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Empresa chinesa investirá na preservação de sítio arqueológico do Rio

setembro 26, 2019 5:41 pm Published by Leave your thoughts

A companhia chinesa State Grid irá investir na preservação do Cais do Valongo, um sítio arqueológico de muita importância histórica localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. O local era o ponto de chegada dos escravos africanos no Brasil durante o século 19 e as suas ruínas foram descobertas durante a reforma da área portuária como parte dos preparativos da capital carioca para hospedar os Jogos Olímpicos de 2016.

Com a verba doada pela empresa da China ajudará a restaurar o local e transformá-lo em um museu aberto, com uma nova iluminação cênica, sinalização e câmeras de segurança, o que permitirá que os visitantes tenham um melhor entendimento sobre o local, que foi tombado como patrimônio mundial da UNESCO em 2017.

De acordo com o secretário municipal da Cultura do Rio, Adolfo Konder, também será lançado um projeto educacional que terá como objetivo engajar os estudantes e visitantes a entender melhor a importância do Valongo, especialmente para os brasileiros de origem africana. “É um lugar por onde passaram os ancestrais que formaram o nosso povo e uma grande parcela da nossa cultura brasileira. É preciso que a população conheça essa história”, explicou ele.


A cozinha étnica de Yunnan

setembro 26, 2019 2:36 pm Published by Leave your thoughts

Sopa de frango no vapor

A província de Yunnan no sudoeste da China tem um clima temperado e é considerada um tesouro de flora e fauna. Sua cozinha, que costuma ser chamada também de cozinha Dian, tem estilo único entre as culinárias chinesas. Combina as tradições alimentares de 25 minorias étnicas com a do povo Han, compondo uma mistura perfeita de muitos estilos diferentes de cozinha. Os principais aspectos da culinária de Yunnan são o uso de vários ingredientes crus, de métodos de cozimento únicos e os sabores ricos e característicos das diversas minorias.

Yunnan tem cerca de 150 espécies de cogumelos comestíveis, uma variedade muito grande em termos mundiais. Cada tipo cogumelo tem um sabor único e todos são muito nutritivos. Graças ao clima quente, as flores brotam o ano inteiro. Elas não são apenas ornamentais, mas também são usadas como ingredientes culinários.

Arroz negro no abacaxi

A cozinha e Yunnan é famosa pelas habilidades culinárias que envolve. Por exemplo, carne e peixe costumam ser grelhados com uma erva local de intensa fragrância chamada capim-limão, que cresce na floresta tropical de Xishuangbanna, na parte mais ao sul de Yunnan. Os utensílios usados para comer pelas minorias étnicas são quase sempre de materiais naturais, como bambu, cerâmica, madeira e folhas. O arroz glutinoso cozido dentro do bambu combina perfeitamente a fragrância do bambu com a do arroz glutinoso. O abacaxi oco recheado com arroz negro no vapor preserva o sabor refrescante da fruta. O frango cozido na cerâmica do condado Jianshui é de dar água na boca, e o mesmo vale para a carne macia com sopa nutritiva.

Yunnan oferece iguarias variadas: tofu, pratos com cogumelos matsutake, presunto Nuodeng, frango no pote cozido no vapor, talharim de arroz crossing-the-bridge e peixe assado com ervas aromáticas. Há muitas culturas e hábitos alimentares diferentes, como o Banquete de Rua Comprida da minoria Hani, o vinho de casamento da minoria Dai, o Sandieshui (cozido de costela de porco), conhecido também como “Banquete completo Manchu-Han da minoria Naxi” e a carne de porco no vapor, típica da minoria Yi.

O Banquete da Rua Comprida é uma tradição que a minoria Hani reserva para a Festa Angmatu, quando é oferecido em homenagem às suas divindades da cidadela e ao deus dragão, para obter uma boa colheita. As mesas são enfileiradas ao longo da rua, sem espaços entre elas, alcançando até 7—m de extensão, e cada família traz cerca de 40 iguarias, além de bons vinhos.

Peixe assado temperado com capim-limão

O peixe-grelhado com capim-limão é um prato característico da minoria étnica Dai. A tilápia é um peixe comum de carne macia e rico em ácidos graxos insaturados e proteínas. Este prato tem dois aspectos: um sabor equilibrado de peixe assado e a fragrância do bambu, com toques da combinação de capim-limão e coentro.

O preparo é simples: descame o peixe, abra a barriga, remova as vísceras e limpe; corte cebolinha, gengibre, pimenta verde e coentro, e salpique sal; despeje o tempero na barriga do peixe, amarre o peixe com folhas de capim-limão, enfie-o dentro de tiras de bambu verde, e então grelhe no carvão. Quando o peixe estiver bem passado, unte-o com toucinho e grelhe por mais cinco minutos. Está pronto pra servir.


Um diálogo sobre civilizações

setembro 13, 2019 4:30 pm Published by Leave your thoughts

A Conferência sobre o Diálogo das Civilizações Asiáticas (CDAC), a primeira da Ásia, foi um grande encontro com foco no tema dos intercâmbios intercivilizacionais e aprendizado mútuo para uma comunidade com um futuro compartilhado, realizado em maio último na China. Milhares de pessoas de todo o mundo participaram da conferência em Pequim.

“Distintas civilizações não estão destinadas a entrar em conflito não estão destinadas a entrar em conflito”, disse o presidente Xi Jinping em seu discurso na cerimônia de abertura do CDAC. “A intensificação dos desafios globais que a humanidade está enfrentando exige esforços concertados de países em todo o mundo”, disse o presidente, destacando o papel da cultura no enfrentamento destes desafios.

O evento de uma semana incluiu painéis de discussão, Carnaval da Cultura Asiática e Semana da Civilização Asiática envolvendo mais que 110 atividades para mostrar a diversidade e a riqueza das civilizações asiáticas.

Thomas S. Axworthy, secretário-geral do Inter Action Council e professore na Universidade Zhejiang, esteve presente e escreveu este artigo para a China Hoje.

Sessão de compartilhamento de experiências governamentais da conferência Diálogo das Civilizações Asiáticas, realizado em Pequim

Em 2015, o presidente chinês Xi Jinping apresentou uma importante ideia no Fórum Boao para a Ásia ao convocar uma conferência de diálogo entre as civilizações asiáticas. Em maio de 2019, esta ideia foi concretizada com uma conferência realizada em Pequim, com foco em seis sessões paralelas de múltiplas plataformas, destinadas a promover intercâmbio e aprendizagem mútua entre os delegados, assim como a celebrar as contribuições das civilizações asiáticas por meio de um festival gastronômico, um carnaval cultural e reuniões de jovens.

Essa iniciativa deve ser festejada por duas razões: primeiro, pela decisão do presidente Xi Jinping de destacar o conceito de civilização, uma das construções mais importantes e mais debatidas da história mundial. Segundo, porque a ênfase é no diálogo e na mútua aprendizagem, um processo extremamente necessário num mundo interligado pela internet, propenso a erros de cálculo, à adoção de estereótipos e, às vezes, a rotundos enganos.

Os seres humanos têm múltiplas identidades e lealdades – a si mesmos, à família, à comunidade, ao estado nacional e também ao mais amplo de todos, a conexão com um conjunto de valores, com uma história compartilhada e com costumes e instituições comuns, muitas vezes mais amplos do que os limites de qualquer estado individual. Arnold Toynbee, o historiador britânico que escreveu uma obra em 12 volumes, Um Estudo da História, organizada em torno de 21 diferentes civilizações mundiais, afirmou que “civilização é uma obra de arte” e que os componentes desta construção artística costumam incluir formas altamente desenvolvidas de governo, urbanização, cultura, riqueza, língua e religião. A China é uma civilização assentada nos limites de um estado, por exemplo, mas a civilização chinesa exerceu impacto na Coreia, em Singapura, na diáspora chinesa e ao longo de boa parte de sua história, no Japão. A civilização ocidental é composta por muitos Estados, na Europa e América do Norte, e estende-se até Austrália e Nova Zelândia. Começando com o indivíduo e a família e acrescentando camada por camada de diferentes organizações, sociedades e comunidades, a civilização é a ideia ou construção secular mais ampla e mais ambiciosa que a humanidade já concebeu.

O presidente chinês Xi Jinping realizando o seu discurso na cerimônia de abertura da conferência

Fernand Braudel, autor de Uma História das Civilizações, escreve poeticamente: “Civilizações, como dunas de areia, estão firmemente ancoradas nos contornos ocultos da terra”; e que “Aquilo que chamamos civilização é o passado distante e muito distante apegando-se à vida e determinado a se impor”.

Toynbee escreveu a respeito de 21 civilizações, mas a maior parte delas não sobreviveu para influenciar os tempos modernos. Duas da Ásia resistiram e prosperaram, e estão entre as mais antigas e influentes civilizações da história mundial, com dois dos pensadores mais seminais que o mundo já produziu. No século 5 a.C., o mundo experimentou uma era axial ou um ponto de inflexão: moldando este movimento, houve o impressionante e quase simultâneo surgimento de Sidarta Gautama (563-480 a. C.), o Buda, e de Confúcio (551-479 a.C.), cujas visões e ética influenciaram o mundo desde então.

A índia tem uma das civilizações mais antigas do mundo, a civilização Harapa do Vale do Rio Indo, que durou mil anos, de 2500 a 1500 a.C. Tinha cidades como Mohenjo-Daro, com populações entre 30 ml e 60 mil habitantes, uma escrita (ainda não decifrada), uma grande base agrícola e instalações sanitárias sofisticadas. A civilização do Vale do Indo foi conquistada pelos arianos (cerca de 1500 a.C.), e eles por sua vez introduziram os Vedas, os livros sagrados da civilização Hindu (entre 1200-200 a.C.).

A Índia também foi o lar de um dos mais influentes pensadores da história mundial, Sidarta Gautama, que quando jovem abandonou seu lar privilegiado e iniciou viagem em busca de maior compreensão da vida ou de iluminação. O budismo desde então tem ensinado que a iluminação de Buda pode ser alcançada por todo ser humano por meio do desenvolvimento de qualidades de caráter como a sabedoria e a compaixão. A compaixão é uma empatia ativa ou uma disposição de levar em consideração a dor dos outros. O ideal de Buda era a eliminação do sofrimento e esta postura ética tem animado líderes transformadores como Mahatma Gandhi, que libertou a Índia do domínio colonial britânico.

Um espetáculo de dança e teatro, criação conjunta sino-indiana

As dinastias Shang e Zhou da antiga China desenvolveram-se junto ao Rio Amarelo, do mesmo modo que a civilização Hindu foi alimentada pelo rio Indo. A dinastia Shang desenvolveu a escrita, um governo e uma tecnologia baseada no bronze. A escrita oracular da dinastia Shang é a forma de escrita chinesa mais antiga. A dinastia Zhou, que sucedeu a Shang em 1100 a.C., foi marcada pela chegada de Confúcio, um professor do estado de Lu, que sonhou em reviver a era dourada do duque de Zhou, uma fase de prosperidade que teve lugar quinhentos anos antes do nascimento do filósofo chinês. A educação é a essência da ética prática encontrada nos Analectos, livro que narra a história da dinâmica e dos instigantes intercâmbios de pensamento entre Confúcio e seus discípulos. A educação enseja a transformação d espírito humano por meio da música, do ritual, da caligrafia e da aritmética, e também por meio do esclarecimento da mente. A sociedade é uma família estendida, na qual a harmonia deve predominar por meio do autocultivo e da contenção. De fato, a ênfase na família é ainda um dos principais aspectos da civilização chinesa, onde hoje a família estendida continua a ser o ideal chinês, em contraste com a prática ocidental de enviar os parentes idosos para viver em instituições assistenciais. E como seria possível alcançar esta harmonia? Diante da questão “Existe uma palavra que possa guiar a pessoa pela vida?”, o mestre respondia: “A reciprocidade – nunca imponha ao outro o que você não escolheria para si mesmo”.

Iluminação, compaixão, educação, harmonia, autocontenção e a regra áurea da reciprocidade, são estas as ideias transformadoras e o legado das civilizações asiáticas.

A conferência de maio de 2019 sobre civilizações asiáticas não só avaliou em detalhe estas contribuições que a Ásia deu ao mundo, mas teve o propósito de incentivar o diálogo e a aprendizagem mútua. Este objetivo contrasta imensamente com outras abordagens que têm sido adotadas em relação ao conceito de civilização como lente para apreciar a história mundial.

O ressurgimento da civilização como uma construção organizadora nas relações internacionais deve-se em grande parte ao impacto das ideias do cientista político americano Samuel Huntington. Em seu influente livro de 1996 O Choque das Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial, Huntington escreve: “O tema central deste livro é que a cultura e as identidades culturais, que em seu nível mais abrangente são identidades civilizacionais, estão moldando os padrões de coesão, desintegração e conflito no mundo pós-Guerra Fria”. Huntington acreditava que as linhas de cisão entre as diferentes civilizações seriam a fonte primária de conflito no mundo do século 21. Ele intitulou um de seus capítulos, por exemplo, “O Ocidente e o Resto” (The West and The Rest).

O Esplendor da Ásia – Uma Exposição das Civilizações Asiáticas foi inaugurada no Museu da China em 13 de maio de 2019

Do mesmo modo que Huntington, o InterAction Council, em meados da década de 1990, também reconheceu a diversidade das civilizações mundiais, mas ao contrário do pesquisador americano, não colocou foco nas linhas de cisão. Numa publicação intitulada Bridging the Divide (Reunindo o Dividido), o Conselho procurou olhar para a base ética comum das grandes civilizações mundiais, Helmut Schimidt, que foi chanceler da Alemanha e fundador do Conselho, escreveu: “O choque de civilizações pode ser evitado”.

Schimidt e seus colegas enfatizaram que a ética e a responsabilidade eram uma conexão-chave entre as civilizações mundiais, e sob a orientação de Schimidt, o Conselho expediu em 1997 a Declaração Universal das Responsabilidades Humanas, uma tentativa de equilibrar direitos e obrigações, que toma por base todas as civilizações e fés religiosas do mundo.

Civilização é um conceito poderoso. As civilizações asiáticas deram tremendas contribuições ao avanço mundial e especialmente ao desenvolvimento de uma ética mundial. A aprendizagem mútua e o diálogo, não as linhas de cisão e o conflito, são os objetivos do encontro em Pequim em 2019 e são também as metas que o InterAction Council vem apoiando há muito tempo. A história do mundo é a história das civilizações, e o futuro do mundo irá depender do maior conhecimento mútuo entre estas civilizações e de que elas encontrem uma base para a cooperação comum.


Em memória da velha Pequim

setembro 13, 2019 3:30 pm Published by Leave your thoughts

O Museu Hutong de Pequim utiliza tecnologia multimídia para mostrar como era a vida tradicional na capital chinesa

As Torres do Tambor e do Sino, os céus azuis, os arrulhos dos pombos, a douzhi (bebida fermentada feita de farinha de feijão mungo) e os churros fritos. A simples menção destes elementos nos faz lembrar da “velha Pequim”, que agora só podemos encontrar escondida nos hutongs, os tradicionais becos e ruelas que atravessam o centro da capital chinesa.

No entanto, as casas localizadas em hutongs normalmente não estão abertas ao público, e a Cidade Proibida e o Palácio de Verão, onde viviam os imperadores, estão muito distantes de mostrar como era a vida das pessoas comuns. Daí a importância dos museus dos hutongs, que nos proporcionam uma janela para aquele estilo de vida do passado.

O Museu do Hutong Shijia, localizado na rua Shijia Hutong 24, abriu oficialmente ao público em 2013, convertendo-se no primeiro museu de hutong em Pequim. Com mais de 1.000 m² de superfície e 8 salas de exposição, foi residência de Ling Shuhua, famosa escritora dos anos da República da China (1912-1949). O museu hoje é administrado pelo Instituto Municipal de Planejamento e Projeto de Cidades de Pequim.

Em outubro de 2018, foi inaugurado o segundo museu de hutong em Pequim: o Museu d Hutong Dongsi. O edifício principal foi construído por volta de 1940. Com uma área de 1.023 m², é uma típica casa com um pátio de 3 entradas e 5 áreas de exposição.

Construção de um espaço cultural

Quando entramos no Museu do Hutong Shijia, ouvimos o canto dos pássaros, a passagem das bicicletas e o bate-papo dos vizinhos diante de suas casas. Logo vemos uma casa de pátio tradicional, de tijolos cinza, azulejos pretos e colunas douradas, em cuja entrada pende uma placa gravada por Shu Yi, um escritor local, informando que se trata do Museu do Hutong Shijia. Pequenos grupos de visitantes leem com atenção os painéis informativos da sala de exposições, muito concentrados em conhecer como era antes a vida na cidade.

Uma bicicleta Flying Pigeon chama a atenção. Trata-se de uma marca histórica em Pequim. Foi doada por Chen Ziyu, um jovem nascido na década de 1990 que ama a história e a cultura de Pequim. Chen passava em seu tempo livre pelas ruas da capital fazendo fotos de inúmeras placas de hutongs. Em 2016, doou sua bicicleta Flying Pigeon ao Museu do Hutong Shijia.

“Não sou deste hutong, mas adoro o museu. Vi que muitas peças daqui haviam sido doadas, como televisores antigos, gravadores e máquinas de costura, mas descobri que havia poucos artefatos ligados ao transporte, então decidi preencher esta lacuna”, explica Chen.

O Museu do Hutong Dongsi

Segundo ele, esta bicicleta fabricada em 1966 é forte e leve. “Naquela época custava 193 yuans, uma fortuna para qualquer família de Pequim. As pessoas tinham que usar um cupom especial para comprá-la, que era difícil de conseguir”, acrescenta Chen Ziyu. Agora em exposição, a velha bicicleta atrai os olhares dos visitantes, muitos dos quais param para tirar fotos com ela e perguntar se podem montá-la.

Dentro do museu há também uma pequena oficina, que fez uma recompilação das gravações de mais de 80 tipos de sons próprios da vida nos hutongs, como o canto das cigarras e das aves, os pregões dos vendedores, entre outros. A oficina é uma criação do artista Colin Siyuan Chinnery, neto da famosa escritora Ling Shuhua.

Segundo Wang Hingguangm do Instituto Municipal de Planejamento e Projeto de Cidades de Pequim, o museu foi criado para servir aos residentes locais. “Esperamos convertê-lo num espaço cultural público”, assinala.

No recém-inaugurado Museu do Hutong Dongsi, os residentes locais também doaram muitas peças, como tanques de água, azulejos e gaiolas de passarinhos. Liu Qiuqin, que cresceu num hutong, doou um grande aquário antigo que remonta à época da República da China e que era um elemento essencial no pátio das moradias daquela época.

Para uma vizinhança melhor

O Museu do Hutong Shijia, que está aberto há mais de cinco anos, tem uma relação harmoniosa com os vizinhos e realiza diversas atividades durante as festas tradicionais. No ano passado, no Festival Qixi (o Dia dos Namorados chinês), foi decorado de modo que os casais de idade avançada pudessem tirar fotos num ambiente romântico. “Nossas atividades procuram ficar bem perto do coração dos vizinhos”, diz Li Shaobin, um residente local. Durante o Festival de Laba (o oitavo dia do duodécimo mês do calendário lunar), os trabalhadores do museu convidam os residentes a preparar os alhos laba e depois curtem juntos a comida.

“As atividades no Nuseu do Hutong Shijia são impressionantes”, comenta um visitante. “Quando estávamos na universidade, minha namorada e eu participamos aqui de uma atividade que consistia em fazer macacos peludos. Usamos conchas de cigarra para a cabeça e as extremidades, e brotos de flores de magnólia-lírio para o corpo. O macaco peludo que fizemos parecia de verdade e ficou como um testemunho do nosso amor. Ainda o guardamos em nossa casa”.

Wang Hongguang destaca que na hora de construir comunidades melhores para as pessoas foi preciso reunir todo tipo de recursos, e especialmente mobilizar os vizinhos para que construíssem conjuntamente espaços públicos. Neste processo deve-se ter em mente as diferentes necessidades. O objetivo do museu é melhorar a compreensão e a confiança entre os vizinhos, e assentar as bases para a melhora do estilo de vida e da proteção aos hutongs.

 

Em 2014, os funcionários do Instituto Municipal de Planejamento e Projeto de Cidades de Pequim ajudaram a criar um organismo de proteção cultural para o Hutong Shijia, que é uma plataforma para que residentes, proprietários, especialistas e voluntários participem da preservação e renovação da vizinhança. O projeto “minipátio de um hutong” é um bom exemplo disso.

O projeto foi iniciado pelos professores e estudantes da Academia Central de Belas Artes em Pequim. Materiais descartados são usados, como vasos para o cultivo de frutas, verduras e outras plantas, o que ajuda a embelezar os pátios. As chaleiras são usadas para plantar flores e as latas de refrigerante se convertem em estantes de plantas. Zong Xiuying, que mora num hutong, diz: “Meu pátio nunca esteve tão bonito, graças a todas essas panelas com pimentas e seu delicado desenho”.

O Museu do Hutong Shija

Ma Yuming, do Instituto Municipal de Planejamento e Projeto de Cidades de Pequim e curador do Museu do Hutong Shijia, explica que o museu tem uma sala de reuniões onde os residentes podem participar de discussões sobre temas como infraestrutura, estacionamentos, banheiros públicos etc. “Nos últimos três anos foram reformados 7 pátios com canos de esgoto, estantes para armazenamento e lâmpadas solares redesenhadas”, assegurou Ma.

O projeto, que contou com a colaboração do instituto, recebeu em 2017 um prêmio concedido pelo Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural da China. A professora Kathyn Moore, ex-presidenta do Instituto Landscape do Reino Unido, declarou que não esperava ver um museu comunitário tão ativo e no qual as pessoas tivessem feito tantas coisas maravilhosas.

Um lugar de lembranças queridas

Uma questão muito importante hoje é como preservar a cultura tradicional de uma cidade e registrar as mudanças sociais diante de seu crescimento rápido e implacável. Em muitas cidades da China, têm hutongs de Pequim, que têm suas raízes nas comunidades locais e estão projetados para preservar a memória cultural da cidade.

Em janeiro de 2018, foi inaugurado o primeiro museu deste tipo em Xangai, o Museu do Beco Xiwang Huangyuan. As máquinas de costura, os biscoitos Laodafang, os relógios Sanwu e as xícaras esmaltadas estão entre as peças mais antigas que contam a história da antiga Xangai.

Em julho de 2017, foi inaugurado o Museu Longquanyi na comunidade de Wuxing, em Chengdu. Mais de 600 peças locais mostram as mudanças ocorridas nesta cidade entre as décadas de 1930 e 1990. O museu é muito popular no bairro, onde os idosos relembram o passado e os jovens podem conhecer a cultura agrícola e urbana. Também são oferecidas aulas para aprender hakka (um subgrupo do povo chinês Han) e aulas de culinária, a fim de promover o patrimônio cultural e a construção de uma comunidade harmoniosa.

Graças a uma oficina de fotografia e a um projeto de compilação da história oral, foram preservados preciosos arquivos sobre a vida nos hutongs. Na exposição “Velhas fotos caseiras”, Chang Jihong conta a história por trás das fotos que doou, que são também um testemunho da união entre ela e seu esposo, que já dura várias décadas.

“As veias de cultura são importantes. Os museus do hutong são o lar espiritual dos antigos residentes de Pequim e uma excelente maneira de contar sua história e cultura”, destaca Zhang Zhiyong, diretoe do Escritório do Subdistrito de Dongsi.


Wulingyuan: a paisagem que inspirou Avatar

setembro 13, 2019 2:30 pm Published by Leave your thoughts

Geada, massas de gelo pendentes e um mar de nuvens nos picos cobertos de neve da Reserva Natural da Montanha Tianzi em Zhangjiajie, um Patrimônio Natual Mundial

Na província de Hunan, no sudoeste da China, situa-se uma área de beleza deslumbrante, única no mundo por suas raras florestas de pedra, formações rochosas e cenário intocado. Trata-se da Área de Interesse Paisagístico e Histórico de Wulingyuan, e é composta pelo Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie, a Reserva Natural de Suoxiyu, a Reserva Natural Montanhosa de Tianzi, e a recém-incorporada Área Paisagística Natural de Yangjiajie, cobrindo uma área total de 500 km².

Entre as várias formações geológicas de Wulingyuan há colunas de pedra escarpadas, picos, serras e rochedos íngremes que abrigam velhas árvores, formações de nuvens e névoas, fontes borbulhantes e cachoeiras ondulantes. Aqueles que gostam de animais podem também ter a sorte de avistar algumas das muitas aves raras, mamíferos e animais em risco de extinção que vivem na área. A beleza encontrada aqui é uma das obras-primas da natureza, cativando os sentidos com seus sons e cores. Com chuvas subtropicais e temperaturas amenas, a vegetação aqui é exuberante. Em dezembro de 1992, a região foi inscrita na lista de Patrimônio Mundial da Unesco.

Múltiplas formações rochosas

Wulingyuan é famosa por seus mais de 3 mil pilares e picos de arenito, a maioria deles com amis de 200 m de altura, formando a mais rara floresta de formações de arenito de quartzito do mundo.

Cientistas acreditam que a região tenha sido um oceano há cerca de 300 milhões de anos. Há mais de 70 milhões de anos, um movimento geológico provocou a elevação e a separação do substrato plano de arenito de quartzito, até formar uma garganta unificada. As formações únicas e naturais que vemos hoje nesta floresta de picos de arenito de quartzito é o resultado da combinação de erosão fluvial da superfície da formação, de efeitos bioquímicos do colapso gravitacional e de condições climáticas.

Os picos têm alturas que variam de poucos metros até 400, distribuídos por uma área com altitudes entre 500 e 1.100 m. Suas paisagens e as diversas formações da floresta de arenito provocam a imaginação do observador sem limites, pois podem parecer habitadas por seres celestiais, ou mesmo por monstros e animais selvagens.

Segundo uma lenda do povo Tujia, um grupo local minoritário na região, a especial formação dos picos de arenito está ligada a um homem chamado Xiang Dakun, dos tempos antigos. Segundo a lenda, Xiang estava insatisfeito com o governo da época. Decidiu então definir as coisas a seu modo e proclamou-se rei da região da Montanha Tianzi, prometendo criar um mundo pacífico. Quando o imperador ouviu isso, enviou seus soldados para sufocar o levante do autoproclamado rei. Depois de sitiado nas montanhas várias vezes sem ser vencido, Xiang finalmente deu cabo de sua vida saltando numa ravina junto com seus comandados, e então seus corpos se transformaram nos picos que vemos hoje no vale. Em direção a sudeste esta região, há um profundo vale que tem mais de 30 picos de rochedos escarpados. As pessoas do local dizem que estes picos eram o exército do rei, e que o penhasco que se destaca destes picos é o Rei Xiang, e os outros picos são seus soldados.

Há também outro pico de pedra chamado “O Velho Catando Ervas”, pois a figura na formação rochosa parece um homem tujia idoso de chapéu tradicional, carregando um cesto cheio de ervas nas costas. Dez a lenda que ele era um médico do exército do rei, famoso pelo seu conhecimento das ervas e por sua habilidade de curador. No dia em que ele voltou da montanha e soube da notícia da derrota e da morte de Xiang, ficou tão triste que se transformou num pico de pedra.

O pilar de arenito do Parque Florestal Nacional Zhangjiajie, conhecido como Pilar entre o Céu e a Terra, foi rebatizado como Montanha da Aleluia Flutuante, após o lançamento do filme Avatar, em 2010

Wulingyuan é rodeado por íngremes rochedos e por vários níveis de montanhas. Toda vez que o sol reaparece ao final de uma pancada de chuva ou de um período de chuva fina, podemos ver um arco-íris estendendo-se pelo vale.  A luz penetra pelo mar de nuvens até o vale, e então os picos de pedra esgueiram suas cabeças pelas nuvens. No filme Avatar, o grande campeão de bilheteria de Hollywood, muitos dos protótipos de Pandora foram inspirados nos gigantes pilares de arenito de quartzito. Os picos flutuantes das Montanhas Aleluia foram concebidos a partir de um dos picos de pedra, apelidado de Pilar entre o Céu e a Terra.

Reduto de animais e plantas raras

Wulingyuan é um tesouro de flora e fauna. Além de contar com um clima ameno, chuvas abundantes e florestas viçosas, o ambiente é favorável à sobrevivência e reprodução de muitas espécies. Por ser uma área remota, poucos residem aqui, o que reduz a perturbação humana do ecossistema. Isto tem contribuído muito para preservar a biodiversidade e manter o ecossistema equilibrado, o que é muito positivo para a pesquisa científica.

Existem na área locais remotos, como o misterioso Golfo Shentang, na Montanha Tianzi. Este golfo fica no meio de um amplo vale, cercado por altos precipícios por todos os lados, com água cuja profundidade é desconhecida. Todo ano, o vale do Golfo Shentang é assolado por ventos e chuva, que às vezes trazem com eles sons sutis de gongos, de tambores batendo ou de vozes humanas ou de animais, que tornam o local misterioso.

Para chegar ao Golfo Shentang, é preciso escalar uma encosta muito íngreme, e cada um de seus patamares tem apenas dimensão suficiente para firmar um pé. Os habitantes locais dizem que quanto mais alto você escala, mais assustador o local se torna. Por isso, são poucos os que fazem o esforço de ir até lá.

O Cume Heicong é outro local inóspito, assim chamado por sua densa floresta de abetos. Tem se mantido intocado desde tempos imemoriais e é visitado apenas por animais silvestres.

Área do Golfo Shentang no Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie, província de Hunan

Entre as plantas que crescem ali, o pinheiro wuling é a espécie de árvore mais difundida. Além deles, há também muitas velhas árvores na região, que se erguem como relíquias vivas, caracterizadas por sua antiguidade, singularidade e quantidade. Por exemplo, na Aldeia Zhangjiajie, há uma antiga árvore ginkgo de 44m de altura, com um tronco de 1,59 m de diâmetro, encarada como um fóssil vivo na natureza.

Os recursos genéticos destas plantas têm grande valor científico, e seu ambiente biológico, estrutura florestal, proteção e preservação são importantes para a pesquisa.

Segundo uma investigação geral, 116 espécies de vertebrados terrestres de 50 famílias são encontradas na área de Wulingyuan. Além disso, ela é o lar do tigre do sul da China, do leopardo nebuloso, de macacos do gênero Macaca, salamandras gigantes, civetas e outras inúmeras espécies de animais silvestres. As salamandras gigantes podem ser vistas com frequência em riachos, nascentes e lagos.

Atração Classe 5A

Na década de 1980, a Área Paisagística de Wulingyuan era uma região recém-descoberta. Em 1982, o Conselho de Estado da China aprovou a construção de seu primeiro parque florestal – O Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie, que foi incluído na primeira lista das atrações turísticas Classe 5A.

O Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie é rico em plantas e vida silvestre, com uma cobertura florestal de 98%. É chamada de “museu nacional e jardim botânico natural”, e forma um ecossistema. Há muitos pontos paisagísticos na área. Os mais conhecidos são a Aldeia Huangshi, a Ravina Shadao, o Rochedo e o Arroio Chicote de Ouro. Na principal área de beleza natural, o Arroio Chicote de Ouro, com 5.710 m de extensão, é uma das paisagens mais bonitas e impressionantes.

O Ponto Paisagístico Suoxiyu deve seu nome à aparência geral dos muitos corpos d’água que cruzam o vale. Nesta região montanhosa, é possível ver ravinas, canyons, riachos, lagos e cachoeiras por toda parte, num exemplo perfeito de harmonia natural. O Arroio Baipu é a vista mais espetacular de Suoxiyu. Aqui os visitantes podem ver uma proliferação de cachoeiras ao longo de mais de cem grandes cavernas de calcário, das quais mais de uma dúzia estão abertas ao público. A mais visitada é a Caverna Huanglong, também conhecida como a “pérola do subsolo”. A Caverna Huanglong tem 7,5 km de extensão, e divide-se em quatro níveis. Há um grande espaço na ravina, com um rio correndo por ele. É majestoso, e constitui uma das mais famosas atrações turísticas de Wulingyuan.

A Área Paisagística da Montanha Tianzi fica na parte norte de Wulingyuan. Suas cadeias de montanhas e rios estão conectadas ao Parqueb Florestal Nacional de Zhangjiajie e à Reserva Natual Suoxiyu, e o local tem sido chamado de “território de beleza intocada”. Do alto da montanha, os visitantes podem ver vários níveis de montanhas e de flora, até onde a vista alcança.

Esta região de montanha abriga um terraço elevado cultivado, a mais de 1.000 m de altitude, que é um dos terraços mais altos da China. A plataforma destaca-se abruptamente, com três de seus lados um pouco mais elevados que o quarto. Há terraços cultivados com arroz no alto de um vale profundo. Esta terra tem sido cultivada e mantida por um pequeno grupo de agricultores locais há séculos. Para chegar até lá, o caminho é cheio de estradas irregulares, acessíveis apenas a pé, depois de pelo menos duas horas de caminhada. Como resultado, os residentes daqui têm pouco contato com o mundo exterior e raramente se aventuram além da borda de sua montanha.

A Área Paisagística de Yangjiajie é a montanha-irmã de Zhangjiajie, e se conecta a ela na sua parte leste, e à Montanha Tianzi ao norte. As montanhas e as águas daqui são tão belas que a sensação é de ter entrado no estúdio de um grande pintor. Esta área de beleza natural está dividida em três principais zonas de excursão: o Riacho Xiangzhi, a Garganta Longquan e o Vale dos Cem Macacos. O Riacho Xiangzhi tem altos picos de montanhas com vistas incríveis, profundas extensões de água, trilhas fantásticas e impressionantes campos em terraço nos picos elevados.

A Garganta Longquan é rodeada por rochedos, que funcionam como paredes naturais de ambos os lados, protegendo-a como se fosse uma antiga cidade fortemente defendida por barricadas. O Vale dos Cem Macacos, como o nome sugere, é o lar de muitos macacos e garças. Bandos de macacos do gênero Macaca fazem suas traquinagens entre os rochedos e ravinas, enquanto bandos de garças descansam entre as árvores.


China sediará evento sobre patrimônio cultural intangível

setembro 13, 2019 1:30 pm Published by Leave your thoughts

A cidade de Chengdu, capital da província de Sichuan, receberá a sétima edição do Festival Internacional do Patrimônio Cultural entre os dias 17 e 22 de outubro. O evento será coorganizado pelo Ministério da Cultura e do Turismo (MCT), pelo governo da província de Sichuan, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e pela Comissão Nacional Chinesa para a UNESCO.

O festival começará com uma performance artística durante a cerimônia de abertura e irá contar com um fórum internacional sobre o patrimônio cultural imaterial e outras atividades de apoio, pelo que informou Zhao Hongchuan, funcionário do departamento provincial de cultura e turismo de Sichuan. O evento contará com a participação de quase 100 países e regiões.

O evento, que acontece a cada dois anos desde 2007, tem como objetivo promover a preservação do patrimônio cultural imaterial e já atraiu mais de 4 mil representantes de mais de 130 países, regiões e organizações não governamentais ao longo dos anos, segundo Xie Jinying, funcionário do MCT. Em 2019, o evento incluirá ainda um programa de capacitação da UNESCO para os funcionários de mais de 20 signatários da Convenção de 2003 para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial na região Ásia-Pacífico.

“O festival se tornou uma plataforma internacional para compartilhar as experiências sobre a preservação do patrimônio cultural intangível e aprimorar o diálogo entre as diferentes civilizações”, afirmou Hu Yan, funcionário sênior do MCT. Ele apontou ainda que a lista de patrimônios culturais intangíveis chineses a nível estadual tem 1.372 itens, sendo que 40 deles já foram inscritos na Lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.

Hu disse que um total de 3.068 herdeiros de patrimônio cultural intangível de nível estadual foram credenciados. O governo central chinês destinou 5,4 bilhões de yuans (US$ 762,71 milhões) para a preservação de patrimônios desde 2013, enquanto outros 4,6 bilhões de yuans foram fornecidos pelos governos locais.


A Rota dos investimentos segue para o sul

setembro 13, 2019 12:30 pm Published by Leave your thoughts

Seis anos após o presidente chinês Xi Jinping ter proposto a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) ela continua sendo o plano de investimento mais ambicioso do mundo. As oportunidades que a BRI oferece para promover a prosperidade por meio do desenvolvimento de vínculos comerciais e criação de empregos são algo sem paralelo. No entanto, para que a BRI alcance suas aspirações mais ousadas, os países que dela participam na América Latina, entre eles o Uruguai, devem também trabalhar internamente e com a China para adotar políticas complementares, que promovam um crescimento econômico de longo prazo, responsável e sustentável.

A BRI é uma estrutura econômica global de um trilhão de dólares que liga a China e mais de cem países parceiros, que respondem por um terço do PIB global e por cerca de dois terços da população mundial. A BRI tem cinco objetivos amplos: coordenar políticas, propiciar a conectividade, promover comércio sem restrições, integrar mercados financeiros e construir redes de relações multilaterais e bilaterais por meio de conexões pessoa a pessoa. Diferentemente dos modelos tradicionais de desenvolvimento que utilizam condicionantes e enfatizam reformas institucionais, a BRI é uma abordagem movida por investimento e com foco na infraestrutura, no comércio e na criação de empregos. Desde o anúncio oficial da BRI, a China investiu mais de anúncio oficial da BRI, A China investiu mais de US$ 80 bilhões na iniciativa. O Banco Mundial observou que o massivo investimento sob a BRI pode “transformar o ambiente econômico no qual as economias operam”.

As primeiras áreas de prioridade geográfica da BRI seguiram a histórica Rota da Seda terrestre, da China à Europa, e uma nova Rota Marítima da Seda, mas, a partir de 2018, ela foi expandida para incluir o Ártico e a América Latina. A China promete investir US$ 250 bilhões na América Latina na próxima década. Isso aumenta potencialmente o acesso a capital para os indispensáveis projetos de infraestrutura, numa época em que há um recuo do interesse dos Estados Unidos, historicamente o país que mais interveio na região. Os projetos propostos pela BRI incluem um novo porto no Peru e um cabo submarino de fibra óptica entre a China e o Chile, que permitirá maior conectividade e aumentará a prosperidade nos dois países.

Líderes de países da América Latina acolhem a BRI como uma comunidade das fortes relações prévias. Desde 2005, a China investiu cerca de US$ 150 bilhões em financiamento estado-estado na região. Isso inclui o dinheiro investido em projetos de infraestrutura, como os de estradas na Costa Rica, ferrovias na Argentina e um porto em Trinidad e Tobago. Em 2015, o embaixador da Bolívia na China declarou que a BRI é “extremamente importante para o desenvolvimento futuro da Bolívia”. Em subsequentes declarações públicas, Peru, Equador, Argentina, Panamá, Trinidad e Tobago, Antigua e Barbuda, e Uruguai, também afirmaram esta posição. Os países da América Latina esperam se beneficiar com este maior investimento em infraestrutura.

No ano passado, 30º aniversário das relações China-Uruguai, este último tornou-se o primeiro país do Mercosul a assinar um acordo sob a BRI, dando prosseguimento a uma história de relações próximas entre os dois países. A China é o parceiro comercial mais importante do Uruguai, já que compra 27% das suas exportações, principalmente de produtos agrícolas como madeira, carne bovina, além de carneiro e lã. Os portos uruguaios servem como pontos estratégicos de pesca e despacho para as companhias chinesas. Montevidéu tem o melhor porto do sul do oceano Atlântico, e graças a uma lei de “porto livre” os bens que entram aqui podem ser reencaminhados a outros destinos, como Paraguai, Bolívia, Argentina e Brasil. Metade do frete recebido aqui é então liberado dessa maneira. Nueva Palmira, outro porto uruguaio na foz dos rios Paraná e Uruguai, tornou-se o porto preferido para exportações e importações do Paraguai e da Bolívia. Nas ruas de Montevidéu, os automóveis chineses Lifan 620 são uma preferência entre os motoristas de táxi. Estudantes participam de intercâmbios culturais nos dois países, e no último ano foi inaugurado um Instituto Confúcio no Uruguai. A importância deste relacionamento está refletida nas visitas de Estado de alto nível de autoridades de ambos os países, entre outras a minha visita como presidente do Uruguai em 1993. Atualmente, os dois países têm uma visão compartilhada de colaboração em várias questões prioritárias: mudança climática, governança econômica, Agenda para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030, manutenção da paz e cooperação Sul-Sul. A BRI irá ajudar a desenvolver ainda mais os laços entre os dois países.

Existem razões mutuamente benéficas para que o Uruguai participe da BRI. Fernando Lugris, embaixador do Uruguai na China, destacou duas destas razões. Primeiro, o avançado setor agrícola do Uruguai iria se beneficiar do maior acesso ao mercado chinês para vender os seus produtos. Em segundo lugar, como o Uruguai é uma “porta de entrada para a América Latina” e um polo logístico para negócios, as empresas chinesas podem alavancar a posição do seu país para entrar no grande mercado sul-americano. No entanto, ambos os países têm reconhecido a necessidade de expandir a cooperação na agricultura, na energia limpa, nas comunicações, mineração, manufatura e finanças para conseguir os mais elevados retornos sobre o investimento. Na realidade, o Uruguai está em posição única para maximizar os benefícios dos investimentos da BRI. O Uruguai há muito tempo alcança altas posições regionalmente por seu PIB per capita. O país é o segundo destino mais visitado do mundo por navios de carga refrigerados, e tem considerável expertise neste campo, já que Montevidéu é um núcleo pesqueiro global. No terreno da inovação, o Uruguai é um dos líderes mundiais em tecnologia de informação e comunicações, assim como em medicina animal e tecnologia genética. Globalmente, é um dos sete países mais digitalizados. Tem também um dos mais altos índices internacionais em valores democráticos nas Américas. Esses fatores tornam o Uruguai um país atraente e estável para investidores.

Apesar das muitas oportunidades criadas pela BRI, há várias outras considerações que o Uruguai e outros países da América Latina devem ter em mente em seu caminho de desenvolvimento.

Em primeiro lugar, alguns projetos da BRI empacados são um lembrete de que, como qualquer outro investimento, os sucessos socioeconômicos de projetos individuais da BRI não são garantidos. Os países devem se dispor a fazer os necessários investimentos para complementar o investimento chinês. No caso do Uruguai, isso pode significar introduzir programas de modernização que estimulem a competitividade comercial, como a redução de barreiras de regulamentação que sejam excessivamente complexas ou da taxação de produtos de empresas chinesas de pequeno e médio porte.

Em segundo lugar, relatos de pesados fardos de dívidas enfrentados por países em razão de terem feito empréstimos ambiciosos demais por meio da BRI são um lembrete da necessidade de um conservadorismo fiscal e de uma diversificação econômica. A América Latina, com seu longo histórico de interferência dos Estados Unidos sob a Doutrina Monroe, deve ser cautelosa em relação a não fazer empréstimos excessivos para não ficar em uma condição de forte dependência financeira. Em vez disso, os países latino-americanos, entre eles o Uruguai, devem encontrar financiadores alternativos ou investimento direto estrangeiro para complementar o investimento estatal em projetos de infraestrutura.

Em terceiro lugar, devido à vulnerabilidade da América Latina à mudança climática, os países devem ter cuidado com as consequências ambientais que os projetos da BRI possam gerar. Historicamente, os setores extrativistas e de commodities têm sido uma pedra de oque nas relações comerciais entre a China e a América Latina. No entanto, com todas as partes envolvidas cada vez mais comprometidas em lidar com a mudança climática, como visto na ratificação pelo Uruguai e pela China do Acordo de Paris, haverá terreno comum para que ambos os países explorem opções de investimento sustentável para o meio ambiente, especialmente no vasto setor agrícola do Uruguai.

Embora nenhum desses três aspectos seja significativamente desafiador, estas lições ajudam a assegurar que os países latino-americanos alcancem o maior sucesso sob a BRI. À medida que a China ganha crescente importância no cenário internacional, é imperativo que os demais países desenvolvam uma sólida compreensão disso e identifiquem oportunidades de colaboração.

Desde o início, o InterAction Council, um grupo de ex-líderes mundiais, do qual sou membro, tem dado prioridade à revitalização econômica. Isto inclui identificar políticas capazes de aumentar a assistência a países que possam se beneficiar de maior investimento. Acreditamos que não há contradição entre crescimento e recursos financeiros. A China, anfitriã da mais recente sessão plenária do Conselho, compartilha essa visão por meio da BRI. Damos muito valor à opinião do presidente Xi sobre o livre-comércio como a melhor maneira de construir prosperidade para todos os países e a melhor logística como a principal via para tornar isto real. Por meio de colaborações entre a China e os países parceiros na BRI, será possível concretizar a visão do presidente Xi, de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. Por meio da BRI, a América Latina tem uma oportunidade de estabelecer laços mais profundos com esta comunidade.


Empresa chinesa desenvolve robô farmacêutico

setembro 13, 2019 11:30 am Published by Leave your thoughts

Uma empresa de tecnologia de Pequim desenvolveu um robô inteligente para ajudar profissionais a fornecer serviços de farmácia e medicamentos e garantir que o público faça um uso seguro desses medicamentos. Segundo o seu desenvolvedor, o funcionamento do robô é equivalente a um farmacêutico profissional com 10 anos de experiência em ajuda aos pacientes a tomar remédios de forma eficaz e segura.

Usando as tecnologias de inteligência artificial, o robô pode fornecer análise de sintomas, verificações seguras do uso de medicamentos, regimes de dosagem, entre outros serviços, pelo que disse o desenvolvedor. A inovação tem como objetivo recuperar a insuficiência de farmacêuticos profissionais na China, onde novas farmácias de varejo devem estar equipadas com farmacêuticos profissionais e os responsáveis legais ou gerentes de todas as farmácias de varejo devem possuir qualificações profissionais de farmacêutico.

De acordo com o centro de certificação de farmacêuticos profissionais da Administração Nacional de Produtos Médicos, até o final de maio, o país tinha 439 mil farmacêuticos profissionais registrados em empresas farmacêuticas de varejo e quase 500 mil farmácias.

Com a iniciativa da Internet com assistência médica, a China empregou várias tecnologias avançadas para melhorar seus serviços médicos, como aplicativos móveis para registro hospitalar e dispositivos de reconhecimento facial para autenticação de identidade em hospitais.


Relíquias chinesas de 2 mil anos são repatriadas do Japão

setembro 13, 2019 10:30 am Published by Leave your thoughts

A Administração Estatal de Patrimônio Cultural da China anunciou que um conjunto de oito utensílios de bronze pertencentes ao patrimônio cultural chinês foi trazido de volta do Japão, após cinco meses de busca por parte das autoridades. Guang Qiang, vice-diretor da administração, disse que as peças estão entre as relíquias mais valiosas que foram encontradas e repatriadas com sucesso para a China nos últimos anos, depois do bloqueio do seu comércio ilegal no mercado internacional.

Os utensílios foram identificados pelos pesquisadores como objetos roubados de tumbas antigas, que datam do Período da Primavera e Outono (770 a.C. – 476 a.C.), que ficam localizadas em Suizhou, na província de Hubei. De acordo com os funcionários, os artigos de bronze, junto com os 330 caracteres chineses gravados neles, trazem informações valiosas sobre o antigo estado de Zheng, que, misteriosamente, não aparece nos registros históricos.

Guan explicou que as peças chegaram à China no dia 23 de agosto, graças aos esforços conjuntos realizados pelos departamentos diplomáticos, culturais e de segurança pública do país. A recuperação dos utensílios de bronze foi conduzida segundo as convenções internacionais, principalmente a Convenção da UNESCO de 1970 sobre os Meios de Proibição e Prevenção da Importação, Exportação e Transferência Ilícitas da Propriedade de Bens Culturais, e contou com a cooperação do governo japonês.


Torcedores chineses dão boas-vindas a ex-jogador da NBA

setembro 13, 2019 9:30 am Published by Leave your thoughts

Os fãs chineses de basquete, dos dois lados do Estreito de Taiwan, estão dando boas-vindas ao jogador de basquete americano de origem chinesa Jeremy Lin, que em agosto assinou um contrato com a Beijing Shougang Ducks para jogar na temporada de 2019/2020 da Associação Chinesa de Basquetebol (CBA, na sigla em inglês). Lin, que já fez sucesso em times da NBA, tem ambos os pais vindos de Taiwan.

Segundo Ma Xiaoguang, porta-voz do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, a CBA elaborou nos últimos anos políticas que criam oportunidades para que os jogadores de Taiwan joguem em ligas de basquetebol profissionais da parte continental do país. Ressaltando que sete jogadores taiwaneses jogarão a próxima temporada da CBA, Ma afirmou que mais atletas da ilha são bem-vindos para desenvolver suas carreiras na parte continental da China.