Autor: Andressa Schneider

Vendas no Dia dos Solteiros registram novo recorde

maio 15, 2018 11:13 pm Published by Leave your thoughts

As vendas pelo Alibaba, plataforma líder em comércio eletrônico da China, totalizaram 168,3 bilhões de yuans (cerca de US$ 25,4 bilhões) em razão da festa de compras do Dia dos Solteiros, comemorado em 11 de novembro. A Alipay, plataforma de pagamento do Alibaba, processou 1,48 bilhão de pagamentos de todo o mundo, o que representa 41% a mais em relação ao ano passado. O número de pedidos gerados nessas 24 horas aumentou 23%, chegando a 812 milhões. Mais de 140 mil marcas estrangeiras participaram desse festival de compras, e foram realizadas transações em 206 países e regiões. Nas primeiras quatro horas, houve 10 milhões de pedidos no AliExpress, a plataforma do Alibaba centrada na venda internacional de produtos chineses.

Conectividade 4G foi fundamental para o novo recorde de vendas.


Investimento na internet cresce 22,2% no terceiro trimestre

maio 15, 2018 11:11 pm Published by Leave your thoughts

O investimento no setor de Internet da China registrou crescimento de 22,2% no terceiro trimestre, em relação ao ano passado. Os fundos canalizados para o setor foram de US$ 6 bilhões no terceiro trimestre, segundo relatório da Academia de Tecnologia da Informação e Comunicações da China. No entanto, em relação ao trimestre anterior, a cifra mostra queda de 55,6%, devido à ausência de casos de investimento de grande porte.

III Conferência Mundial de Internet realizada em Wuzhen.


Lhasa, a cidade do planalto nevado

maio 15, 2018 11:04 pm Published by Leave your thoughts

Com mais de 1.400 anos de história, Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete, é a cidade mais alta do mundo. Encravada na parte sudeste da região, é o destino de vários itinerários turísticos. Em tibetano, Lhasa significa “santuário” ou “terra de Buda”, e durante muito tempo foi o centro político, econômico, cultural e religioso do Tibete. Mais moderna a cada dia, a cidade oferece inúmeros atrativos para o turista. Além das pradarias e montanhas nevadas, a luz do sol e o ar completam um clima diáfano. Muitos viajantes encontram uma sensação acolhedora, caseira, de paz interior no Palácio Potala, no Templo Jokhang, na rua Barkhor, Norbulingka e em outros pontos.

Songtsen Gampo e a princesa Wencheng

Segundo registros históricos, por volta do século I, no planalto de Qinghai-Tibete, viviam muitos clãs e tribos. Alguns séculos depois, as guerras ocasionaram anexações ou aquisições entre clãs e tribos, e foram estabelecidas várias alianças. No ano 632 aproximadamente, Song-tsen Gampo fundou um poderoso reino chamado Tubo na área de Lhasa. No planalto deserto, o rei tibetano mandou erguer uma grande quantidade de obras – palácios, canais e mosteiros –, que acabaram resultando em uma cidade.

Representação ao ar livre do drama épico A princesa Wencheng, em Lhasa, reproduz a chegada da princesa ao Tibete depois de superar muitas dificuldades.

Para reforçar seu governo por meio de alianças, enviou mensageiros à corte da dinastia Tang com uma petição para contrair casamento com uma princesa da família imperial. Tempos depois, a princesa Wencheng chegou à região e Song-tsen construiu para ela um conjunto de pavilhões no monte Maburi (atual monte Potala). No entanto, a decadência do reino Tubo, as guerras posteriores e calamidades naturais provocaram a destruição desses pavilhões. O Palácio Potala que vemos hoje é uma restauração do original.

O Templo Jokhang foi construído na mesma época dos edifícios do Potala, com a intenção de que abrigassem uma estátua do Buda. Dizem que Sidarta Gautama – também conhecido como Shakyamuni, fundador do budismo – não concordava com a veneração de ídolos, nem com a construção de templos e a instalação de estátuas budistas. Mas pouco antes de sua morte, aceitou que fossem moldadas figuras suas em três idades. Ele mesmo as desenhou e abençoou. Delas, uma estátua dourada do Buda aos 12 anos de idade resultou ser a mais esmerada e valiosa. Da Índia, a estátua foi levada à China e, mais tarde, como dote da princesa Wencheng, chegou ao Tibete. Até hoje continua sendo venerada no Templo Jokhang. Além de seu valor histórico e artístico, é honrada pelos budistas, que ao vê-la sentem como se estivessem diante do Shakyamuni de 2.500 anos atrás.

Há muitos registros históricos sobre a vida da princesa Wencheng no Tibete, e também lendas transmitidas de geração a geração. Ela se dedicou a promover a comunicação e o intercâmbio entre a dinastia Tang e a dinastia Tubo, e com isso a amizade bilateral resultou em grande desenvolvimento. Como mulher de erudição e sabedoria, a princesa deu grandes contribuições à civilização tibetana. O exemplo mais famoso é que, graças ao seu conselho, Songtsen Gampo mandou abolir o costume de pintar de vermelho a testa, o nariz, o queixo e as bochechas, e garantiu que as famílias aristocráticas enviassem seus descendentes a Chang’an (atual cidade chinesa de Xi’an) para aprender os usos e costumes da nação dos han.

Wencheng levou ao Tibete as tecnologias mais avançadas da época, como o moinho, o uso da cerâmica, a medicina, a agricultura e o tecido. Também introduziu grande quantidade de livros de história, medicina, agricultura, sutras budistas e outros temas, contribuindo bastante para o avanço da economia e da cultura regionais.

A rua Barkhor conserva as características tradicionais e o estilo de vida da cidade antiga de Lhasa.

Lhasa e o budismo

Lhasa é uma cidade que deve muito à crença no budismo. Por toda parte podemos ver budistas praticantes fazendo girar sem cessar o pequeno cilindro búdico com a mão, e também muitos peregrinos. Estes juntam as mãos sobre a cabeça, depois vêm descendo com elas, efetuando pequenas paradas diante da testa, dos lábios e do peito, o que simboliza a presença e a consciência do corpo, a linguagem e o coração. Depois se ajoelham e estendem os braços para a frente até tombarem de bruços no chão. Trata-se da reverência máxima realizada pelos fiéis tibetanos diante dos budas. Avançando dessa forma, os peregrinos seguem por diferentes caminhos em direção a Lhasa, provenientes de suas aldeias natais. Os tibetanos são um grupo étnico centrado na fé budista. Viajar em peregrinação ao Templo Jokhang de Lhasa é o desejo de todos eles.

No século XIII, o governo central da dinastia Yuan anexou o Tibete ao seu império. A região encontrava-se sob a jurisdição de vários poderes locais. Um deles obteve apoio do governo central e assim conseguiu se desenvolver gradualmente. Em meados do século XVII, o V Dalai Lama, Lobsang Gyamco, recebeu o título conferido pelo imperador da dinastia Qing e estabeleceu um governo local de servidão feudal, caracterizado pela integração dos poderes político e religioso, o que transformou Lhasa no centro de governo. Essas medidas reforçaram mais ainda a influência da seita Gelug (amarela) do budismo tibetano. Desde então, Lhasa se converteu na capital regional do Tibete.

Em 1645, quando o V Dalai Lama se mudou para o Palácio Potala, que ele mesmo mandara restaurar parcialmente, o local se tornou a residência oficial e escritório dos dalai lamas, e não parou de ser ampliado nos séculos seguintes. Em 1936, foi concluído o pavilhão para guardar as cinzas do XIII Dalai Lama, e o Palácio Potala chegou à sua forma atual. O V Dalai Lama também mandou edificar uma grande quantidade de pavilhões no Templo Jokhang e o converteu num mosteiro, que teve importante papel no governo das autoridades locais. Também é a sede das cerimônias tradicionais do sorteio da urna de ouro para a reencarnação de budas viventes. Foi por meio desse método tradicional que em 1995 foi eleito o atual Panchen Lama, cujo nome secular é Gyaincain Norbu, como reencarnação do X Panchen Erdeni.

Lhasa tem mais de 200 mosteiros e templos budistas. Desde 1980, o Estado investiu substanciais fundos para a restauração e manutenção de 97 locais, entre eles o Templo Jokhang e o Palácio Potala, que hoje podem ser vistos com todo o seu brilho e majestosidade.

Recomendações para viajar ao Tibete

Cerimônias budistas atraem grande quantidade de visitantes.

Devido à altitude elevada do planalto tibetano, alguns viajantes podem sofrer o chamado mal de altura, ou hipobaropatia como é tecnicamente conhecido. Provocado pela baixa pressão e concentração de oxigênio típicos das altitudes mais elevadas, a melhor prevenção é fazer uma subida lenta, evitar esforços e ingestão de álcool ao menos nas primeiras 24 horas.

Para entrar no Tibete, cidadãos estrangeiros precisam obter a Permissão Especial de Viagem Turística para Estrangeiros, emitida pela Administração de Turismo da Região Autônoma do Tibete (TTB, na sigla em inglês).

É de grande importância respeitar os costumes religiosos locais. Por exemplo, não convém girar os cilindros búdicos no sentido anti-horário, nem encostar a mão no alto da cabeça dos outros. Nos templos, não se deve fumar, tocar as estátuas dos budas, folhear os sutras, tocar sinos ou tambores, sentar-se nos assentos dos budas viventes, falar em voz alta ou bater fotos.

Quando no meio do caminho alguém depara com algum templo, uma pilha de pedras Mani, pagodes ou outras instalações religiosas, é preciso dar uma volta da esquerda para a direita. Não se deve passar por cima dos objetos religiosos ou braseiros.


Rota celestial no planalto

Lhasa fica localizada no planalto Qinghai-Tibete, o mais alto do mundo, e antigamente permanecia isolada do mundo exterior por sua posição geográfica. Isso fez com que seus habitantes vivessem segundo uma economia senhorial autofinanciada. Até 1949, em escala regional por todo o Tibete, não havia mais de um quilômetro de caminho que permitisse o trânsito de automóveis. O escritor de viagens americano Paul Theroux, em sua obra No galo de ferro: viagens de trem pela China, escrita na década de 1980, destaca: “Enquanto existir a cordilheira Kunlun estendida, a ferrovia nunca chegará a Lhasa”.

No entanto, já na década de 1950, o governo central havia tomado a decisão de estender uma linha férrea para chegar a Lhasa. A partir de 1956, o Ministério das Ferrovias organizou os trabalhos de prospecção e investigação geográficas em toda a região do Tibete. Após várias décadas de discussões e avaliações, em junho de 2001 foi iniciada a construção da ferrovia Golmud-Qinghai-Lhasa. A conclusão da obra exigiu superar desafios como a extrema dureza da camada de solo gelado, o ambiente glacial e pouco oxigenado, o frágil sistema ecológico, entre outros fatores. Em julho de 2006, a linha foi inaugurada oficialmente.

Com 1.956 km de extensão, é a primeira ferrovia ligando Lhasa ao resto do país. Ganhou o apelido de “rota celestial” por ser também a ferrovia mais alta do mundo. A linha atravessa várias reservas naturais nacionais, como Hoh Xil, Sanjiangyuan, Qiangtang, entre outras.

Existem também várias rodovias pelas quais é possível entrar no Tibete. Entre elas, o trecho Sichuan-Tibete da rodovia nacional No 318, que foi qualificado pela revista National Geographic da China como o caminho paisagístico mais bonito do país. Da planície de Chengdu ao planalto Qinghai-Tibete, a rota oferece vistas variadas e extraordinárias.

Mesmo num único dia de caminhada é possível experimentar a paisagem das diversas estações do ano. Diariamente passam por aqui muitos viajantes, a pé, de bicicleta ou automóvel.

Lhasa hoje

A facilidade de comunicação criou condições favoráveis para o desenvolvimento urbano de Lhasa. Segundo os registros documentais de 1950, nessa época a cidade tinha uma zona urbana com menos de 3 km² e 30 mil habitantes. Não tinha equipamentos para o fornecimento de água nem sistema de esgotos. Todos os caminhos eram de terra. Toda manhã, as moças tibetanas, com cubas de madeira, iam em grupo buscar água ao pé da Montanha do Rei da Medicina ou no rio Lhasa, uma cena que causava profunda impressão nos forasteiros.

Lhasa está ligada ao resto do país pela “rota celestial”, a ferrovia em maior altitude de todo o mundo, um desafio para a engenharia chinesa.

No final de 2012, foi iniciado o projeto de proteção da velha zona urbana, com um investimento da ordem de 1 bilhão e meio de yuans. Meio ano depois, foram ampliadas as ruas ao redor do Templo Jokhang, construiu-se o mercado da rua Barkhor e introduziram-se melhorias na infraestrutura municipal.

A zona urbana da cidade cresceu mais de 20 vezes, e hoje se estende até a outra margem do rio Lhasa. A área dessa outra margem converteu-se na segunda zona administrativa de Lhasa. Cerca de 100 pousadas e restaurantes se distribuem pelas margens do rio, que também servem de cenário natural para a montagem da obra teatral A princesa Wencheng, que estreou em agosto de 2013 e se tornou o espetáculo mais representado na cidade.

Na Lhasa de hoje, encontramos todos os elementos de modernidade que vemos em qualquer outra grande cidade do mundo, como edifícios altos, parques, hotéis, centros comerciais e lojas de luxo. A sua fisionomia próspera faz com que o visitante esqueça sua real localização no planalto nevado, principalmente graças à ampla popularização do celular e dos serviços de internet, que uniram o Tibete ao resto do país.

Construído na época mais próspera do reino Tubo, o Templo Jokhang é a obra arquitetônica mais antiga com estrutura de terra e madeira no Tibete.

 


Iniciativa Brasil-China: Investimentos chineses no Brasil

maio 2, 2018 1:46 am Published by Leave your thoughts

O Evento:

O seminário visa trazer em perspectiva comparada as visões brasileira e chinesa sobre arbitragem e os meios alternativos de solução de disputas, incluindo os meios on line de solução de conflitos. O evento reunirá especialistas na área para debater as diferenças entre as respectivas culturas jurídicas e as perspectivas diante dos investimentos chineses no Brasil e das parcerias entre os dois países em grandes projetos de infraestrutura.

Organizadores:

Núcleo de Estudos Brasil-China da FGV Direito Rio

Mestrado em Regulação da FGV Direito Rio.

China International Economic and Trade Arbitration Commission (CIETAC)

Inscrições aqui: Iniciativa Brasil-China


Programação:

8:30 às 9:20 – Cerimônia de Abertura

Sergio Guerra – Diretor da Escola de Direito da FGV do Rio de Janeiro.

Chen Xiaoling – Vice-Cônsul Geral da China no Rio de Janeiro

Li Hu – Secretário-Geral Adjunto da CIETAC

Julian Chacel – Diretor Executivo da Câmara FGV de Mediação e Arbitragem (a confirmar)

9:30 às 10:35 – Primeira Sessão

Presidente de Mesa: Camila Mendes Vianna Cardoso – Sócia do Kincaid-Mendes Vianna Advogados Associados.

09:35 | Palestrante: Charles Andrew Tang – Presidente da CCIBC – Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China e Presidente Honorário da Câmara de Comércio Internacional de Beijing. Tópico: “Os investimentos chineses no Brasil e o impacto do presente conflito de comércio entre Estados Unidos e China no Brasil”.

09:50 | Palestrante: Song Lei – Representante-Chefe do China Development Bank Corporation – Escritório de Representação no Rio de Janeiro. Tópico: “Banco de Desenvolvimento da China e a Cooperação Sino-Brasileira”.

10:05 | Palestrante: Lia Valls Pereira – Professora da FGV-IBRE. Tópico: “Do Comércio para o investimento: um novo arcabouço institucional?

10:20 | Palestrante: Evandro Menezes de Carvalho – Coordenador do Núcleo de Estudos Brasil-China da FGV Direito Rio e árbitro da Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. Tópico: “A ascensão da cultura jurídica na China: a era do direito na nova era do socialismo chinês.”

10:35 – Tea/Coffee break

10:45 às 12:40 – Segunda Sessão

Presidente de mesa: Mariana Freitas de Souza – sócia de PVS Advogados e Vice-Presidente da Comissão de Mediação de Conflitos da OAB/RJ.

10:50 | Palestrante: Marcus Antônio de Souza Faver –  Advogado, Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e Presidente da Comissão de Arbitragem da Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. (a confirmar)

11:05 | Palestrante: Wang Yingmin – Secretário-Geral adjunto da Subcomissão da CIETAC em Tianjin. Tópico: “Regras de arbitragem, práticas e supervisão judicial sobre arbitragem na China

11:20 | Palestrante: Marcos Ludwig – Sócio do escritório Veirano Advogados, Co-chair do Comitê de Direito e Prática Comercial do comitê nacional brasileiro da Câmara de Comércio Internacional (ICC Brasil) e árbitro da CIETAC. Topic: “Uma leitura brasileira das Regras de Arbitragem da CIETAC: o que temos a aprender com a experiência chinesa?”

11:35 | Palestrante: Cui Xinmin – Diretor Adjunto da Divisão de Solução Alternativa de Litígios da CIETAC. Tópico. Topic: “Resolução alternativa de litígios: conciliação, mediação e meios on line de solução de conflitos na China

11:50 | Palestrante: Lucas Leite Marques – Advogado do Kincaid-Mendes Vianna Advogados Associados. Tópico: “Arbitragem e infraestrutura: Arbitramento de Conflitos Envolvendo a Administração Pública”.

12:05 | Perguntas e respostas

12:30 | Encerramento


Inscrições aqui: Iniciativa Brasil-China


O mundo e a nova era da China

maio 2, 2018 1:30 am Published by Leave your thoughts

importância do 19o Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh) transcende os limites do país e chega ao cenário global. O desenvolvimento da China impacta o mundo tanto pelo porte da nação quanto pelo seu sucesso. Emblemática do desenvolvimento da China, além do fato de se tornar uma sociedade moderadamente próspera a caminho do total rejuvenescimento, é a noção proposta pelo país de “construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”.

Esse conceito incorpora a valiosa meta de envolver o interesse das nações do mundo que endossam a definição implícita proposta pela China de um futuro compartilhado – fortalecer a sociedade por meio de estabilidade econômica, melhorar a vida de nossos filhos, assegurar a mulheres e a minorias étnicas maior acesso a posições de liderança, dar passos para corrigir os danos ao ambiente, e muitos outros aspectos.

Liderar esse esforço de construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade irá exigir força, persistência e coragem. Essas são características da liderança da China nos últimos cinco anos. Sob o comando de recém-reeleito secretário geral do PCCh, presidente Xi Jinping, a China ingressa numa nova era, em que irá se concentrar em consolidar sua força. E não só a sua força militar, mas a força de seu povo e de sua sociedade. Tais esforços irão possibilitar o revigoramento da cultura chinesa, e com isso fortalecer a identidade da China e de seu povo. Assim como o povo judeu, os chineses vêm sobrevivendo há mais de 4 mil anos de história, principalmente graças à sua forte identidade cultural. Isso se reflete até na formação da República Popular da China, onde marxismo e comunismo receberam a infusão de características chinesas. A partir desse sentido firme de história e tradição cultural, evoluiu um sentido de propósito, como o que se expressa na construção de pontes multilaterais entre várias nações por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, alicerce para a criação de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade. A Iniciativa chinesa vai além de construir estradas, pontes, trens, túneis e portos que atravessem fronteiras e que são essenciais para facilitar o comércio: ela destaca a  importância de comunicações pessoa-pessoa, de aprender sobre a cultura do outro e de desenvolver uma compreensão mútua.

Enquanto a abordagem ocidental da economia é focada em prazos, negócios, contratos, a abordagem chinesa é mais holística, buscando uma visão do quadro geral. Isso tem o potencial de incentivar o comércio e também a compreensão e aceitação cultural. Alcançar essa compreensão mútua entre os povos não será algo isento de desafios. A própria China enfrenta dificuldades que limitam sua capacidade de realmente entender culturas que são imensamente diferentes da sua – como as das sociedades profundamente religiosas do mundo muçulmano e as crenças e tradições arraigadamente individualistas do Ocidente. Esses vastos abismos culturais irão representar obstáculos formidáveis nesse avanço da China para assumir a liderança na construção de um futuro compartilhado para a humanidade.

A iniciativa é moldada para reduzir esses obstáculos e ao mesmo tempo motivar povos de diferentes históricos a trabalharem juntos para benefícios mútuos. Na realidade, com o lançamento do programa, o presidente Xi deu um grande passo para a introdução desse antigo conceito judaico – o Tikkun Olam. Trata-se da visão bíblica de “reparar o mundo”. Por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, o presidente Xi consegue dar passos expressivos que contribuem para melhorar a vida de muitas nações do mundo.

Ao mesmo tempo, o sucesso da Iniciativa e da construção de um futuro compartilhado requer um verdadeiro ganha-ganha para todas as nações e povos do mundo. Como líder desse processo, a China terá a incumbência de trabalhar para o sucesso não só dos chineses, mas de todos os países que integram o projeto e de outros mais. Isso pode exigir da China uma abertura ainda maior dos seus mercados ao investimento estrangeiro direto, e que ela facilite o crescimento de negócios não chineses no país e no exterior. Construir um futuro compartilhado pode também levar a China a assumir o papel tradicional ocidental de envolver suas forças armadas ativamente no apoio à paz e à estabilidade, em regiões distantes.

Com a recente reorganização militar levada a efeito pelo presidente Xi, e a promessa de forças armadas chinesas mais fortes, administradas por uma liderança inteligente e sensata, é concebível que a China se torne um grande fator estabilizador dentro da comunidade internacional. Como uma força defensora da paz e da harmonia, a China seria um importante ator para a construção de um futuro compartilhado para a humanidade. Graças ao grande sucesso do povo chinês e a décadas de cuidadosa liderança, a China alcançou um progresso milagroso. As bem-sucedidas realizações presentes e aquelas que ainda estão por vir ficarão entretecidas de modo inextricável com o futuro do mundo.


Por Carice Witte

CARICE WITTE é fundadora e diretora-executiva da Sino-Israel Global Network & Academic Leadership (Rede Global e Liderança Acadêmica Sino-Israelense).

 


A política chinesa para o desenvolvimento sustentável

abril 21, 2018 10:02 pm Published by Leave your thoughts

Desde o 18o Congresso Nacional do PCCh, a China vem dando grande atenção para a incorporação do progresso ecológico do país a todos os aspectos do desenvolvimento – social, político, econômico e cultural. Nesse sentido, o governo chinês implantou várias grandes políticas, com resultados expressivos.

As teorias aplicáveis ao progresso ecológico, recém-refinadas e expressas em linguagem comum, aumentaram a consciência ecológica das pessoas. Por exemplo, tem sido ressaltado que uma ecologia saudável promove uma civilização próspera, que montanhas verdes são na realidade montanhas de ouro, e que o ambiente ecológico é uma força produtiva. No 18o Congresso Nacional do PCCh, a ecologia foi listada como um dos cinco indicadores da meta de construir uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos; as outras quatro são política, economia, cultura e desenvolvimento social. Na Terceira Sessão Plenária do 18o Comitê Central do PCCh, o Partido conclamou a construção de um sistema de progresso ecológico sistemático e completo; e na Quarta Sessão Plenária propôs montar um sistema legal específico para proteger o ambiente ecológico. Na Quinta Sessão Plenária, o conceito de “verde” foi designado como conceito-chave para o desenvolvimento, com importância igual à da inovação, coordenação, abertura  e benefícios compartilhados. Formou-se desde então um sistema teórico completo, com a instituição estabelecida em seu cerne. O sistema objetiva construir relações harmoniosas entre humanos e a natureza, ao fortalecer a gestão ambiental e promover a cultura ecológica e a vida verde.

Geradores na floresta de Saihanba, em Hebei, a maior floresta plantada do mundo.

Tanto a instituição quanto o sistema voltados para promover o progresso ecológico foram basicamente estabelecidos. Na Terceira Sessão Plenária do 18o Comitê Central do PCCh, foi explicitamente proposto proteger o ambiente ecológico com instituições, e aprofundar as reformas voltadas para o progresso ecológico. Em seguida, o governo central fez avançar um conjunto de políticas (denominadas “1+6”), abrangendo um amplo plano de reformas adicionais e mais seis pilotos sobre o tema, em campos como supervisão, responsabilização e balanço de recursos naturais. Esses sistemas têm sido implantados ou melhorados em oito aspectos. São eles: direitos de propriedade de recursos naturais; exploração e proteção do espaço territorial nacional; planejamento do espaço; gestão geral e uso frugal dos recursos; uso pago de recursos e compensações ecológicas; governança ambiental e um mercado de proteção ecológica; avaliação e aferição do progresso ecológico; responsabilização e obrigações legais. Esses oito sistemas compõem a instituição fundamental do progresso ecológico da China. Ao mesmo tempo, a China tem formulado ou feito emendas a leis e planos de ação de proteção ambiental, prevenção da poluição atmosférica, das águas e do solo, e todas elas representam um notável avanço na construção legal do país em questões ambientais.

Têm sido registradas muitas melhoras adicionais no ambiente ecológico. O país vem definindo uma “linha vermelha” ecológica, que irá declarar certas regiões como submetidas a uma proteção obrigatória e rigorosa, e proteger e restaurar a ecologia natural de montanhas, águas, florestas, terras de cultivo e lagos. O ambiente rural melhorou de modo expressivo desde a implantação de uma gestão abrangente da zona rural.

As obrigações legais também ficaram mais rigorosas. A interpretação judicial da Suprema Corte do Povo e da Suprema Procuradoria do Povo complementaram os critérios da lei de violação do ambiente e baixaram os limites para prisões, e a Suprema Corte do Povo montou uma divisão específica para tratar de casos envolvendo recursos ambientais. A supervisão ambiental realizada pelo governo central em todo o país tem sido decisiva para resolver alguns problemas perenes. Em 2016, a primeira fase dos novos padrões de qualidade do ar ambiente entrou em vigor em 74 cidades, nas quais a taxa média de dias com bom ambiente fica em torno de 74,2%, isto é, 13,7% mais alta que a de 2013. Ao mesmo tempo, a monitoração da qualidade da água mostrou uma melhora geral, com um aumento de 17,9% de superfície da água grau III ou menor, em comparação com 2010. A qualidade da água dos grandes rios e lagos também melhorou.

O conceito de desenvolvimento verde tem produzido bons resultados. A Terceira Sessão Plenária do 18o Comitê Central pediu uma mudança na avaliação de quadros baseada no PIB, e de acordo com isso propôs um novo padrão que envolve um índice da economia circular e do desenvolvimento verde das indústrias. Essa ação levou a uma reforma estrutural da demanda e à adoção de políticas de financiamento verde, que otimizaram a estrutura industrial e cortaram recursos e consumo de energia de modo consistente. Em 2016, a China cortou 65 milhões de toneladas da capacidade de produção de ferro e aço, e 290 milhões da de carvão. O consumo de energia por unidade de PIB também caiu 17,9% em comparação com o nível de 2012. Conforme aumenta o uso que o país faz de energia não fóssil, a proporção de consumo de carvão cai de modo constante. A China agora é líder mundial em capacidade instalada de geração de energia hidrelétrica e energia solar. Também é o maior consumidor de novas energias. Ao mesmo tempo, a conservação de energia e a proteção ambiental se tornaram setores estratégicos, e vêm acelerando desenvolvimento.

A capacidade de prover serviços públicos ambientais tem sido ampliada. Ao final de 2015, a infraestrutura ambiental do país, que ainda amadurecia, permitiu processar 182 milhões de toneladas de esgoto diárias nas áreas urbanas, tornando o país o número 1 do mundo nesse aspecto. Uma impressionante cifra de 92% do esgoto urbano foi processada, e 94,1% do lixo doméstico em áreas urbanas construídas passou por processo de desintoxicação. Em áreas rurais, cerca de 72 mil vilas realizaram gestão ambiental abrangente, e cerca de 61 mil fazendas de gado intensivas instalaram tratamento, descarte e reutilização de dejetos. Mais de 2.700 estações de monitoramento foram instaladas por todo o país. Seu pessoal, totalizando 60 mil trabalhadores, monitora de perto a ecologia local. Em 2016, zonas de preservação natural compunham 14,83% da área territorial total da China, e o índice de espaços verdes nas áreas urbanas construídas alcançou 36,4%.

Projeto de renovação de uma estação de trem de alta velocidade em Shenzhen, Província de Guangdong.

Existe agora maior consciência ecológica. A China distribui constantemente conhecimento e informação a respeito da proteção ambiental, nos aspectos de qualidade ambiental, descargas de poluentes e projetos de controle ambiental. Os canais e a abrangência da participação pública também se expandiram. No final de 2015, os resultados de uma pesquisa mostraram que os consumidores verdes on-line eram 65 milhões, quase catorze vezes o valor de quatro anos antes. Em 2016, cerca de 96,3% dos que responderam a uma pesquisa disseram estar cientes do conceito de progresso ecológico, 90% eram favoráveis a construir uma sociedade ecológica, e mais de 80% acreditavam que essa deveria ser uma preocupação de todos. Dados relacionados também mostram que o público agora procura informação ecológica, em vez de recebê-la passivamente, e geralmente se dispõe a participar da construção de uma sociedade com ambiente ecológico.

De um ponto de vista holístico, essas realizações são evidentes em todos os aspectos da sociedade. Elas constituem  um sistema completo, abrangendo a teoria e a prática do progresso ecológico chinês.

Importância da sustentabilidade

Promover o progresso ecológico é uma escolha inevitável da China à luz de sua situação particular, e também reflete o senso de responsabilidade compartilhada do país pelo desenvolvimento sustentável do planeta. Com sua vasta área e imensa população, a China tem papel decisivo na batalha contra a superexploração de recursos e a poluição ambiental. Um prolongado período de retórica da mídia ocidental sobre a China destacava comentários do tipo “Quem é capaz de alimentar a China?” e “A China é uma ameaça ambiental”, que ignoravam flagrantemente os imensos esforços ambientais e suas realizações. Por exemplo, o país sustenta um quinto da população mundial apesar de possuir apenas 7% da terra arável do mundo. Também supera os países desenvolvidos no que se refere a emissões históricas cumulativas per capita, e também quanto a níveis decrescentes de poluição. Ciente de que é imperativo manter o ambiente ecológico, a China tem conduzido seus esforços com resolução firme e perseverança, e um desejo de contribuir para melhorar a questão ambiental global.

Um exemplo destacado é a atitude e esforços da China no que se refere ao Acordo de Paris. Para lidar com a mudança climática global, o governo chinês fez esforços sustentados, tenazes, desde as negociações até a aprovação e ratificação do acordo. A China tomou essa iniciativa em razão do compromisso de cortar suas emissões de carbono em 40% a 45% por volta de 2020. A quantidade de gases destruidores da camada de ozônio que a China eliminou equivale a mais da metade do total gerado por todos os países desenvolvidos, e contribui substancialmente para proteger a camada de ozônio.

A introdução do progresso ecológico tem se revelado um conceito de sustentabilidade mais profundo e inovador. Desde que as Nações Unidas emitiram seu relatório “Nosso futuro comum, de uma terra para um mundo” em 1987, o mundo alcançou um consenso no sentido de tomar o caminho da sustentabilidade.

Por mais de três décadas, nações têm feito notáveis esforços para promover o desenvolvimento sustentável e a governança ambiental global. No entanto, o desafio em campos como a mudança climática, a biodiversidade e a poluição ainda são muito sérios.

Ao explorar a sustentabilidade, diferentes países têm formulado vários modelos, privilegiando diferentes fatores, como a inovação tecnológica, o mercado ou ferramentas legais e de gestão. A formulação de modelos é geralmente influenciada pelo sistema de governança da nação, por seu estágio de desenvolvimento e pelo ambiente de mercado. O progresso ecológico da China, alinhado com suas condições políticas, econômicas, sociais, culturais e ecológicas, enfatiza a aplicação abrangente de várias ferramentas, imbuindo cada aspecto da produção e da vida com o conceito de desenvolvimento verde. Esse paradigma eleva a sustentabilidade ao nível da civilização humana, com o objetivo de alcançar harmonia entre a humanidade e a natureza e realizando prosperidade social para as eras que ainda virão. Significa a visão da China e sua solução para lidar com o desafio do desenvolvimento sustentável.

Futuro compartilhado

Forjar uma civilização que incorpore a sustentabilidade ecológica é responsabilidade conjunta de todos os seres humanos. Desde a Revolução Industrial, a excessiva exploração dos recursos naturais tem moldado a ecologia e prejudicado a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade. Os humanos só dispõem de uma Terra na qual possam subsistir. As nações do planeta vivem no mesmo sistema ecológico e enfrentam destino comum. Proteger o mundo e realizar o desenvolvimento sustentável são, portanto, questões que dizem respeito a todos, e requerem que todas as nações assumam essa responsabilidade compartilhada. Construir um ambiente ecológico saudável – ou conseguir um equilíbrio entre proteção e desenvolvimento – é a meta da China e o caminho por ela escolhido, como deveria ser o de todas as nações.

A ideia de promover o progresso ecológico tem sido muito elogiada na comunidade internacional. O United Nations Environment (UNEP) incorporou oficialmente essa ideologia em sua resolução no 27o Conselho de Governo em 2013. No relatório da UNEP sobre a estratégia e as ações do progresso ecológico da China de 2016, o então diretor-executivo Achim Steiner declarou que o progresso ecológico proposto pela China era uma exploração útil e uma prática concreta para tornar o conceito de desenvolvimento sustentável uma realidade, e constituía uma referência para outros países enfrentarem desafios similares no aspecto econômico, ambiental e social. A ideia de uma civilização ecológica coloca uma nova meta e traça um novo caminho na trajetória da sustentabilidade, marcando outra dimensão nesse alto esforço.

Alcançar progresso ecológico global requer ações conjuntas de todas as nações. Com a condição básica de forjar uma comunidade de futuro compartilhado para toda a humanidade, todos os países devem fazer esforços conjuntos para desfrutar de um bom ambiente ecológico. A Agenda 2030 das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável oferece uma plataforma-chave para tornar essa ideia uma realidade. O presidente chinês Xi Jinping propôs, na sessão plenária da Cúpula do Brics em Xiamen, em setembro de 2017, buscar um desenvolvimento coordenado e inclusivo que unifique a economia, a sociedade e o ambiente por meio da oportunidade de implementar a Agenda 2030. A comunidade internacional precisa fortalecer a cooperação e o intercâmbio, em particular nos aspectos de capital e tecnologia, para construir um novo modelo de sistema de governança ambiental global, complementar e de benefícios mútuos. No entanto, considerando as diferenças das situações nacionais, os estágios de desenvolvimento, culturas e políticas, é impossível que todos os países modelem a si mesmos segundo um paradigma único. Em vez disso, devemos, à luz das condições particulares, fazer com que a ideia de progresso ecológico seja convergente com os fluxos de desenvolvimento econômico, social, político e cultural, formando assim modelos que se enquadrem às respectivas situações.

ZHANG HUIYUAN é diretor do Centro de Pesquisa de Progresso Ecológico da Academia Chinesa de Pesquisa de Ciências do Ambiente.

China desenvolve ônibus urbano elétrico autoguiado

abril 21, 2018 9:45 pm Published by Leave your thoughts

Um novo modelo de ônibus urbano autoguiado, o primeiro movido exclusivamente a energia elétrica, saiu da linha de produção e concluiu seus testes iniciais em uma fábrica na Província de Hubei, região central da China.

O ônibus, com 6,7 m de comprimento, foi desenvolvido conjuntamente pela indústria automobilística Dongfeng Xiangyang Touring Car, sediada em Hubei, e pelo Instituto de Tecnologia de Pequim, declarou dia 6 de novembro a comissão provincial de Hubei de Economia e Tecnologia da Informação. Após os bem-sucedidos testes na fábrica, os dois primeiros ônibus foram enviados a Shenzhen, Provincia de Guangdong, onde serão testados na rua. A expectativa é que os ônibus comecem a ser usados no final de novembro, disse a comissão. Os veículos têm capacidade para transportar 25 passageiros, atingem a velocidade máxima de 40 km por hora e permitem alternar a condução manual e a autoguiada.

O novo modelo tem aspectos de redução de consumo de energia e foi feito com componentes e recursos de fabricação de alta qualidade. Uma única carga de 40 minutos permite que o ônibus rode até 150 km. A expectativa é que o motor e os componentes principais funcionem mais de 1,2 milhão de km sem falhas.


O boom dos veículos de novas energias

abril 21, 2018 9:29 pm Published by Leave your thoughts

Numa aposta para incentivar o transporte verde, a China implementou uma série de programas para impulsionar o mercado dos veículos de novas energias, ou VNEs, a partir de 2010. Existem hoje subsídios do governo para aquisição de VNEs e, em algumas cidades, os VNEs, por sorteio, são isentos de licenciamento ou das restrições de trânsito destinadas a aliviar os congestionamentos. Nos últimos anos, incentivado por políticas favoráveis, o setor de VNEs da China tem feito progressos gigantescos e contínuos. Segundo o Índice E-mobility, um lançamento conjunto da consultoria alemã Roland Berger e do instituto de estudos do automóvel Forschungsgesellschaft Kraftfahrwesen mbH Aachen, a China pela primeira vez alcançou no segundo trimestre de 2017 o top ranking no índice global de desenvolvimento de veículos elétricos.

A Jiangling Motors Co., na Província de Jiangxi, é uma das empresas que contribui para isso. No momento, o grupo produz 30 mil VNEs por ano. Surgiram também várias companhias chinesas fabricantes de materiais, componentes-chave e instalações de recarga para VNEs. Estima-se que em 2025 a capacidade anual de fabricação de VNEs na Província de Jiangxi irá alcançar um milhão de veículos e que a receita  gerada pelo setor chegará nessa data a cerca de 100 bilhões de yuans por ano.

Operários da Jiangling Motors testam o sistema de iluminação de um VNE.

Atração de talentos

No último mês de agosto, dez especialistas de várias áreas receberam cartas de indicação do prefeito de Nanchang, a capital provincial. A Companhia de Veículos de Novas Energias do Grupo Jiangling está entre as empresas locais que se beneficiaram desses profissionais extras.

Liu Junyu tem trinta e poucos anos e é gerente do centro experimental de bateria, motor e unidade de controle eletrônico do Grupo Jiangling. Depois de concluir mestrado em engenharia eletromecânica e novas energias na França, voltou à sua cidade natal, Nanchang, onde a Jiangling é um nome familiar. Ele ingressou na companhia para liderar uma equipe de jovens engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias de VNEs.

“Comecei a me interessar por VNEs ainda na faculdade”, lembra Liu. “Ao concluir a pós-graduação, solicitei um cargo na Jiangling assim que abriram vagas.”

Fundada em janeiro de 2015, a Companhia de Veículos de Novas Energias do Grupo Jiangling encara os novos talentos como um ativo valioso e incentiva-os a dar livre expressão à sua engenhosidade. Liu elogia essa filosofia, e indica seus colegas de estudos na França à companhia. “A plataforma avançada construída pela companhia motiva todos nós a dar o melhor no nosso trabalho, já que confiamos nessa carreira promissora”, disse ele.

Todo ano, em outubro, o Grupo Jiang-ling faz uma grande convenção para premiar as equipes que se destacaram em avanços tecnológicos – uma maneira de estimular a inovação. Segundo Qiu Tiangao, presidente do Grupo Jiangling, a companhia investe na montagem de uma equipe de profissionais especializados em inovações tecnológicas. A ideia é descobrir, apoiar e atrair mais talentos, reunindo especialistas com conhecimento profundo e percepção clara das tendências de desenvolvimento tecnológico.

Inovação, uma base sólida 

A criação do centro experimental de bateria, motor e unidade de controle eletrônico em abril de 2016 foi um marco no desenvolvimento da inovação na Companhia de VNEs do Grupo Jiangling. Como membro do grupo fundador, Liu Junyu trabalhou duro para resolver diversos problemas relativos ao estabelecimento de critérios técnicos, já que se tratava de algo novo na China. Ele consultou uma série de trabalhos de pesquisa internacionais e fez a equipe realizar vários testes, a fim de criar um conjunto de padrões. Além disso, deu início a um projeto de pesquisa sobre controladores de motores e já obteve substanciais progressos.

A maior diferença entre os VNEs e os carros convencionais é o conjunto de bateria, motor e unidade de controle eletrônico. “O próprio centro experimental já é uma inovação”, disse Liu. “É o único do tipo em Jiangxi e um dos poucos desse grande porte no país.” Liu revelou que foram investidos dezenas de milhões de yuans para apoiar a pesquisa e desenvolvimento desse centro experimental.

Recentemente o Grupo Jiangling recebeu aprovação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China para lançar um programa que elevará sua capacidade de produção para 50 mil carros totalmente elétricos por ano, colocando-a no primeiro grupo de companhias domésticas qualificadas para a produção independente de VNEs. Além da tecnologia, a companhia também investe em normas e métodos. “Por exemplo, estou trabalhando na adaptação de um conjunto de padrões alemães à nossa companhia e à China”, declarou Liu Junyu.

Liu Nianfeng, membro da diretoria do Grupo Jiangling e gerente-geral da Companhia de VNEs do grupo, observou que a expectativa é que as técnicas e recursos de última geração, em vários setores, venham melhorar os carros totalmente elétricos tornando-os mais populares. Além disso, o Grupo Jiangling esforça-se para desempenhar um papel de liderança na promoção do transporte verde e na melhoria da qualidade de vida, por meio do desenvolvimento dos VNEs e da adoção de tecnologias avançadas e conceitos inovadores, por preços mais acessíveis.

Linha de montagem da Companhia de Veículos de Novas Energias do Grupo Jiangling.

Futuro brilhante

O Índice E-mobility mencionado indica que a fatia de mercado para carros elétricos e para a produção de baterias na China continuará crescendo, apesar da redução dos subsídios do governo. Na realidade, o país vem reduzindo a concessão de subsídios para os VNEs a uma taxa de 20% ao ano. Mas mesmo com o fim dos subsídios por volta de 2020, o setor continuará prosperando.

O rápido desenvolvimento da cadeia industrial de VNEs permitiu uma redução abrangente dos custos. Tomando como exemplo as baterias – um componente essencial –, antes seu custo equivalia a mais da metade de um VNE. Hoje, com os subsídios do governo e o consequente crescimento no número e na capacidade de produção das fábricas de baterias, o custo da bateria sofreu sensível redução.

O peso mais leve do veículo também reduz os custos. Liu Junyu explicou que um carro de 1,5 ton usa 20 kWh de eletricidade para percorrer 150 km. Mas quando o peso diminui para uma t, há uma economia de 5 kWh de eletricidade e uma redução de 10% do custo total para percorrer a mesma distância. “A segurança, porém, é sempre a prioridade máxima”, disse Liu. “Não importa quais sejam os materiais usados para reduzir o peso do corpo do carro – alumínio, fibra de carbono ou materiais compostos –, eles devem atender aos padrões nacionais para segurança em colisões.”

Com preços entre 40 mil e 60 mil yuans, os VNEs da Série E da Jiangling visam uma ampla faixa de mercado. “Além disso, lançamos a Série Q para clientes das faixas de renda média e alta”, disse Liu Junyu. Em certa medida, a Série Q é comparável a alguns VNEs produzidos no mercado exterior.

Liu Junyu está confiante no futuro da Indústria de VNEs na China. Ele observou que as vendas de carros têm tido forte crescimento nas cidades de pequeno e médio portes do país. “Um VNE em geral custa menos de 0,05 yuan por quilômetro, enquanto um automóvel a gasolina custa 0,5 yuan por km”, disse Liu. “Além disso, um carro a gasolina exige manutenção regular de motor, câmbio, filtro de combustível e assim por diante. Assim, um VNE poupa ainda mais dinheiro devido à baixa manutenção.” Portanto, Liu acredita que vários mercados na China irão acolher os VNEs.

Os VNEs produzidos na China já firmaram uma reputação global. Por exemplo, outro grande fabricante de veículos da Província de Jiangxi, a CHTC Bonluck Bus Co., é o primeiro fabricante chinês a exportar ônibus e veículos escolares para países desenvolvidos. A Companhia de VNEs do Grupo Jiangling e a CHTC Bonluck Co. respondem por 80% do mercado de VNEs na Província de Jiangxi.


Um novo futuro para as relações sino-americanas

abril 21, 2018 9:25 pm Published by Leave your thoughts

As escolhas políticas da China e dos EUA há muito tempo se estendem além das relações bilaterais, que, em grande medida, determinam a estabilidade e a prosperidade da região Ásia-Pacífico e do mundo inteiro, e estão intimamente relacionadas ao rumo do desenvolvimento global. Após quase quatro décadas, China e EUA têm um relacionamento altamente complexo e interdependente em todos os aspectos. Nos primeiros seis meses da administração Trump, o presidente americano adotou uma abordagem puramente transacional das relações diplomáticas com a China, o que tornou o relacionamento apático e indefinido.

O vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang discursa no primeiro Diálogo Econômico EUA-China, em Washington, em julho de 2017.

Os debates em 2015 sobre as estratégias dos EUA em relação à China já prenunciavam esse estado de coisas. Hoje, alguns problemas difíceis continuam a testar as relações bilaterais, especialmente a questão nuclear da Coreia, o sistema de defesa antimíssil (THAAD, de Terminal High Altitude Area Defense ou Defesa Terminal de Área de Alta Altitude), os atritos entre China e Japão no Mar do Leste da China e as disputas territoriais entre a China e alguns países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), no Mar do Sul da China.

No entanto, as relações China-EUA progrediram a um nível que vai além da suscetibilidade a mudanças cognitivas, quer individuais, quer unilaterais. A ascensão da China e sua influência crescente, o período de sucesso do modelo de desenvolvimento da China, assim como o próprio desenvolvimento dos EUA e sua confiança na participação da China nas grandes questões tanto globais quanto regionais, tornaram-se fatores estruturais na estabilidade das relações China-EUA. Portanto, as relações atuais entre os dois países permanecem no geral equilibradas.

No eventual surgimento de dúvidas estratégicas ou diferenças a respeito de certos problemas importantes, a própria existência dessas dúvidas ou diferenças sinaliza para os dois países a importância de diálogos objetivos que esclareçam as respectivas intenções e pontos principais. A avaliação dos custos e benefícios das várias opções políticas impelem a China e os EUA a uma formulação contínua de um novo equilíbrio cognitivo baseado no padrão regional existente. Esse processo tem ressaltado que a melhor opção é promover ajustes e adaptações mútuos no que se refere às diversas áreas problemáticas, por meio de diálogo e consultas.

Com base nesse contexto, a linha de pensamento sobre as relações China-EUA começa a sofrer uma mudança fundamental, que é confrontar as divergências entre as duas nações em relação aos diversos problemas e detalhes, em vez de simplesmente discutir a importância e a irreversibilidade dos laços bilaterais em nível estratégico. É justamente esse pressuposto otimista que pode evitar muitos dos efeitos negativos dos intercâmbios anteriores entre os dois países.

O diálogo entre os líderes chinês e americano tem desempenhado claramente dois papéis. Um de estabilização, o outro de propulsor das relações sino-americanas.

Diálogo direto

Após seu encontro no resort de Mar-a-Lago na Flórida, os dois líderes estabeleceram vários níveis de comunicação numa ampla gama de ocasiões internacionais. Essas ocorrências refletem a moldagem consciente das relações China-EUA por ambas as partes e o fortalecimento de uma comunicação efetiva, buscando criar condições favoráveis para as relações China-EUA.

Desde a posse de Trump, um novo aspecto dos intercâmbios China-EUA veio se somar ao diálogo apoiado em nível funcional: é a manutenção de diálogos e conversações mais frequentes em nível de liderança. Apenas no último mês de setembro, o presidente Xi Jinping teve dois contatos telefônicos com o presidente Trump, a pedido dele, para discutir questões regionais, entre elas a questão nuclear coreana e a visita do presidente americano à China.

O diálogo entre os líderes chinês e americano desempenhou claramente dois papéis. Um é a estabilização. Embora o presidente Trump se incline a expressar opiniões discordantes pelo Twitter, as frequentes ligações telefônicas entre os dois líderes mantêm claramente as relações China-EUA em um patamar estável. O outro papel é o de propulsor. A razão dessas recorrentes chamadas é a necessidade de confirmar consensos e espaços de cooperação. As ligações diretas entre os líderes sem dúvida aumentam a confiança mútua, e também reduzem o potencial de erros de informação que poderiam ocorrer nas comunicações em nível funcional, puramente de trabalho, que os intercâmbios telefônicos entre os dois líderes também testam e permitem supervisionar. Essas ligações pessoais, portanto, ajudam a China e os EUA a desenvolver parcerias mais maduras.

Os quatro mecanismos de diálogo de alto nível construídos durante a visita do presidente Xi aos EUA incorporam muito bem essa ideia. Ao contrário do diálogo estratégico e econômico anterior entre China e EUA, que marcava todas as questões, os quatro mecanismos de diálogo de alto nível – cobrindo questões diplomáticas e de segurança, economia, aspectos sociais e culturais, manutenção da ordem e segurança cibernética – definem o tipo de diálogo, fortalecem a pertinência de questões específicas, aumentam o controle sobre os tópicos a serem discutidos e permitem aos dois lados uma compreensão mútua mais profunda de suas posições e diferenças. A partir disso, facilitam a discussão de ideias e das maneiras de resolver os problemas abordados.

Quatro mecanismos

As conversações diplomáticas e de segurança mantidas até agora assumem a mesma forma que o diálogo que os EUA mantêm com seus aliados, e reforçam os alicerces de confiança entre China e EUA. O desenvolvimento das relações sino-americanas formula assim uma linha de pensamento “com foco no problema” e “orientada por resultados”.

Nesse diálogo, ambas as partes têm reafirmado a importância de estabelecer uma compreensão mútua e minimizar o risco de um cálculo equivocado por parte de suas respectivas forças armadas. Também reafirmam seus MEs (Memorandos de Entendimento) sobre a implementação de medidas de construção de confiança, incluindo o mecanismo de notificação mútua para grandes operações militares e o código de conduta para encontros marítimos e aéreos fortuitos. Esses mecanismos e linhas gerais de orientação servem como manual de instruções para controlar riscos de potenciais conflitos. O resultado direto disso é que tanto a China quanto os EUA adotaram atitudes mais cautelosas em suas interações diárias, e também uma abordagem marcada por reconhecimento mútuo das diferenças e do risco potencial que elas envolvem.

Durante a visita à China em agosto passado do general Joseph Dunford, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, as duas forças armadas assinaram o documento-base para construir um novo mecanismo de comunicação para seus departamentos de Estado-Maior. Esse é um aprimoramento qualitativo inédito, com um efeito que vários anos de diálogo estratégico e econômico sino-americano não poderiam esperar alcançar. As duas forças armadas agora têm mais regras a seguir nas questões envolvendo o Mar do Sul da China, o Mar do Leste da China, e nas questões de segurança tradicionais. As regras e procedimentos desenvolvidos em conjunto constituem uma “válvula de segurança” para o controle de riscos.

Oficiais chineses e norte-americanos compartilham a ação no RIMPAC-2016, exercício naval internacional que contou com a participação de 26 países, em julho de 2016. A Marinha da China conduziu um exercício de tiro com a fragata de mísseis teleguiados Hengshui e com o destroier de mísseis teleguiados Xi’an, na Faixa de Mísseis do Pacífico, na costa noroeste da Ilha Kauai, no Havai.

No nível econômico e de comércio, a razão pela qual China e EUA têm estabelecido um diálogo econômico “abrangente” está na expectativa de uma gama mais ampla de diálogo com conteúdos mais específicos. Mas o processo inevitavelmente traz divergências à tona. Além disso, a alta interdependência e vulnerabilidade comerciais entre os dois países torna impossível que uma parte obrigue a outra a concordar com um programa qualquer sem questionar. A única solução é procurar um novo consenso e formular um mecanismo de resolução de conflitos. É por isso que os dois lados iniciaram em maio um plano de ação de cem dias de cooperação econômica, lançando as bases para a abertura de um diálogo econômico abrangente. O plano de ação já alcançou até agora importantes resultados, com benefícios mútuos. Inclui a volta da carne bovina americana ao mercado chinês após catorze anos, a gradual derrubada de uma política de barreiras à exportação de gás natural liquefeito americano para a China, a aprovação por parte da China dos cinco produtos de biotecnologia americanos, a exportação pela China de aves cozidas para os EUA, e a gradual implementação de aplicativos financeiros.  Esses resultados criam tanto uma boa base de confiança como um clima adequado de cooperação para o diálogo econômico.

Na primeira rodada do Diálogo Econômico Abrangente EUA-China (CED na sigla em inglês, de Comprehensive Economic Dialogue), realizado em Washington, D.C., em julho, ambos os lados discutiram a expansão do comércio em serviços e o crescente investimento mútuo, e instauraram uma cooperação construtiva voltada para reduzir o déficit de comércio. Também chegaram a um consenso sobre a proteção dos direitos de propriedade intelectual, o afrouxamento dos controles de exportação, o fortalecimento do comércio de produtos agrícolas, e outras questões específicas.

“Escolhemos cooperar não pela consideração aos interesses da outra parte, mas por nossos próprios interesses. Isso constitui a motivação para o diálogo continuado entre os dois lados”, declarou o vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang, na CED. O Secretário de Comércio americano Wilbur Ross declarou em suas observações finais que, por meio de diálogo construtivo, os dois lados aumentam o respeito e compreensão mútuos, de modo a construir uma base sólida para futura cooperação. Por outro lado, se não há sérias diferenças, ou se surgem problemas que não é possível contornar, a base da cooperação sino-americana desaparece. Determinar as relações  China-EUA com base apenas no resultado de uma ou duas conversações, ou no grau das diferenças, equivale a uma miopia estratégica e a alimentar expectativas não realistas.

China e EUA têm fomentado recentemente o diálogo sobre a manutenção da ordem e da segurança cibernética, e também um diálogo social e cultural. Existe amplo espaço para cooperação nessas áreas, que torna possível explorar novos pontos de crescimento. A segurança da rede é uma preocupação comum cada vez maior dos dois países. O atual mundo cibernético ainda carece de regras e definições claras a respeito dos problemas com que tem de lidar. Os efeitos perniciosos da ausência de controle variam segundo cada país. A China e os EUA precisam fortalecer sua cooperação com as grandes potências mundiais a fim de esclarecer conceitos-chave, desenvolver regras comuns e evitar que a segurança cibernética se torne um fator que afete negativamente as relações China-EUA. Isso irá prover um benefício público global na forma de operação ordenada do espaço cibernético.

Trocas sociais e culturais sempre foram um vínculo importante entre China e Estados Unidos. A compreensão e reconhecimento mútuos são sua base de cooperação em qualquer questão que surja. À luz das significativas mudanças em ambas as sociedades, cada lado precisa expandir a compreensão da cultura do outro, da sua história e maneira de pensar. Só então a China e os EUA serão capazes de compreender um ao outro ao lidarem com grandes questões diplomáticas e políticas, e de formular políticas coordenadas concretas. Nesse sentido, os intercâmbios sociais e culturais continuarão tendo um papel indispensável.

Intercâmbios sociais e culturais sempre foram um vínculo importante entre China e Estados Unidos. Compreensão e reconhecimento mútuos são a base cooperativa com que ambos contam para qualquer problema que surja.

Futuro promissor

Com base nesses diálogos, a cooperação China-EUA precisa alcançar duas metas mais elevadas. Primeiro, como dois grandes países, ambos devem resolver as questões bilaterais por meio de suas práticas nativas, e considerar o arranjo de uma nova ordem. Os quatro mecanismos de diálogo de alto nível estão relacionados à estabilização da ordem em certas áreas, ou à sua remodelação. Isso é de grande relevância para resolver problemas regionais e globais. A cooperação China-EUA irá determinar se a ordem regional do Leste Asiático, que está sendo afetada por várias questões de segurança, poderá ser estabilizada, se a ordem de livre-comércio que beneficia todos os países é sustentável, e se o “desgovernado” mundo cibernético pode operar de maneira ordenada.

Segundo, China e EUA devem alcançar alto nível de compreensão, ou seja, compreensão mútua e respeito ideológico. A razão pela qual se fala tanto hoje sobre a Armadilha de Tucídides e a inevitabilidade do conflito, a “tragédia da política das grandes potências”, é que o Ocidente previu o caminho escolhido pela China segundo seus próprios precedentes históricos.

A vice-premier Liu Yandong (no centro, à direita), ao lado da Secretária dos Transportes dos EUA Elaine Chao (no centro, à esquerda) e da Secretária de Educação Betsy DeVos (quinta a partir da direita), presentes a uma reunião de delegados jovens no primeiro Diálogo Social e Cultural EUA-China, em Washington, D.C., em setembro de 2017.

Esse tipo de pressuposto significa a desconsideração do Ocidente pelas diferenças entre a cultura chinesa e a ocidental. Certas políticas reativas, no contexto da ascensão da China, supõem de maneira simplista que a China irá seguir os passos das grandes potências que, depois que ganharam força, buscaram a hegemonia. China e Estados Unidos precisam chegar a um novo modelo de relações entre grandes potências, e em última instância precisam percorrer essa distância para alcançar um sentido de mútuo reconhecimento. Essa é a importância do diálogo China-EUA, e também a missão histórica dos dois países.

Após décadas de desenvolvimento, as relações sino-americanas ainda enfrentam novos problemas, e experimentam constantes embates que mudam a percepção mútua. E como suas respectivas estruturas sociais, junto com o ambiente internacional, continuam mudando, as relações China-EUA podem ser mais bem retratadas como “cruzando o rio tateando as pedras”, isto é, testando cada passo e avançando com cautela. Há boas razões para crer que China e EUA podem criar um futuro melhor.


Fórum Boao para a Ásia inicia cerimônia de abertura de conferência anual

abril 15, 2018 3:22 pm Published by Leave your thoughts
Fonte: Xinhua

A conferência anual do Fórum Boao para a Ásia (FBA) deste ano, que aconteceu de 8 a 11 de abril em Boao, um vilarejo na província insular de Hainan, no sul da China, teve o tema “Uma Ásia Aberta e Inovadora para um Mundo de Maior Prosperidade“.

Com foco na Ásia e uma perspectiva mundial, o Fórum Boao para a Ásia (FBA) organizou discussões ativas e produziu muitas valiosas “Propostas de Boao” desde o seu início, disse o presidente chinês Xi Jinping.

As “Propostas de Boao” ajudaram a construir um consenso na Ásia, encorajar a cooperação, promover a globalização econômica e impulsionar a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, disse Xi ao fazer um discurso na cerimônia de abertura da conferência anual do FBA.

Segundo o presidente, a humanidade tem uma escolha importante entre a abertura e o isolamento, e entre o progresso e o retrocesso.

“Como dizemos em chinês, temos que dissipar as nuvens para ver o sol, de modo a ter uma compreensão apurada da lei da história e da tendência do mundo”, assinalou Xi.

Xi disse que vivemos em um momento com uma tendência avassaladora de paz e cooperação, bem como abertura e conectividade. Também vivemos em um momento com uma tendência dominante de reforma e inovação, aqueles que as rejeitarem serão deixados para trás e destinados a lata de lixo da história, continuou.