A China, segundo jovens sinólogos brasileiros

O livro, que traz artigos feitos por brasileiros que participaram de um programa do governo chinês, mostra a visão desses estudiosos sobre o país asiático

Muito, se não a maior parte, da informação sobre a China recebida pelo Brasil passa pelo filtro do olhar da grande imprensa ocidental. Afinal, são os grandes veículos de comunicação e agências de notícias norte-americanas ou europeias que conseguem ter escritórios ou correspondentes na China e são fonte primária do noticiário que se propaga pelo ocidente. Não que isso seja necessariamente ruim – e há muitos exemplos de jornalismo de altíssima qualidade – mas não se pode ignorar o viés embutido no olhar dos países desenvolvidos sobre a realidade chinesa, muitas vezes diferente do olhar de um país como o Brasil, que guarda muitas semelhanças com a China: dimensões continentais, a luta pelo desenvolvimento e superação de desigualdades, os desafios ambientais, dentre outros tantos.

Para servir como uma espécie de contraponto ao mainstreaming da informação sobre a China, a Editora Batel, em parceria com a Go East Brasil, reuniu textos de dez sinólogos brasileiros da nova geração no livro “A China por Sinólogos Brasileiros: Visões dobre Economia, Cultura e Sociedade”, organizado por Evandro Carvalho (editor da China Hoje) e Janaína Câmara Silveira. Lançado pelo selo SHU, o livro promove um olhar sobre a China sob diversas perspectivas, como a econômica, a cultura e a social.

Os artigos presentes no livro são o resultado da participação de cada um dos autores no programa do governo chinês “Jovens Sinólogos Visitantes”, que existe desde 2014. O programa convida pesquisadores de todo o mundo para um mês na China, com visitas, palestras e cursos sobre o país. Como esses sinólogos têm formações variadas, cada artigo lança um olhar diferente sobre o país asiático.

Segundo Carvalho, a ideia inicial de lançar um livro com sinólogos brasileiros da nova geração foi de Janaína Silveira, ela mesma participante do programa de sinólogos visitantes, juntamente com o próprio Evandro, Lúcia Anderson, Pedro Henrique Barbosa, Santiago Bustelo, Tulio Cariello, Paula Carvalho, Elias Marco Khalil Jabbour, Caroline Pires Ting e Larissa Wachholz.

Entre os diferentes temas abordados nos artigos, é possível encontrar análises da relação Brasil-China do ponto de vista econômico, sobre o sistema político chinês contemporâneo, a influência do confucionismo nos dias de hoje e até mesmo sobre as coleções que o poeta português Camilo Pessanha fez sobre a China.

De acordo com Carvalho, o mais interessante que o livro traz é o olhar brasileiro, que vem sendo bastante procurado pelo público interessado em China. “É como se houvesse uma carência, uma vontade de conhecer a China pelo olhar do Brasil e não apenas pelo olhar dos países desenvolvidos do ocidente”, explica ele.

O lançamento oficial do livro aconteceu no dia 19 de agosto na FGV-Rio e contou com a presença dos organizadores e de alguns autores que falaram sobre os seus artigos apresentados na obra.

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