A melancia que traz prosperidade

A história de sucesso da coletividade de Panggezhuang

Por Wang Jinxu

Suco de melancia, a bebida refrescante que combina com praias do Brasil. E no hemisfério norte do planeta, os chineses compartilham o mesmo amor à melancia. A China é o maior produtor e consumidor mundiais de melancia, com uma produção total de 79,24 milhões de ton. Enquanto isso, a maioria das melancias tem o destino ao mercado interno, o que significa o consumo anual de quase 80,00 milhões!

Esse enorme consumo motiva o desenvolvimento da produção, e tem dado riqueza para áreas rurais.

Só quem convive sabe – Beneficiada dos planos de longo prazo para o alívio de pobreza, a cara de aldeias chinesas vem se mudando profundamente. A família Song, moradora da comarca Panggezhuang, convive com esta transformação.

Song Shaotang mora nesta pequena vila, 40 km distantes de Pequim. O pai dele, Song Baosen, conhecido por sua técnica de plantar melancias em Panggezhuang, iniciou sua carreira sob a onda da Reforma e Abertura. Com o apoio técnico de institutos de pesquisa, ele conseguiu suprimir o problema da Fusarium wilt, um fungo que provoca a murcha da fruta doce. Desde então, a melancia de Song começou a ser enxertada em abóboras e plantadas verticalmente.

No ano de 2001, a China publicou o “Plano de Desenvolvimento e Alívio de Pobreza nas Áreas Rurais da China”, ofereceu um kit de múltiplos instrumentos para os agricultores iniciarem seus negócios. Assim, o Song júnior conseguiu um empréstimo de três milhões de yuans (cerca de R$ 2,21 milhões), utilizado para estabelecer uma empresa. Despois desta transferência da produção familiar para a operação empresarial, a família já alcançou o lucro de mais de 1 milhão de yuans (cerca de R$ 773 mil) no seu primeiro ano. Mas esta família enriquecida não optou por se tornar um gigante monopolista do capital agrícola: Song organizou uma cooperativa agrícola, na qual 472 famílias da vila investiram, embarcando no caminho da cooperação coletiva.

Pode parecer irreal que um empresário desista da própria expansão do seu negócio para apoiar os demais aldeões a ficarem ricos, mas Song não enxerga desta maneira. “Um agricultor adquiriu o campo, o empréstimo e a tecnologia ao mesmo tempo”, explica ele. “O desenvolvimento das variedades de qualidade, da tecnologia de plantio vertical, as cordas e a cobertura degradáveis, tudo é beneficiado pela pesquisa científica, resultado do investimento estatal e com imposto pago por todas as famílias da China. É injusto que aplicasse todos os benefícios para minha própria empresa.”

Li Wanbo também nasceu em Panggezhuang. Como muitos jovens da área rural, ele partiu para Pequim após graduação. Em 2015, a cultura de melancia prosperou quando o governo chinês publicou o “Plano Nacional de Desenvolvimento da Indústria de Melancia e Melão (2015-2020)”. Segundo sua experiência no setor de internet, ele viu a oportunidade, “No passado, não tinhamos opção senão vender melancias para compradores com preços baixos. Mas por meio de lives e aplicativos, nós podemos vender a um valor mais compensador, ao mesmo tempo que os consumidores nas cidades também conseguem achar melancias mais econômicas.”

Por meio da sua sala de transmissão ao vivo, Li vendeu 40 mil caixas de melancias em um trimestre, atingindo 3,5 milhões de yuans (cerca de R$ 2,56 milhões) de receita. A experiência dele estimula a volta de jovens à aldeia. “Não estou preocupado com a competição”, disse ele, “trabalhei em Pequim e ganhei apenas 4.000 yuans por mês (cerca de R$ 2,9 mil). Só quem vive essa experiência sabe. O que há de errado em morar com suas famílias?”

Reconhecido e alcançado para todos – Semelhante a Li, Liu Fujuan iniciou seu investimento agrícola quando viu o rápido desenvolvimento da agricultura rural. Agora, ela está administrando um dos viveiros principais em Panggezhuang, com capacidade anual de 10 milhões mudas, que são oferecidas para residentes dos vilarejos ao redor. Na qualidade de empresa agrícola com vantagens financeiras, suas mudas de melancia são vendidas por menos de R$ 1,5.

“Antes, as famílias usavam carvão para criar mudas, mas dá muito trabalho e é poluente. Em 2017, o governo local deu recursos preferenciais para nós investidores e promoveu assim a criação intensiva de mudas.”

Para ela “a criação de uma estufa de mudas de pequeno porte significa ter como retorno 500 mil yuans (cerca de R$ 370 mil). Em troca, 30 mil mudas devem ser entregues para a população local por três anos”. Além de vender mudas, Liu também organiza regularmente formação para os moradores, um serviço pós-venda a garantir a plantação.

O cultivo intensivo de mudas usa eletricidade, uma energia mais limpa e ecológica. “Tal reforma pode melhorar a qualidade das mudas de melancia, garantir fundamentalmente a qualidade de frutas e é mais propícia para promover a industrialização de melancia.” Zhao Yonghe, um funcionário do governo local, explicou: “Além disso, geralmente as famílias precisaram criar mudas durante o Festival da Primavera. E agora todos podem estar liberados para aproveitar o festival”.

Recentemente, o novo Aeroporto Internacional de Pequim se instalou perto de Panggezhuang, estabelecendo ligações com áreas rurais como a Mongólia Interior. Com isso, a experiência da vila, sementes de qualidade, as tecnologias novas e os meios de venda ficam mais acessíveis.

Com esforços individuais, capacitação tecnológica e políticas de incentivo, o ideal da prosperidade comum vai se concretizando devido ao reconhecimento de todos e em benefício de todos.

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