Autor: Andressa Schneider

Eixo histórico de Beijing busca status do Patrimônio Mundial

julho 5, 2018 2:49 pm Published by Leave your thoughts

O histórico Zhongzhouxian norte-sul de Beijing, ou seja, o eixo central da cidade, irá se candidatar ao estatuto de herança mundial em 2035, anunciou a administração municipal do patrimônio cultural nesta quarta-feira.

Um total de quatorze locais históricos ao longo do eixo, incluindo Qianmen, Cidade Proibida, Parque Jingshan, Torres do Tambor e do Sino, Salão Memorial do Presidente Mao Zedong, Monumento aos Heróis do Povo e Praça Tian’anmen são identificados como importantes sítios de patrimônio.

O trabalho de preservação desses locais deve atender aos requisitos da solicitação até 2030, disse Shu Xiaofeng, diretor da administração.

Criado primeiramente na dinastia Yuan (1271-1368), o Zhongzhouxian original era de 3,7 quilômetros. As dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911) estenderam o comprimento para 7,8 quilômetros, de Yongdingmen no sul até as Torres do Tambor e do Sino no norte.

Situado no centro da cidade, Zhongzhouxian separa os distritos de Dongcheng e Xicheng. “É como a espinha vertebral da estrutura espacial urbana de Beijing”, disse Li Jianping, historiador da capital chinesa.

As autoridades de Beijing anteriormente introduziram um plano geral para o desenvolvimento de Zhongzhouxian de 2016 até 2035. O projeto para preparar o eixo histórico para sua solicitação de Patrimônio Mundial está atualmente sendo feito.

“A aplicação visa melhorar a proteção da história e cultura da cidade”, disse Shu.


Fonte: Xinhua
Imagem: Xinhua

Divulgado livro branco sobre China e Organização Mundial do Comércio

junho 28, 2018 12:43 pm Published by Leave your thoughts

O Departamento de Comunicação do Conselho de Estado da China divulgou nesta quinta-feira um livro branco intitulado “China e Organização Mundial do Comércio”.

O governo chinês publicou este documento para dar uma explicação completa sobre o cumprimento da China de seus compromissos com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, a publicação visa apresentar os princípios, posições, políticas e proposições da China sobre o sistema de comércio multilateral, e descrever a visão e as ações da China para avançar a reforma e abertura de nível mais alto.

“A China cumpriu de maneira abrangente seus compromissos com a OMC, abriu substancialmente seu mercado para o mundo e produziu resultados mutuamente benéficos e de ganhos recíprocos em uma escala mais ampla”, diz o livro branco.

“Através destes esforços, a China cumpriu sua responsabilidade como um grande país”, destaca o documento, acrescentando que a China apoia firmemente o sistema de comércio multilateral e fez contribuições significativas para o mundo depois de sua adesão à OMC.

A China entrou na OMC em 2001, um marco na integração do país na globalização econômica que representa uma fase histórica nova da reforma e abertura.

Nos últimos 40 anos, a China aderiu à política nacional fundamental de reforma e abertura e buscou o desenvolvimento com suas portas abertas. Um modelo de abertura integral, de múltiplos níveis e abrangente formou-se gradualmente.


Fonte da notícia: Xinhua
Fonte da imagem: The State Council Information Office, P.R.C.

 


Temer sanciona lei que institui Dia Nacional da Imigração Chinesa

junho 28, 2018 12:38 pm Published by Leave your thoughts

O presidente Michel Temer sancionou hoje (26) lei aprovada pelo Congresso Nacional que estabelece o dia 15 de agosto como o Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil. Na cerimônia de sanção da lei, Temer disse que o Brasil tem uma parceria comercial estratégica com a China. E acrescentou que o Brasil quer estreitar cada vez mais as relações com o país.

O presidente Michel Temer sanciona lei que institui Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil. Ao lado, os deputados Darcísio Perondi e Fausto Pnato (Alan Santos/PR)

“A China é nosso principal parceiro comercial. Fonte de crescentes e intensos investimentos. Temos uma parceria estratégica global que vai da cooperação espacial ao diálogo em instâncias como o Brics [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul]. É uma relação que queremos cada vez mais próxima, sempre a serviço do nosso desenvolvimento mútuo”, disse Temer.

O dia 15 de agosto foi escolhido em referência ao dia oficial da chegada de chineses ao Brasil, em 1900. Um grupo formado por 107 pessoas desembarcou no Rio de Janeiro, vindo de Lisboa, para mais tarde se estabelecer em São Paulo em busca de empregos e oportunidades.

Aos presentes à solenidade, entre eles representantes da Embaixada da China, Temer lembrou que este país asiático foi o primeiro que ele visitou após assumir a Presidência da República. Temer ressaltou que, desde a chegada dos primeiros imigrantes chineses ao Brasil, eles contribuem com aspectos de sua cultura milenar como a gastronomia, a medicina e o espírito empreendedor.

Apresentado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP), o projeto de lei que cria o Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil diz que o país é um grande parceiro comercial do Brasil e que os chineses deram inegável e relevante contribuição ao desenvolvimento na nação brasileira desde o século passado.


Fonte: Agencia Brasil
Texo: Yara Aquino

 


Xi ilumina sonho compartilhado à medida que China sedia cúpula da OCS

junho 10, 2018 5:28 pm Published by Leave your thoughts

Deslumbrando ao horizonte urbano de Qingdao, fogos de artifício iluminaram os rostos dos convidados que viajaram através do continente eurasiático vasto para a costa do Mar Amarelo para a 18ª Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), na noite deste sábado.

É a primeira cúpula desde a expansão da organização em junho de 2017, quando a Índia e o Paquistão juntaram-se como membros plenos.

“Qingdao é uma famosa capital de navegação internacional. Foi daqui que muitos navios partiram em busca de sonhos”

“Qingdao é uma famosa capital de navegação internacional. Foi daqui que muitos navios partiram em busca de sonhos” disse o presidente Xi Jinping em um jantar de recepção no sábado à noite. “A cúpula de Qingdao é um novo ponto de partida para nós. Juntos, vamos içar a vela do Espírito de Shanghai, quebrar ondas e iniciar uma nova viagem para nossa organização”, acrescentou.

Xi Jinping dá as boas-vindas aos líderes estrangeiros que participam da Cúpula de Qingdao da Organização de Cooperação de Xangai.

O Espírito de Shanghai de confiança mútua, benefício mútuo, igualdade, consulta, respeito a civilizações diversas e busca do desenvolvimento comum, foi declarado na Carta da OCS, uma organização regional abrangente fundada em 2001 pela China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão, e mais tarde expandida para oito Estados-membros.

Neste fim de semana, Xi comandará a cúpula pela primeira vez como presidente chinês, com a participação de líderes de outros membros da OCS e quatro países observadores, assim como chefes de diversas organizações internacionais.

O evento é rememorativo ao Fórum de Boao para a Ásia (FBA), realizado dois meses atrás, embora os convidados tenham sido diferentes.

Em 10 de abril, Xi discursou na cerimônia de abertura da conferência anual do FBA, com a participação de mais de 2 mil pessoas.

Em Boao, Xi divulgou novas medidas para expandir a reforma e abertura e proclamou “uma nova fase da abertura” para a prosperidade comum da China e do mundo.

O mesmo espírito de abertura e abrangência continua em Qingdao, Província de Shandong, terra natal do Confúcio.

“Sendo uma parte integral da civilização chinesa, o confucionismo acredita que ‘uma causa justa deva ser buscada para o bem comum’ e defende harmonia, unidade e uma comunidade compartilhada para todas as nações”, disse Xi aos convidados. “Sua ênfase em unidade e harmonia tem muito em comum com o Espírito de Shanghai.”

Na cúpula, os participantes são incentivados a obter consenso sobre a construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade e a criação de um novo tipo de relações internacionais com características de respeito mútuo, imparcialidade e justiça, e cooperação de ganhos recíprocos, disse o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, ao falar com a mídia na semana passada.

Os dois conceitos têm sido frases centrais da diplomacia chinesa nos últimos cinco anos. E não são apenas conceitos, mas também ideias apoiadas com iniciativas pragmáticas e medidas diplomáticas concretas.

Além da conferência do FBA, que defende reforma e abertura, e a cúpula da OCS, que promove segurança e cooperação regionais, a China hospedará outros dois eventos internacionais grandes este ano: a cúpula do Fórum de Cooperação China-África, para avançar na Iniciativa do Cinturão e Rota, e a Exposição Internacional de Importação da China, para maior abertura do mercado.

“Com o crescimento da força nacional e influência internacional, a China é mais confiante em apresentar novas ideias sobre governança mundial”, disse o professor Zuo Fengrong, da Escola do Partido do Comitê Central do Partido Comunista da China. “As iniciativas da China são voltadas para um mundo aberto, inclusivo, limpo e bonito que desfrute da paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum.”

De Shanghai a Qingdao

Segundo Wang, a Declaração de Qingdao a ser emitida na cúpula pedirá a todas as partes que continuem com o Espírito de Shanghai.

Em seus discursos nas cúpulas anteriores da OCS, o presidente Xi defendeu repetidamente o Espírito de Shanghai, reconhecendo seu significado em criar uma comunidade com um futuro compartilhado na região, em manter a segurança e a estabilidade e em promover intercâmbios.

“O Espírito de Shanghai de 17 anos de idade está de acordo com a mais recente visão diplomática de Xi”, disse Li Ziguo, do Instituto Chinês para Estudos Internacionais, que também o destacou como uma plataforma para “construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.”

Sob a orientação do Espírito de Shanghai, a região prosperou com paz e estabilidade, com os países na região solucionando assuntos fronteiriços complicados, contendo ameaças do terrorismo, extremismo e separatismo, e lançando iniciativas de comércio transfronteiriço e conectividade da infraestrutura, frequentemente lideradas pela China.

A OCS cresceu para uma organização que cobre mais de 60% do território eurasiático, quase metade da população mundial e mais de 20% do PIB global.

“A organização demonstrou forte coesão e crescente influência”, disse Konstantin Kokarev, chefe do Centro para a Região Ásia-Pacífico do Instituto Russo para Estudos Estratégicos, em uma entrevista à Xinhua.

De Qingdao a um mundo mais amplo

Qingdao é uma escolha simbólica para hospedar a Cúpula da OCS deste ano, pois está no extremo leste de uma vasta rede ferroviária através da Eurásia, sendo um centro logístico ligando o Cinturão Econômico da Rota da Seda com a Rota da Seda Marítima do Século 21.

A carga marítima é transferida aqui para cinco linhas ferroviárias internacionais para os países no fim ocidental do continente, 30 dias mais rápido que apenas com rotas marítimas.

A visão do Cinturão Econômico da Rota da Seda foi primeiro apresentada por Xi em Astana, Cazaquistão, em setembro de 2013, alguns dias antes de ele participar pela primeira vez da cúpula da OCS como presidente chinês. Foi mais tarde desenvolvida na Iniciativa do Cinturão e Rota.

“A iniciativa da China traz grande oportunidade para a OCS”, disse o secretário-geral da entidade, Rashid Alimov. “A cúpula em Qingdao também contribuirá para a implementação da iniciativa.”

A iniciativa se tornou uma importante prática para materializar a visão de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.

“A China se envolveu na cooperação profunda com os países no mundo. Trará oportunidades ricas para conectar a OCS com uma parte mais ampla do mundo”, disse Kokarev.

Fogos de artifício iluminaram os rostos dos convidados que viajaram através do continente eurasiático vasto para a costa do Mar Amarelo para a 18ª Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS).


Fonte: Xinhua


Cooperação econômica e comercial da OCS registra êxitos notáveis

junho 8, 2018 12:10 pm Published by Leave your thoughts

A 18ª Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) será realizada nos dias 9 e 10 de junho em Qingdao, na província de Shandong. Como a primeira cúpula desde a ampliação da organização, os temas econômico e comercial serão destaques do evento.

Nos últimos 17 anos desde a sua fundação, os países membros da OCS se desenvolveram nas áreas de política, segurança, economia, cultura e intercâmbios internacionais, entre outras, com êxitos notáveis especialmente na cooperação econômica e comercial.

O porta-voz do Ministério de Comércio da China, Gao Feng, disse em uma recente coletiva de imprensa que os destaques da cooperação econômica regional da OCS podem ser resumidos em três aspectos:

Intercâmbios comerciais mais estreitos

Em 2017, o volume comercial entre a China e os países da OCS atingiu os 217,6 bilhões de dólares, um aumento anual de 19%. No primeiro trimestre de 2018, o volume comercial continuou a aumentar, com um crescimento de 20,7%, com uma proporção crescente de produtos eletromecânicos e equipamentos mecânicos nos produtos comerciais entre a China e os países membros da OCS.

Resultados frutíferos nos projetos de investimento e de contratação

Até o fim de março deste ano, o investimento da China nos países do OCS foi de cerca de 84 bilhões de dólares, incluindo vários grandes projetos minerais, de energia e de fabricação industrial. O valor total de negócios dos projetos de contratação da China nesses países atingiu os 156,9 bilhões de dólares, e vários projetos de rodovias, estações de energia e oleodutos já se tornaram projetos exemplares.

Avanços na interligação

A região da OCS formou incialmente uma rede de infraestrutura através do “Acordo de Facilitação de Transporte Rodoviário Internacional entre Governos de Países Membros da OCS” e do funcionamento de rodovia China-Quirquistão-Uzbequistão, gasodutos China-Ásia Central, oleodutos China-Cazaquistão e China-Rússia e trens China-Europa, reforçando a interligação entre os membros da organização.

 

Quanto ao futuro da cooperação econômica e comercial da OCS, Gao revelou que a China promoverá os seguintes resultados na Cúpula de Qingdao:

• Reforçar os consensos, procurar o desenvolvimento comum, enfatizar a importância de aperfeiçoamento da governança global e fortalecer de comércio multilateral;

• Continuar a impulsionar a facilitação do comércio e apoiar a melhoria do seu sistema e base jurídica;

• Planejar conjuntamente o futuro e injetar nova vitalidade à cooperação da OCS.

 

“A Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota oferece importantes oportunidades de desenvolvimento aos membros da OCS. A organização promoverá o acoplamento da iniciativa com as estratégias de desenvolvimento dos seus países membros para realizar a prosperidade comum”

Fala do secretário-geral da OCS, Rashid Alimov.

 

A OCS é bem sucedida na sua cobertura de área, população e no tamanho da organização, e já estabeleceu diversas plataformas e sistemas, referiu o professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Jawaharlal Nehru da Índia, Swaran Singh. Agora, a OCS tem que continuar a consolidar esses êxitos e acredito que a Cúpula de Qingdao obterá êxitos importantes, acrescentou.

O diretor do Instituto de Estudos de Economia Mundial da Academia de Ciências Sociais de Shanghai, Quan Heng, disse que o “espírito de Shanghai” corresponde à inciativa do Cinturão e Rota, e a OCS desempenhará um papel cada vez mais importante na promoção da cooperação econômica regional, globalização econômica e desenvolvimento pacífico do mundo.


Por Wang Junling | Fonte: Diário do Povo | Imagens: Xinhua


Reflexões sobre Confúcio e a filosofia chinesa

junho 1, 2018 5:18 pm Published by Leave your thoughts

renomado sinólogo, poeta e ensaísta alemão Wolfgang Kubin (Celle, 1945) faz uma reinterpretação das sutis complexidades da cultura, da língua e da filosofia chinesas, e oferece fascinantes vislumbres de um ponto de vista sobre a vida, fundamental mas original, e que não se restringe aos limites das traduções. É uma reapresentação ao resto do mundo das obras e da verdadeira essência da filosofia confucionista e chinesa.

Na primeira parte, o autor busca revelar a perspectiva chinesa sobre a morte e sobre o que constitui uma vida bem vivida, à luz da teoria das formas e das ideias de Platão e da natureza determinista das ideias filosóficas metafísicas de Hegel.

Na segunda parte Kubin segue o caminho traçado anteriormente e explora os significados até aqui ocultos por trás da importância das ações físicas repetitivas e do vínculo com a satisfação e a exaltação espiritual, e traça paralelos de similaridade com o pensamento europeu.

Kubin é um renomado sinólogo, poeta e educador.

Parte 1

Para alguns estudiosos, a filosofia chinesa não é uma filosofia genuína, e se for, dizem eles, ou é simples demais ou difícil demais de entender. Você ouvirá opiniões similares não apenas na Europa, mas também na China.

Neste artigo, não quero discutir se casos como esses são apenas questões de opinião ou se são fatos. Em vez disso, quero destacar a natureza problemática da arte de ler textos chineses difíceis. De que maneira lemos um texto chinês que na realidade não fala a nós de maneira inata?

Como é bem conhecido da moderna hermenêutica, uma obra que não fale a nós é uma obra morta. Mesmo assim, sabemos também que algo que, de momento, não estejamos prontos para compreender ou apreciar poderá amanhã ganhar nossa total simpatia e atenção. Como é possível? E o que terá acontecido conosco exatamente em tais casos entre esses dois incidentes de nossa vida?

Permitam usar a mim mesmo como exemplo, para reiterar o que digo. Devido às minhas leituras anteriores de Hegel em Viena (1968), às palavras de meu primeiro professor de chinês em Muenster (1969) e aos meus primeiros anos na universidade durante a “Revolução Cultural” em Pequim (1974-75), eu não tinha o menor interesse em Confúcio (551-479 a.C.). Ele me parecia entediante, trivial e, em comparação com a filosofia grega, que eu privilegiava na época, qualquer coisa menos filosofia.

Por que, então, gosto hoje de ler os Analectos de Confúcio (Lunyu) e cito com frequência as palavras do mestre, e até as defendo, como uma reação a certos desdobramentos negativos da modernidade ocidental?

Tudo isso tem a ver com uma experiência primal. Em maio de 1999, eu estava pesquisando estética chinesa. Comprei uma tradução para o alemão de um livro francês, Elogio do Insípido, a Partir da Estética e do Pensamento Chinês, de François Jullien. Ele abre mais ou menos com uma revisão acurada de uma passagem discreta do Lunyu.

Jullien, a fim de evitar que seus leitores tenham a impressão de que estão olhando para Confúcio com uma falta de expertise filosófica, destaca desde o início o verdadeiro caráter da essência da cultura chinesa, da maneira como ele a vê: algo que fica numa posição intermediária e parece à primeira vista desimportante, mas que na realidade é de fato essencial.

Quem quer que tome a sério a declaração de Hegel sobre o Lunyu como algo trivial deve primeiro estudar devidamente o espírito chinês antes de prosseguir no debate, pois o espírito chinês define-se de modo bem diferente do nosso: em outras palavras, ele foge do visível e do estruturado.

Filosofia e morte

O povo chinês tem boas razões para temer tudo aquilo que é projetado e modelado, pois tudo o que é projetado e bem formado nos restringe a algo específico. Eu, na condição de uma visão formada e definida de mim mesmo, sou apenas o que revelo enquanto meu eu formado. Esse eu é reduzido a algumas características específicas, mas exclui o incontável número de todas as demais opções possíveis. Um exemplo disso é a moda, que desempenha papel tão vital no Ocidente, já que permite às pessoas projetarem e definirem a si mesmas de maneira muito individual.

Por outro lado, algo que seja disforme ou informe é limitado apenas a si mesmo e a seu potencial, mas deixa de ser perceptível como algo especial. Assim, a partir das aparências externas, poderá ser várias coisas; mesmo assim, prefere ser tudo o que for possível em seu ser interior.

Segundo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), um ser humano deve no geral (objetivamente) ser o que é também para si mesmo (subje-tivamente), o que significa que uma pessoa deve definir-se pelo que sente no fundo de si mesma, e também pela sua aparência exte-rior, resolvendo desse modo a dicotomia de ser.

Como consequência desse pensamento, o conceito de autorrealização aparece como um termo novo nas obras de Hegel a partir de 1816, e propõe todo um novo esquema.

Esse esquema, porém, difere significativamente do conceito chinês de xiushen. Este termo binomial, que pode ser traduzido como “cultivo do próprio caráter moral”, é central no confucionismo. Originalmente, xiushen significava a limpeza de todo mal nas águas dos rios. Confúcio considera esse conceito a base para o desenvolvimento da personalidade.

Segundo a obra clássica de Confúcio, O Grande Ensinamento, alguém se torna uma pessoa quando coloca o ato de limpeza física no contexto do império sob os céus, do Estado (vassalo) e da família.

Na visão da cultura ocidental, há uma frase-chave posterior, da Dinastia Song (960-1279), que mostra bem o quanto um conceito cosmológico como esse retira de uma pessoa aquilo que é parte de sua individualidade: “Apague os desejos humanos e aplique os princípios celestiais”. Essa frase vai além do requisito anterior de Confúcio, pois afirma que o ser humano precisa “superar a si mesmo, e restabelecer as normas sociais, o rito”.

Em todos os casos citados, o que cada um ganha não é a própria forma exclusiva, mas a forma de ser ele mesmo, e a forma de todos e de tudo. Nesse sentido, sou indistinguível de outros humanos pela minha aparência exterior. Mas, em contrapartida, carrego a razão de todas as coisas dentro do meu eu interior. É por isso também que o céu, a terra e os humanos podem ser entendidos como uma trindade do mundo interior.

Essa ideia também explica por que a filosofia chinesa antiga permaneceu não falada. As palavras formam um texto, e com isso o reduzem a umas poucas possibilidades. A abundância de palavras pode dar a impressão de esclarecer uma afirmação, mas na realidade torna essa declaração mais obscura.

No caso de Confúcio, temos de preencher mentalmente com pensamentos adicionais os espaços entre os caracteres chineses, e ao fazer isso elevamos as declarações não faladas a algo filosófico e eloquente.

Por exemplo, vamos olhar mais de perto o seguinte exemplo do Lunyu (IV. 8):

O Mestre disse “Se um homem de manhã ouve o caminho correto, ele pode morrer ao anoitecer sem arrependimento”.

O que Confúcio quer dizer com essa afirmação? Da boca de Sócrates (470-399 a.C.), estamos familiarizados com a ideia de que filosofar significa aprender a morrer. Então, por que não pegar um atalho via Sócrates para compreendermos seu colega chinês?

Da perspectiva europeia, podemos muito bem perguntar: Por que um homem que ouve falar do caminho correto de manhã não pode morrer ao meio-dia? Quem quer que levante questões como essa e com isso complemente um dizer minimalista irá de fato começar a filosofar. Em consequência, a morte se tornará objeto de seus pensamentos, como se deu na mente de Sócrates.

O filósofo francês François Jullien complementou no mesmo estilo outra passagem curta e bem conhecida dos Analectos de Confúcio, também sobre o tema da morte:

O duque de She perguntou a Zilu a respeito de Confúcio, mas Zilu não respondeu. O mestre disse: “Por que você não respondeu, ‘ele é simplesmente um homem, que em sua ávida busca de conhecimento esquece de comer, que no êxtase de alcançar esse conhecimento esquece todas as suas penas, e que não percebe que a idade provecta se aproxima?’”.

Alunos estrangeiros da Universidade de Soochow participam de homenagem a Confúcio em Suzhou, Província de Jiangsu.

O silêncio de Zilu é característico, porque uma declaração a respeito do Mestre teria feito inevitavelmente com que ele se definisse como uma certa coisa, e o teria identificado como algo em particular. No entanto, o próprio Confúcio não parece ter conhecido dificuldades desse tipo. Ele fala de si em imagens duais, que deixam claro o que é importante para ele e o que não é. As imagens de uma ansiosa busca, e de comida, alegria e dor, percepção e idade, são contrastantes.

No entanto, não sabemos com precisão o que o Mestre está tão ansiosamente procurando ou o que faz com que se sinta extasiado. Aqui, como em muitas outras passagens dos Analectos, não há um objeto claro que venha explicitado após o verbo da sentença. Apenas o último verbo, “perceber”, revela um objeto: a chegada da idade. Como esse verbo aparece numa negação, o conteúdo da autocaracterização dá a impressão de revelar uma espécie de calma no Mestre Confúcio. A busca só irá terminar após a morte, que, no entanto, o mestre não parece temer de modo algum.

Estamos aqui lidando com um fenômeno, um exercício, que desempenha um papel importante tanto na filosofia chinesa quanto na ocidental. No entanto, esse paralelismo não recebeu até agora a devida atenção.

Parte 2

Os Analectos de Confúcio começam com uma afirmação de três partes que há muito tempo se tornou proverbial. De momento, porém, iremos examinar mais de perto a sua primeira parte:

O Mestre disse: “Não é agradável aprender com constante perseverança e aplicação?”.

No texto original em chinês, encontramos três verbos que são de suma importância: aprender, praticar e sentir prazer. A questão aqui é qual o vínculo interno que poderia haver entre esses três verbos. Será sua menção aleatória ou, como estou pessoalmente convencido, existe uma relação necessária subjacente?

Na minha opinião, eles nos dão um vislumbre das circunstâncias da existência humana, não importa se estamos falando do passado ou do presente.

Em chinês antigo xue significava originalmente “imitar” – por exemplo, imitar as palavras de um professor. Por isso ler em voz alta guiado por um professor ainda é uma prática viva e importante na China, até hoje. Por toda parte na China você encontra grupos de pessoas que se reúnem para memorizar algo em voz alta. Aprender desse modo cria uma amizade com o professor, seguida por uma amizade entre aqueles que aprendem.

A essa altura, podemos facilmente encaixar as teorias de Martin Buber (1878-1965) ou Hans Georg Gadamer (1900-2002), que dizem que o processo de desenvolvimento da personalidade está intimamente conectado à existência de uma contraparte. É na voz desse outro vis-à-vis que cada pessoa reconhece a si mesma.

Essa contraparte pode ser uma divindade, um professor, um dos pais ou um parceiro. De uma forma ou de outra, a felicidade só pode ser encontrada na companhia de outros. É essa a razão pela qual, para Confúcio, era tão importante ser um humano entre humanos.

Desta vez, quero falar sobre a relação entre exercício e prazer, que de outro modo não seríamos capazes de compreender em todas as suas dimensões.

Exercício e prazer

Embora o exercício (em latim, exercitatio, em francês exercice, em alemão Uebung, em inglês exercise) tenha perdido muitos adeptos devido à triunfal conquista do mundo ocidental pela modernidade, ele ainda tem uma longa história, ligando Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e presente, como ocorre na China.

Como o uso do termo difere nas diversas línguas – latim, alemão, inglês, francês e português –, temos de examinar mais de perto seu lado filosófico e teológico, em vez de nos atermos ao lado etimológico.

Na Grécia Antiga, o exercício era visto como um meio de adquirir os talentos dos deuses. As virtudes na cultura grega originalmente não eram consideradas uma questão humana. Ao contrário, somente pela prática de certas habilidades é que a sabedoria podia tornar-se uma segunda natureza dos humanos.

Essa origem religiosa do termo “exercício” pode também ser observada tanto na Idade Média como nos tempos modernos: na Grécia, o exercício da cultura é entendido como ascetismo, e no contexto da Imitatio Christi ou Imitatio Dei o exercício oferece a possibilidade, graças ao ab exercitatio spiritualia, de ascender até Deus (in Deum adscendere). Assim, o exercício adquire uma noção mais elevada e, portanto, no sentido teológico, uma noção correta. Isso significa que o exercício é a precondição para uma vida plena.

Essa é também a ideia básica de Otto Friedrich Bollnow (1903-1991), que em sua filosofia (hermenêutica) dedicou um livro inteiro ao tema do exercício. A razão pela qual o autor pode ser invocado para uma interpretação do confucionismo não só num sentido formal, mas num sentido relacionado ao conteúdo, são seus encontros intelectuais e também físicos com o Japão e a Coreia.

“Exercício como rotina diária”, como ele veio a conhecer em suas viagens, não difere em nada do tipo de exercício postulado pelo confucionismo, bem como pelo taoísmo e pelo budismo.

Alunos da pré-escola em trajes tradicionais cantam Os Analectos de Confúcio em Liaocheng, Província de Shandong

Basta lembrar a famosa parábola de Mêncio (372-289 a.C.) sobre a Montanha Niushan. Este discípulo intelectual de Confúcio fala sobre a necessidade de um cultivo diário da respiração para preservar a vis vitalis [força vital], como precondição da virtude humana (Mêncio VI. A8).

Podemos também lembrar o exemplo do cozinheiro Ding, citado pelo filósofo taoísta Zhuangzi (c.369-286 a.C.), que disse que por meio da prática de seus talentos com a faca seria capaz de cortar uma vaca em pedaços com apenas um golpe. (Livro do Mestre Zhuang III.2)

Do budismo conhecemos a famosa história sobre varrer o chão como caminho para a iluminação, que no confucionismo coreano é transmitida na teoria e na prática como a “pequena doutrina” para jovens adeptos.

O sentido do exercício

Mas voltemos a Confúcio e ao seu dizer original. Ainda não examinamos por que razão “exercício” deve ser o mesmo que prazer. Hoje é comum a tendência de afirmar o oposto disso.

A etimologia dos caracteres chineses para “exercício” revela algo mais: um dos caracteres foi encontrado em ossos oraculares e em vasos de bronze, que estão intimamente relacionados ao caractere moderno (“exercício”) ou à sua forma longa equivalente , amplamente usada até a década de 1950.

No alto do caractere (na forma longa e na forma curta) vemos o pictograma correspondente a “penas”, e, na parte de baixo (na forma longa), um pássaro que tenta voar. Durante o Período dos Estados Combatentes (475-221 a.C.), xi incorporou o sentido de xuexi, “exercício por imitação”, que preserva até hoje.

Nos tempos atuais, o exercício costuma ser desacreditado como algo improdutivo. No entanto, uma obra recém-publicada do filosofo alemão Peter Sloterdijk enfatiza que o exercício não deve ser classificado sob as esferas de “orientais” conservadores ou ocidentais “esotéricos”.

Sloterdijk repete, sem citar especificamente, a tese de Bollnow do humano como um ser de repetição. Repetição envolve repetir a mesma coisa muitas vezes, para chegar à própria identidade. Sloterdijk também vê a vida diária como uma rotina de exercício ou o exercício como um meio de conduzir a vida diária.

Somente pelo exercício um ser humano se torna genuinamente humano e é capaz de experimentar um sentido holístico. O exercício forma o cerne desse ser humano e traz com ele a máxima completude.

O que Bollnow tem em comum com as ideias de tempos antigos e da Idade Média, assim como com a dos tempos modernos e atuais do Ocidente e das tradições do Extremo Oriente, é a sua percepção do exercício como ato ritual. Bollnow rastreia a etimologia da palavra alemã Ueben e destaca sua origem na agricultura e nas cerimônias religiosas. Também faz afirmações similares em relação ao latim e ao hindi.

Os dicionários etimológicos dão suporte à sua proposição: toda forma de exercício e prática tem uma natureza religiosa e é acompanhada por dança e rituais. Mas será que não podemos dizer o mesmo da afirmação de Confúcio acima citada? Nela somos confrontados com uma dificuldade especial, já que a opinião geral, acadêmica ou não, na China ou fora dela, é que Confúcio rejeita tudo o que é religioso.

Contra a opinião predominante, posso apenas destacar modestamente minha tentativa de encarar o religioso no Lunyu de Confúcio como o cerne de uma compreensão do Mestre. Assim, tenho de propor a tese de que o “exercício” chinês também remonta a uma origem sacra, embora essa tese ainda precise de maior fundamentação.

A minha certeza preliminar para minha suposição pode ser encontrada no fato de o exercício desempenhar um papel central no zen-budismo e, portanto, ter uma natureza religiosa.

Talvez algum dia fique provado que a aprendizagem e o exercício têm ambos nas obras de Confúcio um objetivo comum não mencionado, a saber, a cerimônia religiosa no templo dos ancestrais e os ritos que se originam dessa cerimônia.

Mas o que será que nos leva, graças a Bollnow, a entender o prazer como uma consequência do exercício na citação acima mencionada? Para o filósofo alemão Bollnow, exercício é parte da encarnação humana, da infância até a velhice.

Somente pelo exercício um ser humano se torna genuinamente humano e é capaz de experimentar um sentido holístico. O exercício forma o cerne desse ser humano e traz nele a máxima completude.

A evolução do potencial humano e a metamorfose em ser cultural levam naturalmente a uma espécie de liberdade interior. Equanimidade e relaxamento, serenidade e felicidade são consequências lógicas. A terceira parte da já mencionada afirmação de Confúcio então é uma consequência natural:

“E por acaso não é um homem de íntegra virtude aquele que não sente nenhum incômodo quando os outros sequer o percebem?”.

Quem quer que estude e pratique a tradição mostra-se apto a servir um soberano. No entanto, esse soberano pode ser cego e não se dispor a contratar uma pessoa capaz. O próprio Confúcio nunca deteve nenhum cargo que o satisfizesse de fato.

Mas um ser humano que encontre o caminho para si mesmo por meio do exercício diário não precisa de um soberano para isso. Essa é exatamente a razão pela qual amigos que vêm de lugares distantes (a segunda sentença essencial do adágio) podem aprofundar o prazer que já experimentaram:

“Não é prazeroso ter amigos que vêm de lugares distantes?”.

Até hoje estudantes chineses frequentam os templos em homenagem a Confúcio às vésperas de exames escolares para pedir proteção e inspiração ao grande mestre e patrono da educação na China.

Alguém poderá perguntar, por que esses amigos vêm de um lugar distante? Bem, eles podem ter ouvido falar da maneira correta de se exercitar e podem querer tomar parte nisso para se restabelecerem com a ajuda do modelo exemplar do mestre.

Assim como François Jullien destacou no início de seu livro Elogio do Insípido, a Partir da Estética e do Pensamento Chinês, caracteres que parecem desimportantes à primeira vista são na realidade verdadeiramente essenciais.

Por meio de seu “retorno via China”, que estritamente falando era um retorno pela Grécia, François Jullien tornou a filosofia chinesa um evento intelectual. Ele mostrou que a leitura dos filósofos chineses constantemente nos convida a complementar e desse modo compreender o que não é explicitamente dito. E complementamos isso por meio de nossa percepção. Com isso, fazer um retorno via Europa pode também às vezes ser muito útil.


China tem mais quatro novas Cidades Criativas na lista da Unesco

junho 1, 2018 4:24 pm Published by Leave your thoughts

Quatro cidades chinesas estão entre as 64 cidades de 44 países recém-designadas  em outubro pela Unesco como Cidades Criativas. Elas se unem a uma rede que compõe a linha de frente dos esforços da Unesco para incentivar a inovação e a criatividade como fatores-chave para impulsionar um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo. Changsha conseguiu entrar na lista por seu destaque na arte digital; Macau foi selecionada por sua cultura gastronômica; Qingdao por seu cinema; e Wuhan por seu importante setor de design. “Essas novas indicações mostram uma maior diversidade nos perfis das cidades e maior equilíbrio geográfico, com a inclusão de dezenove cidades de países que nunca haviam sido representados na rede”, declarou a diretora-geral da Unesco Irina Bokova.

Desde 2004, a Rede de Cidades Criativas da Unesco destaca a criatividade de seus membros em sete áreas: artesanato, arte folclórica, cinema, gastronomia, literatura, artes da mídia e música. Ela conta hoje com um total de 180 cidades em 72 países. Até outubro, oito cidades chinesas já faziam parte da rede – Jingdezhen, Xangai, Shunde, Hang-zhou, Suzhou, Chengdu, Pequim e Shenzhen.

Suzhou – uma das Cidades Criativas!


Volume comercial da China cresce 15,9% entre janeiro e outubro

junho 1, 2018 4:21 pm Published by Leave your thoughts

O volume do comércio exterior da China cresceu 15,9% em relação ao ano passado e alcançou 22,52 bilhões de yuans (US$ 3,39 bilhões) nos primeiros dez meses deste ano, segundo cifras oficiais publicadas em novembro passado.

As exportações cresceram 11,7%, totalizando 12,41 bilhões de yuans, enquanto as importações aumentaram 21,5%, e chegaram a 10,11 bilhões de yuans, informou a Administração Geral da Alfândega.

No mesmo período, o superávit comercial foi de 2,3 bilhões de yuans, com uma redução, portanto, de 17,8%. “As importações e exportações da China tiveram rápido crescimento nos primeiros dez meses”, informou a administração. O comércio com os mercados tradicionais aumentou de modo sensível. As exportações para União Europeia, Estados Unidos e Japão cresceram 16,2%, 17,2% e 14,2%, respectivamente.

 


China fortalece apoio financeiro às pequenas e microempresas

junho 1, 2018 4:18 pm Published by Leave your thoughts

A China introduziu políticas de diminuição de impostos para reduzir a carga sobre as pequenas e microempresas, a fim de apoiar o crescimento econômico. De 1º de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2019, as instituições financeiras estarão isentas do imposto sobre valor agregado relativo à renda dos créditos destinados a pequenas, microempresas e empresas individuais, segundo documento divulgado pelo Ministério da Fazenda e da Administração Estatal de Impostos. Hoje, essa medida só se aplica a empréstimos concedidos a agricultores. O limite do empréstimo isento de impostos para cada uma das categorias mencionadas é de 1 milhão de yuans. Já os impostos de selo em contratos de crédito para pequenas e microempresas não serão aplicados de 1º de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de 2020.


Confluências em Português: Linguística, Literatura e Tradução

maio 19, 2018 6:42 pm Published by Leave your thoughts

O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM) realizou em maio último a conferência internacional “Confluências em Português: Linguística, Literatura e Tradução”.

Os antigos alunos.

O evento reuniu mais de 40 especialistas e acadêmicos de Portugal, Brasil, Moçambique, França, Itália, Japão, China continental e Macau. Durante o evento, os participantes compartilharam as suas descobertas, experiências e conhecimentos na área de ensino de português como língua estrangeira. Participaram da cerimônia de abertura da conferência o Vice-Reitor de Pesquisa da UM, professor doutor Rui Martins, a Diretora da Faculdade de Letras (FAH), professora doutora Jin Honggang, o Diretor do Departamento de Português, professor doutor Yao Jingming, e a Presidente da Comissão Organizadora da conferência, professora doutora Ana Nunes.

Por sua história e esforços do governo, Macau é reconhecida como plataforma entre a China e os países lusófonos para o desenvolvimento de talentos bilíngues (chinês e português), fundamental para o estreitamento de laços entre esses países.

É segunda vez que Universidade de Macau organiza um encontro sobre o ensino de português como língua estrangeira. O evento é uma oportunidade para profissionais de língua portuguesa, literatura e tradução de diferentes partes do mundo trocarem ideias e compartilharem resultados de pesquisa, com o objetivo de encontrar uma maneira mais adequada de ensinar o idioma, considerando as caraterísticas dos alunos.

A professora doutora Jin, diretora da Faculdade de Letras da UM, afirmou durante o encontro que “é profundamente significativo que esta importante conferência internacional tenha lugar em Macau. Desde o século XVI, Macau tem desempenhado um papel vital no intercâmbio das culturas no mundo. Devido à sua história, cultura, ambiente linguístico e localização geográfica, Macau tem não só uma responsabilidade pela promoção da língua e cultura portuguesas, como também a nobre missão de formar um grande número de talentos bilíngues em português e chinês.”

O chefe do Departamento de Português, professor doutor Yao Jingming, afirmou que “desde a criação do departamento, a UM produziu um grande número de profissionais bilíngues para Macau e para a China interior.” Segundo ele, o Departamento tem muitas responsabilidades no futuro, tal como, o aperfeiçoamento do modelo atual de ensino de português, para que possa responder às necessidades individuais dos alunos. O professor Yao acrescentou que o departamento também irá iniciar pesquisas sobre o ensino de português, fará traduções e estudos de clássicos chineses e portugueses e fortalecerá o intercâmbio acadêmico e a colaboração entre a UM e outras instituições.

A professora Ana Nunes, presidente da Comissão Organizadora, disse que “a conferência reuniu profissionais da língua portuguesa de diferentes partes do mundo, e o Departamento de Português da UM é o local ideal para esta conferência porque tem o maior corpo docente de português fora de Portugal e do Brasil.”

No encerramento da conferência, em 12 de maio passado, houve também a cerimônia de fundação da Associação de Antigos Alunos do Departamento de Português. O Departamento já formou cerca de 2 mil alunos bilíngues, sendo que muitos deles fazem parte da elite profissional na sua área, com significativa contribuição para as relações entre Macau, China Interior e os países lusófonos. A UM pretende convidar no futuro estes antigos alunos para compartilhar suas experiências profissionais e acadêmicas.