development Bank (CDB);

XX Memorando de entendimento entre a Embaixada da República Federativa do Brasil na China, o Museu Minsheng de Pequim, e Currents Art & Music sobre a exposição Troposphere de arte contemporânea sino-brasileira;

XXI Memorando de entendimento entre a Embaixada da República Federativa do Brasil na China e China Film Croup Corporation sobre importação, distribuição e promoção do filme “Nise: o coração da loucura”;

XXII Memorando de entendimento entre a Confederação Brasileira de Futebol e a Kingdomway Sports com o objetivo de estabelecer as bases iniciais para possível parceria referente à internacionalização do futebol brasileiro.


Novo normal, novas práticas

janeiro 13, 2018 7:34 pm Published by Leave your thoughts

Instalações da Yukun Iron and Steel na cidade de Yuxi, Província de Yunnan. Yunnan vem diminuido a sobrecapacidade e realizando um upgrade de suas companhias de ferro e aço

Instalações da Yukun Iron and Steel na cidade de Yuxi, Província de Yunnan. Yunnan vem diminuido a sobrecapacidade e realizando um upgrade de suas companhias de ferro e aço

(Reportagem de ZHANG HUI)

No final de 2015, um novo termo surgiu no campo político e econômico da China – reforma estrutural da oferta –, introduzido como uma nova medida para resolver novos problemas, no momento em que a economia da China entrava em seu “no

vo normal”. Acompanhando o crescimento da população de renda média, o país assiste ao surgimento de demandas diversificadas, personalizadas e de nível mais elevado. Além disso, os setores que tiveram um upgrade abrigam maiores demandas por serviços e produtos que envolvam P&D, design, padrões, cadeias de suprimentos e redes de marketing e logística. Em comparação, o lado da oferta tem ficado claramente defasado em relação às exigências da China, mostrando uma oferta supérflua e inadequada de itens de nível inferior, insuficiente para atender a um padrão nível médio-alto. Para complicar, alguns dos atuais mecanismos e instituições restringem o ajuste da oferta, criando uma situação em que os fatores de produção não fluem adequadamente dos setores mais baixos para os de qualidade média a alta, o que bloqueia o potencial da China de suprir novos produtos e serviços.

O presidente chinês Xi Jinping enfatizou a importância da “reforma estrutural da oferta” em 10 de novembro de 2015, na 11ª reunião do Grupo Líder do Partido Comunista Chinês para Assuntos Financeiros e Econômicos. A meta é melhorar a qualidade e eficiência do sistema de oferta da China, força motriz que alimenta o crescimento sustentável da economia, com o objetivo de alcançar a melhoria geral da produtividade social do país.

 

Realizações básicas – A principal tarefa da reforma estrutural da oferta é reduzir a sobrecapacidade, diminuir o excesso de estoques, desalavancar, cortar custos e fortalecer áreas frágeis, a fim de obter um equilíbrio entre oferta e demanda em um patamar mais elevado.

A sobrecapacidade tem perturbado a China há um bom tempo, com alguns produtos industriais mostrando um excedente muito superior à demanda real, o que causa queda nos preços desses produtos e consequentemente diminui a margem de lucro de importantes empresas. Ao mesmo tempo, muitas cidades do segundo e terceiro escalões da China têm visto aumentar o estoque de unidades de imóveis comerciais. Cortar a sobrecapacidade irá facilitar o fluxo de fatores de produção e tornar os preços de produtos industriais mais racionais. A redução de estoques ajudará a estabilizar o mercado imobiliário e a evitar grandes flutuações econômicas, diminuindo o risco de inadimplência por meio da dinamização do fluxo de capitais.

O diretor do Instituto de Estudos de Política Energética da Universidade de Xiamen, Lin Boqiang, destaca que a prioridade de cortar a sobrecapacidade deve ser adotada pelos setores de alto consumo de energia e pelos setores ligados a recursos minerais e à construção de infraestrutura. Desde que a política de reformas foi introduzida, foram implantados no país mecanismos de mercado, medidas econômicas e meios legais, segundo as condições específicas das diferentes regiões, que visam reduzir a sobrecapacidade e anular a capacidade obsoleta. Mais cedo este ano, o primeiro-ministro Li Keqiang, em seu artigo publicado na Bloomberg Businessweek, observou que a China enxugou 65 milhões de t de capacidade obsoleta no setor de aço e mais de 290 milhões de t de capacidade de carvão em 2016.

Graças aos esforços conjuntos do governo e de empresas do setor, 700 mil empregados dispensados nesses setores encontraram novas colocações em 2016, após treinamento. Todos esses fatores promovem desenvolvimento saudável nos setores envolvidos e abrem caminho para uma capacidade avançada. O secretário do Comitê Provincial de Hubei do Partido Comunista Chinês, Jiang Chaoliang, declarou em um resumo temático sobre a reforma estrutural da oferta feito pelo Departamento Internacional do Comitê Central do PCCh em 25 de maio: “A sobrecapacidade colocou a companhia de ferro e aço do grupo Wuhan em um drama operacional. Desde o ano passado, a companhia se esforça para cortar sua sobrecapacidade, otimizar o mix e melhorar a qualidade dos produtos e finalmente concretizar a fusão estratégica e a reorganização com o Grupo Baosteel, com sede em Xangai; com isso, tornou-se um exemplo bem-sucedido de reforma estrutural da oferta em uma companhia estatal”.

Ao mesmo tempo, o país tem atuado proativamente na redução do estoque de imóveis comerciais, por meio da urbanização e reconstrução de áreas degradadas, e revitalizando o mercado de leasing. O ministro da Habitação e do Desenvolvimento Urbano-Rural Chen Zhenggao disse em uma coletiva de imprensa no último mês de fevereiro que, segundo enquetes, os trabalhadores migrantes e os agricultores totalizaram 50% dos compradores de casas em 2016. Alguns lugares introduziram um mecanismo de garantia de empréstimo para ajudar agricultores e trabalhadores migrantes a obter empréstimos. Chen ressaltou as realizações básicas decorrentes dos esforços para reduzir esses estoques. A área total de imóveis comerciais colocados à venda em todo o país no final de 2015 era de 718 milhões de m2, e caiu para 646 milhões de m2 no final de junho.

Há muito tempo empresas chinesas vêm sendo oneradas por dívidas relativamente altas, em particular as indústrias pesadas e químicas, assim como o setor imobiliário. Em outubro de 2016, o Conselho de Estado introduziu uma política de redução da taxa de alavancagem das companhias, oferecendo sete abordagens para decifrar o enigma. Entre elas, os métodos legais para trocar dívidas por ações têm se mostrado um modo eficaz de ajudar companhias em dificuldades e de abrir caminho para uma transformação das instituições financeiras. Dados do Escritório Nacional de Estatística mostram que, no final de maio, empresas industriais acima de certo porte tinham uma taxa média de endividamento de ativos de 56,1%, o que representa uma diminuição de 0,7% em relação ao ano passado.

Em agosto de 2016, o Conselho de Estado lançou um plano para cortar os custos das companhias na economia real, abrangendo custos de operação institucional, impostos e taxas, custos financeiros, logísticos, preços de eletricidade e encargos sociais. Em coletiva de imprensa, Xu Shaoshi, ex-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, declarou que o custo por 100 yuans de receita de vendas para empresas industriais acima de determinado porte baixou 0,14 yuan no período de janeiro a novembro de 2016, enquanto a taxa de lucro da renda do negócio principal cresceu 0,26%. “Um cálculo aproximado mostra que no último ano cortamos o custo em cerca de 1 trilhão de yuans no total”, disse Xu.

Moldando novas forças – Segundo a Conferência de Trabalho Econômico Central realizada em dezembro de 2016, para fortalecer áreas de fragilidade a ênfase deve ser posta naquelas áreas-chave que estejam constituindo obstáculos sérios ao desenvolvimento econômico e social e naqueles problemas que demandem soluções urgentes.
As diversas regiões, segundo suas condições específicas, têm se esforçado para melhorar seus pontos frágeis. Segundo o secretário do Comitê Provincial do PCCh de Hubei, Jiang Chaoliang, Hubei pôs foco em pontos como inovação, desobstrução, infraestrutura, ecologia e proteção ambiental. Assim, para moldar sua nova força motriz, a província implementou 100 grandes projetos de inovação em 15 setores industriais – optoeletrônica, circuitos integrados, impressão 3D e tecnologias de informação de nova geração. Além disso, o governo provincial juntou esforços com investidores privados e injetou 40 bilhões de yuans na criação do Fundo Industrial do rio Yangtze em Hubei, com foco no apoio a setores emergentes estratégicos. Também, Hubei integra de modo proativo a iniciativa Cinturão e Rota, e avança na construção da Zona Piloto de Livre Comércio da China (Hubei), elevando com isso seu potencial de “globalização” e de “atrair capital estrangeiro”. Hubei fez também esforços para melhorar a infraestrutura. Atualmente, há 52 grandes projetos de construção de infraestrutura em andamento, com um investimento previsto de 367 bilhões de yuans. Hoje, 99 % dos condados de Hubei têm acesso a rodovias; além disso, estradas de cimento e redes de banda larga e de fibra ótica ligam todas as cidades da província.

Vice-diretor do Centro de Pesquisas de Desenvolvimento do Conselho de Estado, Wang Yiming indica que, além de cortar a sobrecapacidade e os estoques, a reforma estrutural da oferta também visa moldar um novo e poderoso motor de crescimento. Para isso, promove a transformação industrial por meio de upgrading, e apoia setores emergentes, como tecnologia de informação de nova geração, novas energias, medicina biológica, equipamento de manufatura de alta tecnologia, manufatura inteligente e inteligência artificial. A inovação é um ponto também enfatizado na reforma. Ao aumentar o investimento em P&D, reforçar a proteção da propriedade intelectual e melhorar o mecanismo de incentivo para a aplicação de achados de pesquisa, será possível aumentar a contribuição que o progresso técnico é capaz de dar ao desenvolvimento econômico.
Na coletiva de imprensa de fevereiro, o porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zhao Chenxin, disse que o órgão apoiou a construção de 28 bases de demonstração para negócios iniciantes e companhias orientadas para a inovação. Além disso, ofereceu capital de risco e fundos de orientação para companhias de ciência e tecnologia. Em 2016, a média de empresas abertas por dia chegou a 15 mil – 3 mil a mais em relação a 2015.

A reforma na agricultura – O Documento no 1 de 2017 do Comitê Central do PCCh trata da reforma estrutural da oferta na agricultura e da aceleração do ritmo de moldagem das novas forças motrizes para os setores rurais da China. O documento cobre principalmente seis aspectos: otimização da estrutura industrial dos produtos agrícolas, promoção da produção verde, incentivo a novos modos e atividades industriais, aprimoramento da inovação técnica, fortalecimento de áreas frágeis na zona rural e na agricultura, e forte impulso às reformas nas áreas rurais.
Acompanhando as mudanças no ambiente doméstico e internacional, surgiram também vários problemas novos. O vice-diretor do Grupo Líder de Trabalho Rural Central, Tang Renjian, explicou que enquanto as exigências das pessoas por produtos agrícolas ficam maiores e mais sofisticadas, a oferta fica atrás; enquanto a capacidade do ambiente de absorver recursos chega ao limite, a produção verde ainda não ostenta o devido impulso; enquanto os produtos agrícolas estrangeiros de baixo preço são abundantes, a competitividade dos domésticos não alcança nível suficiente; e enquanto a força tradicional para aumento de renda dos agricultores vai aos poucos decrescendo, as novas forças ainda não estão formadas.

“Todos esses problemas podem ser atribuídos tanto ao lado da oferta quanto ao da demanda, mas o principal aspecto da contradição está no lado da oferta, que tem sido afetado por importantes problemas estruturais e institucionais”, disse Tang. Para ele, deveria ser introduzida uma reforma que torne o desenvolvimento agrícola verde e sustentável, adequando-o às demandas de maior qualidade dos produtos, e elevando seu nível em relação ao modelo passado, apoiado principalmente no consumo de recursos e que procurava cegamente um incremento da quantidade.
Com isso será possível melhorar a eficiência do setor agrícola, aumentar a renda dos agricultores e promover a produção verde nas áreas rurais. Na realidade, algumas regiões já vêm explorando maneiras únicas de levar adiante a reforma estrutural da oferta agrícola.

Crustáceos nos arrozais – Segundo o secretário do Comitê Provincial de Hubei do PCCh, Jiang Chaoliang, Hubei está acelerando o passo para aumentar a eficiência da produção agrícola e melhorar a qualidade de seus produtos. Os avanços da ciência e da tecnologia no setor agrícola permitirão obter um desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, a província também busca melhorar a padronização da produção agropecuária, desenvolver marcas e aumentar a oferta de produtos verdes, de elevada qualidade agrícola. A cidade de Qianjiang, em Hubei, introduziu um novo modelo de produção na criação de camarões de água doce e caranguejos em arrozais, e construiu uma cadeia industrial em torno dos crustáceos, com produção anual de 18 bilhões de yuans. O condado de Shayang, em Hubei, também concebeu uma maneira de aumentar a renda dos agricultores por meio do turismo rural, na época do florescimento da colza. Além disso, a província fomenta ativamente novos tipos de entidades do agronegócio, o que fez surgir mais de 70 mil cooperativas agrícolas e mais de 100 mil administradores profissionais ex-agricultores. Agora, muitos deles gerenciam lojas on-line e não precisaram abandonar suas casas.


Caminho aberto para o intercâmbio cultural

janeiro 13, 2018 6:51 pm Published by Leave your thoughts

Apresentação da equipe de produção de "Where Has the Time Gone?" na cerimônia de abertura do Festival de Cinema do Brics 2017

Apresentação da equipe de produção de Where Has the Time Gone? na cerimônia de abertura do Festival de Cinema do Brics 2017 – uma coprodução de cinco países integrantes do grupo

(Por Niu Mengdi, repórter do Guangming Daily)

O Festival de Cinema do Brics de 2017, realizado em Chengdu – parte da série de eventos que integrou a Cúpula do Brics do ano em Xiamen –, teve início em 23 de junho e se estendeu por cinco dias, com a exibição de 33 filmes dos países do Brics. Desses filmes, dez deles, entre os quais Soulmate, The Second Mother e Lady of the Lake, competiram nas cinco categorias, incluindo a de melhor filme, prêmio que coube ao brasileiro Nise, o Coração da Loucura. Nas projeções especiais de abertura e de encerramento, foram exibidos, respectivamente, Where Has the Time Gone?, primeiro filme coproduzido pelos países do Brics sob liderança da China, e o sul-africano Mrs. Right Guy.

Na edição desse ano do festival, os cinco países do Brics dedicaram-se a promover por meio do cinema o intercâmbio cultural, o entendimento nacional e a cooperação econômica. O chefe da delegação brasileira e embaixador do Brasil na China, Marcos Caramuru de Paiva, declarou: “Minha expectativa é que os cinco países do Brics usem o Festival de Cinema como plataforma para aprofundar a compreensão mútua, a comunicação e o intercâmbio”.
O Festival de Cinema do Brics foi criado em 2016, e a cada ano escolhe-se um dos países do Brics como sede. A primeira edição foi realizada na Índia, a segunda na China, e a próxima será na África do Sul.

O Festival de Cinema do Brics não só possibilita o intercâmbio cultural entre a China e o resto do mundo como rompe barreiras culturais

Produção conjunta – O filme da abertura do festival, Where Has the Time Gone?, é o primeiro coproduzido pelos cinco países do Brics e sua realização reuniu diretores da China, Rússia, Índia, Brasil e África do Sul, cada um explorando em um curta-metragem o mesmo tema: “Onde o tempo acabou?”. Para o produtor executivo e diretor do curta chinês, Jia Zhangke, “o tema do ‘tempo’ diz respeito ao desenvolvimento nos cinco países do Brics: todos vivem o processo do rápido crescimento econômico, todos enfrentam imensas transformações sociais. Espero que pela exploração desse tema possamos acompanhar as mudanças nas experiências individuais e na vida comunitária dessas sociedades em rápido desenvolvimento”.

O episódio chinês Meeting the Spring, dirigido por Jia Zhangke, é sobre a política do segundo filho e conta uma história emotiva, bem atual na China de hoje. Já o episódio brasileiro, dirigido por Walter Salles, aborda as consequências de um evento real, o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineração de ferro, ocorrido em 2015 em Mariana, Minas Gerais, e mostra o clamor pela vida e as expectativas futuras após esse desastre ambiental. O diretor russo Aleksei Fedorchenko deu ao seu curta o título Breath, e retrata nele a complexa redenção emocional de um casal que vive recluso nas montanhas. O diretor indiano Madhur

Bhandarkar é responsável pelo episódio Mumbai Mist, que descreve a comovente amizade entre um homem idoso e um órfão de dez anos de idade. Rebirth, do prestigioso diretor sul-africano Jahmil X.T. Qubeka, narra a história de uma trabalhadora num mundo futuro virtual, que não aceita a ideia de que o destino de todos os seres humanos é predeterminado e arrisca a própria vida em sua luta para mudar seu destino.

“Esse é um trabalho extremamente desafiador e interessante.” Jia Zhangke foi muito franco ao afirmar que não foi nada fácil encontrar um tema que despertasse o interesse dos diretores dos cinco países, que têm linguagens e culturas imensamente diferentes. “A emoção humana é universal, não há fronteiras.” Where Has the Time Gone? despertou reações intensas no público. A diretora sul-africana Sarah Blecher declarou: “Esse filme é maravilhosamente diverso, é mais que um filme apenas, permite que o público experimente diferentes culturas”.
A China espera dar prosseguimento a esse modelo de cooperação, e planeja lançar todos os anos um filme codirigido pelos países do Brics, até 2021.

Estão previstas cinco novas coproduções para os próximos anos, além de bolsas e intercâmbio técnico na Academia de Cinema de Pequim

Plataforma para cooperação – O Festival de Cinema do Brics está envolvido na construção de uma plataforma para a amizade e para a cooperação pragmática e eficiente entre realizadores de cinema e setores da indústria do cinema dos países do Brics. Para o vice-presidente da Academia Chinesa de Arte, Jia Leilei, “é uma verdadeira maravilha ver os cinco países do Brics revezando-se para sediar esse festival de cinema, que não só possibilita o intercâmbio cultural entre a China e o resto do mundo, como rompe barreiras culturais e dilui a sensação de falta de familiaridade entre os países do Brics. Com isso põe na vitrine uma abundante diversidade cultural, à vista de cada um dos povos desses países”.

O presidente do Bona Film Group, Yu Dong, descreveu essa experiência no Festival de Cinema de Cannes: “Quando os produtores brasileiros assistiram ao filme chinês Shock Wave, acreditaram que não seria difícil de fazer em termos de enredo e desenvolvimento dos personagens, e então decidiram pegar a história e transformá-la em uma narrativa brasileira, contratando atores brasileiros e uma produção brasileira para trabalharem nela”.
A coprodução cinematográfica é a chave para promover intercâmbio cultural e desenvolver a indústria do cinema nos países do Brics. Na opinião do produtor Han Sanping, “os filmes chineses devem cooperar na realização não só de filmes com Hollywood, mas também com os países do Brics, para incentivar a diversidade nos filmes chineses”.

Aproximando corações – O filme indiano Dangal ficou imensamente popular na China, e logo virou assunto de intensos debates entre os convidados dos diversos países na edição deste ano do Fórum sobre o Caminho da Cooperação em Cinema do Brics. O produtor chinês Lu Chuan declarou: “Esse filme gerou uma bilheteria de 1,2 bilhão de yuans na China. Seu sucesso deveu-se totalmente à sua carga de paixão e ao poder de sua história”. Um funcionário do ministério da Informação e das Comunicações da Índia declarou: “O enredo desse filme é muito interessante. É muito mais do que um filme sobre esportes; tem também um lado muito comovente e emocional”.

No fórum, os produtores dos países do Brics disseram-se dispostos a aproveitar esse mecanismo de cooperação entre seus países para fortalecer e aprofundar o intercâmbio e a cooperação artística, fazendo o cinema, a linguagem mais internacionalizada, universal e popular da terra, servir de vínculo emocional entre os povos desses países.

Diretor executivo da Academia Nacional Russa de Artes e Ciências Cinematográficas e chefe da delegação russa, Boris Mashtaler afirmou que “os seis filmes russos exibidos este ano mostram o espírito e a vitalidade da Rússia, e por meio da plataforma desse festival de cinema promoveram o intercâmbio de filmes entre os países do Brics ”. Na sua opinião, “o cinema é uma linguagem que pode ser compreendida por todos, sem necessidade de tradução. Durante os eventos do Dia Nacional do Cinema, podemos exibir não apenas filmes dos países do Brics a públicos de outros países, como também fazer com que todos os realizadores de cinema aprendam uns com os outros e aproveitem reciprocamente sua força e inspiração”.

De que modo é possível aproximar os corações das pessoas por meio da coprodução de um filme? O produtor do filme indiano Kasaav: Turtle, Mohan Agashe, sugere: “Embora as atuais circunstâncias de cada um dos cinco países sejam imensamente diferentes, há vários problemas comuns enfrentados por todos nós e o cinema é um meio maravilhoso de resolver esses problemas sociais comuns. Proponho que o próximo filme coproduzido seja mudo, pois desse modo o próprio filme irá se tornar uma linguagem sem fronteiras”.

Além da decisão de criar a cada ano um novo filme do Brics coproduzido, durante os próximos cinco anos, no Festival foram anunciados também outros projetos cooperativos similares, como um intercâmbio de talentos cinematográficos e um programa de treinamento na Academia de Cinema de Pequim. O projeto da Academia de Cinema de Pequim planeja oferecer bolsas integrais a 40 estudantes dos países do Brics nos próximos cinco anos e também iniciar uma série de atividades, como oficinas de alto nível, e oferecer recursos de cooperação em pesquisa a estudiosos visitantes. Ao usar a linguagem do cinema para encurtar a distância entre os povos do Brics, os cinco países que o compõem irão obter, durante essa segunda década de cooperação, realizações ainda maiores nas áreas do cinema, da cooperação de negócios e de intercâmbio.

Elenco do brasileiro Nise, o Coração da Loucura, que ganhou o prêmio de melhor filme

Elenco do brasileiro de Nise, o Coração da Loucura, que ganhou o prêmio de melhor filme


Os vencedores do Segundo Festival
de Cinema do BRICS (2017)

Melhor filme
Nise, The Heart of Madness (Brasil)

Melhor diretor
Kim Druzhinin e Andrew Shalopa, The 28 Panfilov Heroes (Rússia)

Melhor ator em papel principal
Alok Rajwade, Kaasav: Turtle (Índia)

Melhor atriz em papel principal
Zhou Dongyu, Soulmate (China)

Prêmio por contribuição artística
Where Has the Time Gone? (Os cinco países do BRICS)

Prêmio especial do júri
A que horas ela volta? (Brasil), Ayanda and the Mechanic (África do Sul)


Presidente Xi Jinping saúda 2018

janeiro 4, 2018 10:14 pm Published by Leave your thoughts

Xi Jinping, em discurso de boas-vindas ao ano de 2018

Xi Jinping, em discurso de boas-vindas ao ano de 2018

O presidente Xi Jinping discursou na chegada do ano de 2018 e fez votos para o povo chinês, resumindo acontecimentos significativos para o país, além de congratular os avanços relacionados aos setores de bem-estar social, criação e tecnologia. Xi também destacou as atividades diplomáticas multilaterais realizadas em 2017.

Segundo Xi, o ano que se inicia é o período para se implementar totalmente “o espírito do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China” e também é o 40º aniversário da aplicação da reforma e abertura, com o compromisso da erradicação da pobreza, até 2020, da população carente rural, sob os padrões vigentes do país. “Toda a sociedade deve entrar em ação com todos os melhores recursos e implementar as políticas com precisão para conseguir, sem cessar, novas vitórias”, destacou o presidente.

Sobre assuntos internacionais, o mundo está atento à posição e à atitude da China nos assuntos relativos à paz e ao desenvolvimento, e Xi afirmou que “a China sustenta firmemente o poder e a posição da ONU, cumpre ativamente suas obrigações e responsabilidades internacionais devidas, atém-se a suas promessas em resposta às mudanças climáticas globais, promove ativamente a construção em conjunto de ‘Cinturão e Rota’ e sempre trabalha como um construtor para a paz mundial, um contribuinte para o desenvolvimento global e protetor da ordem internacional. O povo chinês está disposto a esforçar-se junto com os povos dos outros países para abrir um belo futuro mais próspero e mais pacífico”

A seguir, trechos do pronunciamento.

Economia e sociedade

“Em 2017, realizamos o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), evento que abriu o novo processo da construção de um país moderno socialista. O Produto Interno Bruto de nosso país entrou na casa dos 80 trilhões de yuans. As zonas urbanas e rurais registraram um aumento de emprego de mais de 13 milhões de pessoas. O seguro para a velhice já cobriu mais de 900 milhões de habitantes, enquanto mais de 1,35 bilhão de habitantes têm acesso ao seguro médico básico. Temos uma nova parcela de mais 10 milhões de habitantes rurais, em condições precárias, que se livraram da pobreza…”

Destaques em tecnologia

“Recebemos frequentes boas notícias nas áreas de inovação científica e tecnológica e de construção de projetos importantes. O Telescópio de Modulação de Raio-X Duro de Huiyan foi lançado ao espaço. O avião de passageiros de grande porte C919 realizou sua estreia de voo no céu. O computador quântico foi desenvolvido com sucesso. Foi realizada a experimentação para plantação do arroz de água salgada. O primeiro porta-aviões de fabricação chinesa entrou na água. O planador submarino Haiyi efetuou observações no mar profundo. A primeira exploração de gelo combustível no mar foi realizada com sucesso. O cais automático da 4ª etapa do Porto Yangshan foi inaugurado oficialmente. O projeto do corpo principal da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau foi totalmente concluído. Os trens-bala Fuxing têm corrido no vasto território de nossa pátria… Aplaudo pela grande força criativa do povo chinês!”

Votos de paz e prosperidade evidente

“Na ocasião do 20º aniversário do regresso de Hong Kong à pátria, fiz uma visita à região. Vi com os meus próprios olhos que, com o forte suporte da pátria, Hong Kong manteve a prosperidade e estabilidade de longo prazo e terá um futuro ainda promissor. Com o objetivo de memorizar a história e fazer votos pela paz, realizamos, ainda, uma cerimônia em comemoração ao 80º aniversário do início da guerra de toda a nação chinesa contra a invasão japonesa e uma solenidade de luto nacional para as vítimas do Grande Massacre de Nanjing.”

Fóruns e cooperações internacionais

“Realizamos, em nosso país, algumas atividades diplomáticas multilaterais, incluindo o 1º Fórum de Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional, a reunião de Xiamen de líderes dos países do BRICS, diálogo de alto nível entre o PCCh e partidos do mundo. Também participei de algumas reuniões multilaterais importantes em outros lugares do mundo. No início deste ano [2017], participei da reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos e fiz um discurso na sede da ONU, em Genebra. Depois, compareci à cúpula do Grupo dos 20 e à reunião não oficial de líderes da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, entre outros eventos. Nestas diversas ocasiões, troquei opiniões de forma profunda com as partes concernentes e todos concordaram em promover em conjunto a construção da comunidade de destino comum da humanidade, a fim de beneficiar os povos de todos os países do mundo.”